Capítulo 67 – Malditos seis anos.
Jenny Cullen
Eu não entendi no primeiro momento toda aquela fúria do Declan, mas quando ele disse para o Noah: “antes que seja preso por tentativa de homicídio de novo”. Aquilo me irritou.
A mãe do Declan faleceu ele ainda era criança, e só restou ele e o pai. Mas em um belo dia, ou melhor, um dia ruim, depois de um negócio mal feito, o pai dele perdeu tudo e a depressão o tomou.
Só que essa não é a pior parte, o homem, que fez o senhor Reed perder tudo que tinha o procurou novamente, mas dessa fez por puro despeito, apenas para provocar.
Pois é… existem pessoas cruéis assim no mundo.
E nesse dia, assim que ele saiu o senhor Reed escreveu uma carta direcionada ao Declan, contou o ocorrido, e depois… tirou a própria vida. Era nosso primeiro ano de empresa.
Declan Reed, o homem que tem sempre um sorriso para todos, também carrega dentro de si uma fúria incontrolável. E naquele dia, ela aflorou, e ele agrediu o homem… Declan diz não se arrepender do que fez, o homem não morreu, graças a Deus. E as acusações foram tiradas graças a um acordo muito bem sucedido que Noah fez.
Um dia conversamos sobre isso, ele não gosta muito de falar, mas eu sempre consigo fazê-lo se abrir. Declan chegou a comentar que depois disso ele ficou mais agressivo, por isso ele não curtia as “malcriadas” pois elas sempre o faziam perder a linha.
E BDSM é sobre prazer, e não agressão. Essas são as palavras dele.
Mesmo sabendo de tudo isso, e de todo o seu passado, o que acabou de acontecer, ainda me assusta. Eu amo Declan, eu sei que sim. Mas não quero despertar nele o seu pior, e sei que foi o ciúmes quem o fez ficar assim. E nesse exato momento tudo que vem em minha mente é que…
Talvez o ideal, era ter mantido meu amor em silêncio…
— Você me ouviu?! — A voz dele me trouxe de volta dos meus pensamentos.
— Desculpe… — eu disse ainda atônita. — O que você disse? — perguntei.
— Se posso subir? Se podemos conversar? — Foi nesse momento que olhei pela janela e vi que havíamos parado em frente ao meu prédio. Meus olhos encontraram os dele, respirei fundo. Minha mente consciente dizia “não”. Mas quando se trata do Declan, não é ela quem manda.
— Tudo bem. — respondi.
Saímos do carro ainda em silêncio, ele parou ao meu lado e eu sabia exatamente o que ele queria. Era pegar na minha mão, subirmos juntos, agarrados, como temos feito na última semana. Mas isso não aconteceu.
Passamos pelo porteiro, demos um simples "boa noite" e seguimos até o elevador. Entramos, ele ficou encostado em um canto de braços cruzados e eu no outro, com os olhos fixos nos andares, contando mentalmente até chegar no meu.
— Décimo andar. — a máquina avisou.
Descemos, paramos em frente à minha porta. Eu tinha a mania de perder a chave dentro da minha bolsa, e isso sempre me irritava. Ainda em silêncio, ele fez o que faz sempre que vem comigo até meu apartamento, e isso antes mesmo de começarmos a namorar.
Pegou a bolsa da minha mão com toda paciência, a abriu, e em segundos, acho que no máximo três. A chave estava em sua mão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar