Capítulo 42 – Quem já está dentro
Juliet Pierce
Acordei ainda nos braços do Noah, e o peguei me olhando com um olhar sereno. Acho que ficar de “chamego” não foi tão ruim assim, afinal. Mas logo essa alegria passou, pois quando peguei meu celular havia inúmeras ligações vindas de casa.
Não consegui contato com Celeste, nem Samy e muito menos com Oliver. Mas Chris me atendeu no primeiro toque. Ele me disse que foi buscar meu menino na escola com a Samy, e os levaram ao hospital e que Oliver havia levado Laurinha para ficar com Celeste.
“Obrigado, Deus, por essas pessoas na minha vida”
Só que mesmo sabendo que meus filhos estavam em boas mãos, aquela sensação ruim não passou. E o que mais me surpreendeu foi a forma como Noah lidou com a situação. Falou comigo de forma suave, se preocupou com meu menino e ainda por cima colocou Atlas para ir até o hospital.
Mas ainda assim, sabendo que Noah tinha as coisas “sob controle”, a sensação de ser uma péssima mãe ainda estava em mim. Ele tentou me fazer ver de outra forma, mas, para ser sincera, não deu muito certo.
Pousamos, e outra coisa além do acidente do meu filho me atingiu. A lembrança da nossa conversa anterior, sobre a intimidade de um casal, conhecermos os limites um do outro, e vencermos as dificuldades, juntos.
— Depois do que conversamos, como vai ser? — perguntei a ele, que me olhou confuso.
— Como assim? — me mantive firme antes de responder.
— Preciso saber, Noah, se seremos um casal, e dividiremos o quarto. Ou vamos entender os limites um do outro… separados?
Minha pergunta o pegou de surpresa, provavelmente porque ele imaginou que depois de traçarmos, o problema estava resolvido.
— Ju, eu não costumo dormir com ninguém.
— Você dormiu comigo no avião.
— Foi diferente, foram somente algumas horas, e… — Mas eu não o deixei terminar.
— Então é isso. Te agradeço pela ajuda com meu filho, mas não tem como criarmos intimidade, com você dando um passo em minha direção, e logo em seguida recuando dois.
— Ju… — ele começou, e Declan se aproximou.
— Aqui estão as chaves, o quarto de vocês é uma demi suíte, então estarão separadas, mas juntas. — Ele nos disse com um sorriso e tentei forçar um de volta, pegando o cartão de sua mão.
— Obrigado, Declan. — Me virei para Jenny. — Vamos, Jen, estou doida por um banho, e para ligar para casa. — Declan entregou a chave para Noah e seguimos os quatro pelo elevador.
O hotel era lindo, um cinco estrelas e ficaremos os quatro no mesmo andar. Assim que saímos do elevador, Noah puxou a mala da minha mão e seguiu direto para a porta dele.
— Noah?! — O chamei confusa, Jen olhou para mim e sussurrou em meu ouvido para que somente eu ouvisse.
— Acho que isso foi um convite. — eu bufei para suas palavras.
— Isso está mais para ordem disfarçada. — Caminhei batendo os pés até ele, assim que parei ao seu lado, ele entrou e me puxou para dentro.
Quando a porta se fechou atrás dele, eu cruzei os braços e o encarei.
— Noah Blake, você é péssimo em se comunicar.
Ele me ignorou, passou pela sala da suíte e foi para o quarto, me obrigando a segui-lo. Assim que passei pela porta do quarto, ele havia colocado minha mala e a dele em uma das poltronas e seguido para o banheiro.
— Noah!! — O chamei, e ele saiu do banheiro já sem camisa.
— Qual o problema?
— É sério que está me perguntando isso? — retruquei. — O que acha que está fazendo?
— Enchendo a banheira, você disse que queria um banho antes de ligar para sua casa.
Respirei fundo, Noah conseguia no mesmo instante me encantar, me irritar e me confundir.
— Achei que não iríamos dormir no mesmo quarto?
— E não íamos. — ele respondeu sem hesitar. — Mas como eu disse mais cedo, não quero, não posso e não consigo ficar longe de você. E se para ficarmos juntos, preciso ter você na minha cama a noite inteira. — Noah atravessou o quarto em minha direção em dois passos largos, e me envolveu pela cintura. — Que assim seja!
Eu tentei me manter firme, séria, mas não consegui. Acho que nunca vou ser capaz de resistir ao meu homem de aço dos olhos verdes.
— Você sempre me vence. — eu disse envolvendo os braços por seu pescoço.
— Não estamos jogando, querida. Mas se estivéssemos… — ele me deu um selinho. — Você é quem estaria ganhando.

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