Capítulo 44 – Talvez...
Noah Blake
Eu fiz o que estava ao meu alcance pelo filho da Juliet, não queria que ela se sentisse culpada pelo menino se machucar em sua ausência. Garanti, junto de Atlas, que ele tivesse o melhor atendimento. Eu confiava em Wilson de olhos fechados; além de um amigo leal, ele realmente se importa com as pessoas ao seu redor e entrega o seu melhor. Principalmente quando o assunto é saúde.
Dei um passo arriscado, trazendo Juliet para o meu quarto, eu sabia disso. Mas prefiro correr esse risco a afastá-la de mim. Ainda não entendo nada sobre relacionamentos, pelo menos não dos saudáveis. E estou confuso sobre essas coisas que tenho sentido. Declan e Atlas acreditam que estou apaixonado, mas a verdade é que não faço ideia de como se chama nada disso que Juliet desperta em mim.
Assim que deitamos, eu permaneci imóvel, meu foco era o teto e meu objetivo era dormir a noite inteira sem que os malditos pesadelos viessem me atormentar. Pelo menos não nessa noite, não com ela ao meu lado. Só que, para meu azar, foi exatamente isso que aconteceu e, quando despertei deles, vi que não era ele me machucando, era só a Ju…
Mas tinha sido tarde demais, eu estava com as mãos envolta de sua garganta enquanto ela implorava em um sussurro.
“Por favor, amor…”
Eu fugi dali, não queria assustá-la mais e muito menos feri-la novamente. Só que Juliet Pierce tem o riso suave de uma brisa, mas a determinação inabalável de uma rocha. E era isso que mais me encantava nela.
Eu sei que, mesmo ela fingindo que estava tudo bem, não estava, e que ela merecia saber o que tinha acontecido. Mas eu não falo sobre isso com ninguém, nem mesmo com meus melhores amigos. Eles sabem da minha história, mas não têm noção de como isso me assombra, que os fantasmas do meu passado estão enraizados dentro de mim e acho que ficarão aqui até o dia em que eu morrer.
— Noah… — ela me chamou mais uma vez, me trazendo de volta até ela.
— Eu não sei, Ju. Não posso, e nem mesmo conseguiria, mentir pra você sobre isso.
Ela mantinha meu rosto entre suas mãos e seus olhos azuis grudados nos meus. Eu via que ela estava pensando, avaliando todos os cenários e decidi deixar para que ela decidisse. Ela soltou um suspiro longo, antes de me perguntar:
— É por isso que não dorme com ninguém, né? Pois você não sabe se vai acontecer ou não.
— Sim. — respondi firme. — Tenho esses pesadelos desde a minha infância, e antes que me pergunte, não, eu nunca procurei ajuda sobre isso.
Ela franziu a testa, e segurou os lábios entre os dentes como se estivesse pensando bem nas suas próximas palavras ou na sua decisão.
— Olha, Ju, não posso garantir que nada vai acontecer. Mas garanto que, se acontecer, eu vou lutar ao máximo para que isso não a machuque.
Juliet soltou meu rosto, mas se manteve em meu colo.
— Se estiver com medo, podemos dormir em quartos separados. Essa era minha ideia inicial. — eu disse a ela.
— É isso que você quer? Voltar a dormir sozinho? Me afastar? — ela disse em um tom de tristeza.
— Não. — respondi, colocando uma mão em seu rosto. — Eu lutei contra a ideia de te ter aqui, mas agora, tudo que eu mais quero é isso. — Fui sincero em cada palavra.
— Eu disse que não precisávamos conversar sobre isso hoje, mas vamos poder conversar um dia? — ela me perguntou com uma voz suave.

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