Capítulo 5 – Vou aceitar...
Juliet Pierce
Quando aquele homem me atacou o mundo desabou em minha cabeça, não só pelo abuso, mas pelas lembranças que me trouxeram.
O senhor Atlas foi muito gentil, nos pagou até a mais que o valor combinado. E mandou Wolf nos acompanhar até o carro, e esperar até partimos em segurança.
Tirando o Wolf, que era um gigante com uma cara de que está pronto para matar a qualquer hora. Todos os outros são simpáticos, prestativos, atenciosos, o que nem condiz com a realidade daquele lugar.
Pedi para a Samy dirigir, na pressa de irmos embora pegamos nossas coisas e nem sequer nos trocamos. O senhor Atlas me deu o número dele, e disse que eu poderia ligar caso precisasse de algo.
— Vou mandar uma mensagem ao Atlas, falar que entregamos as roupas depois.
Samy somente assentiu e manteve a atenção na estrada.
“Me desculpe por não encerrarmos a noite como o combinado, prometo lavar, e entregar as roupas ao senhor.”
Assim que apertei em enviar, fechei os olhos, encostei a cabeça no banco e tentei esquecer tudo por alguns minutos. Senti a mão de Samy segurar a minha. Abri os olhos e lhe dei um sorriso forçado, como quem diz "estou bem", mesmo sabendo que não estava.
Senti meu celular vibrar, quando olhei era uma mensagem do Atlas.
“Fique tranquila querida, a noite praticamente acabou. E fique com as roupas, para que voltem amanhã. Se tiverem interesse, gostaríamos de contratá-las para os finais de semana.”
Meu coração deu uma leve acelerada. Será que quero voltar naquele lugar? Mas tirando o cretino que me atacou, todos me trataram com muito respeito.
— O que foi? — Samy perguntou me tirando do meu dilema interno.
— O senhor Atlas quer nos contratar, para todos os fins de semana.
— Jura? — Ela perguntou empolgada. — E o que você respondeu?
— Nada ainda…
— Você não quer? O cash é alto, e o serviço não é cansativo. Tirando o problema com aquele pervertido, o resto foi tranquilo.
Samy tinha razão, e eu realmente preciso do dinheiro. Mas e se houver outros pervertidos? E será que estou disposta a lidar com o que acontece naquele clube todo final de semana?
Fiquei tão perdida na mensagem de Atlas que nem tinha notado que estávamos em frente ao nosso prédio. Samy soltou o cinto e virou pra mim.
— Eu só aceito, se você estiver comigo. Não consigo enfrentar aqueles homens lindos, me devorando com os olhos sozinha.
Eu ri balançando a cabeça, como sou grata por ter ela e Celeste na minha vida.
— Obrigado.
— Somos amigas, não somos mais que isso. Irmãs de alma! E não vou te obrigar a fazer nada que te deixe desconfortável. — Ela pegou na minha mão. — Faremos o que você decidir.
Samy me puxou para um abraço, e ficamos ali, duas irmãs de almas dispostas a sempre cuidar uma da outra. Descemos do carro e seguimos para casa, ela foi até seu apartamento tomar banho e disse que voltaria para dormir comigo.
Abri minha porta, e segui direto para o banheiro. Quando me olhei no espelho, vi que ainda estava de máscara, a tirei, assim como a roupa e entrei chuveiro. Não sei porque, mas toda vez que tenho um problema, sentir a água me ajuda a acalmar.
Nem sei por quanto tempo fiquei ali, assim que terminei, me sequei, coloquei meu pijama e quando fui até o espelho para pentear os cabelos. Notei a marca no rosto, um lembrete do que havia acontecido essa noite, mas também uma lembrança de tudo que vivi com George.
Suspirei exausta, enquanto caminhava até minha cama, ouvi a porta da frente e logo Samy estava ali comigo. Ela escondia algo atrás das costas, e tinha um sorriso atrevido.
— O que está aprontando.
Ela foi trazendo para frente vagarosamente, fazendo todo aquele drama “típico Samy”.
— Tcharam!!!
Balancei a cabeça, em negação.
— O que foi? — Me perguntou se aproximando. — Já que não conseguimos terminar a noite com nenhum daqueles deuses gregos, vamos encerrar com um delicioso francês. — Me deu uma piscadinha.
— Pra ser sincera, estou precisando mesmo. — Sentamos na minha cama. Ela nos serviu o Sauvignon que ganhamos do Eduardo e logo começamos a nos deliciar no "francês".

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