Juliet Pierce
Dormi feito uma pedra, assim como a Samy. Acho que a emoção da noite junto com o “francês” surtiu esse efeito.
Acordei e minha amiga ainda estava dormindo, levantei, fiz minha higiene e me troquei. Celeste havia me dito que levaria as crianças ao parque pela manhã, o que significa que tenho um tempo livre até que elas voltem.
Caminhei até a cozinha e fui direto até a cafeteira. Café. Era tudo que eu precisava nesse momento.
— Bom dia flor do dia! — Eu disse a Samy assim que entrou na cozinha.
— Bom? Pra quem? Parece que fui atropelada por um caminhão. — Entreguei uma xícara de café a ela.
— Esses são os efeitos de um bom “francês”. — Samy revirou os olhos para mim igual uma adolescente quando leva bronca da mãe. — Não seja rabugenta, olha que dia lindo está lá fora.
Ela foi até o sofá, e praticamente se jogou nele.
— Queria entender como você acorda de bom humor. — Ela deu um longo gole em seu café. — E o pior, todos os dias.
Ri com suas palavras, e fui me sentar ao seu lado.
— Quando se vive sete anos na escuridão, você aprende a ser grata todos os dias quando vê a luz.
Samy se virou pra me encarar, e algo brilhou em seus olhos.
— Sinto muito Ju, não quis parecer insensível.
— Tá tudo bem querida. — Dei um sorriso para tranquilizá-la.
— Bom… — eu disse me levantando. — Vou pegar minha bolsa, o meu bom humor. — Pisquei para ela. — E ir até o mercado antes que as crianças voltem.
— Queria muito te fazer companhia, mas não vai rolar. Vou me encontrar com José.
— Samy…
— Eu sei o que vai dizer, tá? — Ela levantou irritada. — Mas ele ainda precisa de mim.
— Ele precisa do seu dinheiro. — retruquei.
— Juliet, eu te agradeço pela preocupação. Mas José é minha família, não somos irmãos de sangue, mas a mãe dele me criou como filha. Devo isso a ela.
Respirei derrotada, nada que eu dissesse a faria mudar de idéia. José era um preguiçoso aproveitador. Abusa da gratidão de Samy pela mãe, para explorá-la financeiramente. Enquanto ela trabalha que nem uma louca para conseguir manter as contas dela, e as dele. O cretino passa o dia dormindo, e as noites bebendo e curtindo as custas dela.
— Bom, você quem sabe. — Me aproximei dela, tirei o cabelo de seu rosto e coloquei atrás da orelha. — Mas não confunda gratidão com obrigação.
Vi os olhos dela brilharem novamente.
— Ter um coração grato por quem te fez bem, não te obrigada a fazer tudo que ela quer. E sua gratidão é a Rosa, que criou a vocês dois da mesma maneira. — Dei um beijo em sua testa. — Não esqueça disso, Samy, e se você pode trabalhar ele também pode. E pela forma que me fala da Rosa, sei que ela teria o mesmo pensamento que eu.
Deixei a Samy com essas minhas últimas palavras e logo me arrumei para ir ao mercado. No instante que coloquei os pés para fora do prédio.
— Ju!! — Ouvi uma voz me chamar e nem precisei me virar para saber quem era.
— Bom dia Oliver! — Ele se aproximou de mim.
— Bom dia linda. — Sorri para suas palavras.
Oliver além de um querido, era lindo. Cabelos castanhos claro, quase dourado, olhos cor de mel, corpo atlético, resultado das suas horas na academia. E um sorriso cativante. Ele não escondia de ninguém o seu interesse por mim. Ele adora as crianças, e elas a ele.
Mas… como nem tudo é perfeito, ele tinha um grande defeito, na verdade dois.
Era sete anos mais novo que eu, e irmão de um dos maiores traficantes do Brooklyn. E o irmão dele parece ter birra de mim, sendo que eu praticamente nunca falei com ele.
Samy diz que é tesão reprimido… Que ele gosta de mim, mas não admite com medo de magoar Oliver. Que para ele é mais que um irmão, é como um filho, porque foi Chris quem cuidou dele depois que o pai morreu e a mão surtou. Ele tinha dezoito anos e Oliver oito quando aconteceu.
— Posso saber onde está indo?
— Ao supermercado, as crianças estão com a Celeste, o que me permite fazer compras com mais tranquilidade.
— Eu te acompanho. — Disse me dando os braços, eu ri do seu jeito mas aceitei.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar