Capítulo 74 – Não será funcionária
Atlas Wilson
A noite se mantinha uma loucura, Reed foi embora, Blake foi para um dos quartos e com a Juliet junto, claro. E o salão estava cheio.
Penélope nos deu uma mão por um tempo, mas depois Lawson a colocou no ombro e seguiu para a área privativa, deixando somente eu e minha mulher para fazer todo o trabalho. Mas eu via em seus olhos, na sua postura que algo a estava incomodando.
Fui até um dos quartos levar umas bebidas e assim que a porta se fechou a vi entrando no corredor, ela continuou seu trabalho, entregou os acessórios, disse “até logo” com aquele sorriso lindo e depois… me ignorou?
Samantha caminhou de volta para o salão, mas consegui alcançá-la e a puxei pela cintura. No primeiro momento ela relutou, depois cedeu e ficou nos meus braços.
— Qual o problema? — perguntei, passando o nariz por seu ouvido.
— Muito trabalho, sem tempo para conversa fiada. — A virei para mim e a encarei.
— Conversa fiada, Samantha? — perguntei, irritado.
— Atlas, tem alguma coisa importante para me dizer? Se não, me deixe voltar ao trabalho enquanto ainda posso chamá-lo de meu. — me respondeu bufando e conseguindo sair dos meus braços, mas ela não foi muito longe.
— Então é isso, amor, é sobre o emprego? — sussurrei em seu ouvido, com os braços a prendendo pela cintura.
— Claro que é! — respondeu, irritada.
— Querida, eu pensei… — mas ela não me deixou terminar, se virou ainda nos meus braços e me encarou com esses olhos castanhos que eu adorava.
— O que pensou? Que a grana não me faria falta? Ou talvez você só esteja com vergonha de namorar a garçonete?
— Samantha, de onde tirou isso?
— Noah disse que vocês decidiram não colocarem as mulheres de vocês para trabalharem, isso só me leva a pensar que você tem vergonha das pessoas saberem que a garçonete é sua namorada.
— Querida, não é nada disso. — A colei em mim mais uma vez e dei um beijo em seu pescoço. — Nós não queríamos estar no clube à toa, enquanto vocês duas trabalhavam.
— Mesmo que seja isso, Atlas, eu preciso desse emprego. E se não puder trabalhar aqui, vou ter que procurar outro lugar para trabalhar. — Sammy cruzou os braços. — E voltar para a correria de antes, significa quase nunca ter tempo para te ver. — Ela tirou meus braços de sua cintura, antes de concluir. — E ter um namorado, que nunca vejo, só para dizer que tenho? É melhor nem ter!
Samantha nem me deu tempo de responder, simplesmente me deu as costas e saiu. A vi se aproximar do bar e logo voltar aos atendimentos. Por alguns minutos permaneci no mesmo lugar só a observando.
Ela não podia estar falando sério? Podia? Terminar comigo por isso?
O movimento foi diminuindo, Blake e Ju foram embora, Lawson e Penélope também. Mas minha mulher não parou um segundo, mesmo depois de todos irem embora e ela estando sozinha no salão, fez como todas as vezes e começou a limpar tudo.
— Sammy, já chega. Vamos pra casa. — eu disse em um tom firme, que ela logo acatou. Nos despedimos de Caio e Wolf, e seguimos para o meu carro. Ela ainda estava chateada, então decidi não mexer muito.
Samantha era doce quando precisava, e amarga ao extremo quando queria. E sei que nesse momento isso é o que ela mais quer. Entramos no carro, ela se acomodou e permaneceu com os olhos na janela. Foi só na metade do caminho que ela notou para onde estávamos indo.
— O que está fazendo? — perguntou, confusa.
— Te levando para minha casa.
— Sua casa?
— Sim, vamos chegar em casa, fazer amor para se acalmar, tomar um banho para relaxar e depois dormir um nos braços do outro para descansar.
— E tudo nessa ordem? — me perguntou com deboche.
— Podemos encaixar mais uma rodada no banho, e uma antes de dormir. Não me importo nenhum pouco, pelo contrário, eu vou amar. — respondi sem tirar os olhos do trânsito.
Ela não me respondeu, mas eu vi pelo canto dos olhos o sorriso dela. Chegamos em casa, estacionei e seguimos para o elevador. Fui para o privativo, o que dava direto para meu apartamento, desliguei o sistema pelo meu celular e assim que as portas do elevador se fecharam atrás de nós, eu a empurrei com firmeza contra a parede espelhada.
— Tá com raiva de mim ainda, Sammy?
Ela ergueu o queixo com aquele olhar desafiador que só me deixava mais duro.
— Talvez. Mas acho que posso te perdoar… — sussurrou, mordendo o lábio inferior.
Não esperei mais nada.
Minha mão deslizou pela lateral da coxa dela, subindo por baixo do vestido justo até encontrar sua pele nua.

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