Capítulo 45 – Sabe o que eu percebi?
Atlas Wilson
Estava com a minha irmã quando o Blake me ligou pedindo para ir até o menino da Ju. Levei Athena para casa e liguei para Samy, ela me contou o hospital em que estavam e fui até lá. Assim que cheguei, encontrei Lawson, que veio direto em minha direção.
— O que está fazendo aqui? — perguntou, estendendo a mão para me cumprimentar.
— Blake me pediu para vir ver o menino e levá-lo a outro hospital.
— Juliet não contou que eu estava aqui? — me perguntou, irritado.
— Sim, mas ele achou melhor mudarmos de hospital, irmos para um infantil.
— E a Ju está de acordo com isso?
— Está, eu já até falei com a Samy e deixei tudo certo no outro hospital.
Foi nesse momento que a porta se abriu e Samy saiu de lá de dentro com o menino no colo, Chris e eu fomos até ela ao mesmo tempo para pegar o menino.
— Oi, senhor Atlas. — Samy me cumprimentou, estendendo o menino para mim, o que irritou mais ainda o Chris.
— Samantha, qual a necessidade de tirar o menino daqui?
— Chris, ele nem ao menos foi atendido. E o senhor Atlas já conseguiu vaga em outro hospital.
Mesmo relutante, ele aceitou, seguimos para fora do hospital e caminhamos direto para o meu carro.
— Vai nos acompanhar? — perguntei a ele.
— Me passa o endereço que sigo vocês com o meu carro.
Como ele pediu, enviei a ele a localização. Abri a porta, Samy entrou no carro com o pequeno que estava sonolento. Assim que nos acomodamos e peguei a estrada, ouvi ela falando com o garotinho.
— Ei, campeão, você precisa ficar acordado.
— Mas eu 'tô' com muito sono. — Vi pelo retrovisor ela dando um beijo em sua testa antes de dizer:
— Eu sei, meu amor, mas você bateu sua cabecinha e o melhor é ficar acordado até o médico te examinar.
Samy brincou, cantou, fez cócegas no menino, tudo para mantê-lo acordado. Ela era divertida, mas ao mesmo tempo tinha uma voz suave quando necessário. Parei em um semáforo e voltei a olhá-la pelo retrovisor e ela notou, vi quando ficou vermelha e abaixou os olhos rapidamente, não resisti e acabei sorrindo.
Paramos em frente ao hospital e o Lawson encostou logo em seguida. Peguei novamente o menino no colo e nós três entramos.
— Olá, sou Atlas Wilson e marquei para meu sobrinho ser atendido. — Eu disse à moça da recepção.
— Senhor Wilson, nossa enfermeira já está os aguardando. Preciso dos documentos da criança, mas um de vocês pode ir entrando com ele.
Samy me entregou os documentos dela e do Heitor e logo eu fiz a ficha e me coloquei como o responsável financeiro. A mulher levou a mim e Chris para dentro para falarmos com o médico, junto de Samy.
— E aí? — Chris foi o primeiro a perguntar.
— O médico já o examinou, disse que foi só um susto, mas é procedimento que ele fique em observação por algumas horas. — ela nos informou.
— Simples assim? Ele olhou o menino e chegou a essa conclusão sem nem ao menos um exame? — perguntei, indignado.
— Wilson, ele é o médico. — Lawson chamou minha atenção.
— Sim, mas médicos também erram! — rebati a sua resposta. “Eu já vi acontecer”, mas esse pensamento guardei só pra mim.
— Bem, Samy, você quem decide se acha que é o melhor fazermos exames. Se não, deixamos como está.

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