Capítulo 41 – Entender os limites
Noah Blake
Não existe uma regra específica para Dominantes onde diz que não podemos ter relacionamentos, a maioria de nós gosta de namorar, noivar e até mesmo casar com suas sub. Essa regra é minha, e sempre fui muito rígido com ela, ou era até a Ju aparecer.
Atlas, Declan, Dominic eles curtem essas coisas de levar para jantar, dançar, mimar, até mesmo viagens “românticas”, ao nosso modo Dom, é claro.
O problema é que eu nunca tive isso, e por mais que Juliet me diga “vamos ver até onde vai colar” essa minha desculpa, ela precisa entender que não é desculpa, é real, até demais.
Aceitei o tal de ficar de “chamego”, ela ameaçou me deixar e isso não aceito. No primeiro momento a envolvi com meus braços em um aperto firme, ela colada em mim, mas era estranho. Só levo uma mulher para a cama se for rolar sexo, e no nosso caso… o sexo já rolou.
Meu coração batia mais que uma batedeira, só que no instante que seus dedos começaram a me acariciar era como se ela tivesse mandado uma mensagem ao meu corpo do tipo “relaxa”, e ele simplesmente foi me obedecendo.
Meu coração já não queria fugir dali, e muito menos meu corpo. Minha respiração, antes ofegante, já era quase imperceptível, assim como a dela. Os meus olhos se fecharam antes mesmo que eu pudesse evitar e depois de um último suspiro longo… eu dormi.
Acordei assustado com o vibrar de um celular, quando olhei era o da Ju. Abaixei minha cabeça e ela ainda estava agarrada a mim, respirando lentamente e com uma expressão tranquila. Ela era linda…
Passei a mão por seu rosto, afastei uns fios de cabelo, depois desci meus lábios para os dela. Eu não a beijei, mas deixei nossos lábios colados uns segundos a mais do que o necessário. Ju abriu os olhos lentamente, piscou algumas vezes até que aquele azul cristal fixou em mim.
— Faz tempo que você acordou? — me perguntou com a voz arranhada ainda do sono.
— Não tem nem dois minutos. — Juliet colocou a mão na minha nuca e me puxou para um beijo. Foi lento no começo, mas quando nossas línguas se encontraram ela deu uma leve puxada em meus cabelos, e colei ainda mais meu corpo no dela.
— Amor… — ela me chamou ainda com a boca colada na minha.
— Huum.. — Foi a única coisa que consegui responder, porque depois de encerrar o beijo comecei a descer meus lábios pelo pescoço dela.
— Você está me transformando em uma pervertida. — Sorri sobre a pele dela, lhe causando arrepios.
— Querida, você sendo a minha pervertida, — passei a língua por entre seus seios. — Por mim está tudo bem.
— Noah!! — Ela chamou minha atenção me empurrando de leve.
Ouvimos um barulho, e quando olhamos era o celular dela novamente.
— Preciso atender. — ela disse se afastando de mim, e pegou o aparelho. — Droga!!
— Qual o problema?
— Tenho oito chamadas da Celeste, chamada da Samy, do Oliver… — ela fez uma pausa. — Tem até do Chris, estão tentando falar comigo já há algum tempo.
Senti meu sangue ferver com a menção do Lawson.
— Posso saber por que ele está te ligando?
— Não faço ideia, mas para todos me ligarem assim, só pode ser pelas crianças.
Juliet se enrolou no lençol, depois começou a retornar as ligações. Ninguém a atendeu, até que em uma última tentativa eu a ouvi dizer.
— Chris?! Graças a Deus! — Me sentei ao seu lado. — Não, eu não consegui falar com eles. Você sabe o que aconteceu? — A expressão dela era séria enquanto o ouvia atentamente. — O QUE?! — Ela perguntou dando um pulo da cama. — Tudo bem, Chris, muito obrigado.
Ela encerrou a ligação, e começou a caminhar de um lado para o outro sem me olhar e sem dizer uma única palavra. Levantei e fui até ela, a envolvendo pela cintura.
— Respira, querida. — sussurrei em seu ouvido, e vi ela se acalmar por um instante. — Agora me diz o que aconteceu?
Ela envolveu os braços pela minha cintura, e encostou a cabeça no meu peito.
— Heitor caiu de um dos brinquedos do parque na escola. Samy e Chris o levaram ao hospital. — Senti algo escorrer pelo meu peito, e imaginei que eram lágrimas. — Chris não pode entrar, somente a Samy.
— Querida, ele está bem. Se algo mais sério tivesse acontecido, Lawson teria dito.
Ela levantou a cabeça para me olhar.

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