Capítulo 37 – Deixe Claro
Juliet Pierce
Eu quase não preguei o olho, não por falta de conforto, pelo contrário. A cama era maravilhosa, os lençóis gritavam seu preço a cada vez que eu me mexia. O motivo era o Noah. A forma como ele falou sobre não dividir o quarto com ninguém me deixou inquieta.
Eu não estou pensando em casamento, mas ninguém começa um relacionamento já pensando em terminar. A gente pensa em um futuro com aquela pessoa. E como vai ser? Noah nunca vai dormir comigo? Ele pensa no futuro? Nós realmente somos um casal?
Quando o despertador tocou, eu já estava em pé, terminando de me arrumar. Noah me mandou uma mensagem:
“Te esperando para o café.”
Encarei o celular por alguns segundos a mais, depois peguei minhas coisas e saí do quarto. Assim que abri a porta, uma mulher de meia-idade, com um olhar frio, estava parada ali.
— Bom dia, senhorita Pierce.
— Bom dia.
— O senhor Blake me pediu para acompanhá-la até a mesa do café. — A mulher tinha uma expressão séria, o cabelo em um coque perfeito e o uniforme impecável.
— OK. — respondi, e ela me fez sinal para segui-la.
Caminhamos em silêncio. Quando chegamos à sala de jantar, Noah já estava à minha espera.
— Bom dia. — eu disse, indo até a mesa. Ele se levantou, puxou a cadeira para mim, e antes mesmo que eu pudesse sentar, ele me puxou para um beijo rápido.
— Bom dia, Ju. — ele murmurou ainda com a boca na minha.
Me sentei e logo começamos a comer. A mulher não me permitia pegar nada, ela parecia ler minha mente e aquilo começou a me incomodar.
— A senhora pode ficar tranquila, eu mesma me sirvo. — eu disse em um tom tranquilo.
— O senhor Blake gosta de tudo organizado à mesa e não gosta que me questionem. — ela disse em um tom frio, colocando o pão no meu prato.
— O que a senhora disse? — perguntei, irritada. — E em que o fato de eu mesma me servir é sinônimo de desorganização?
— Ju… — Noah começou. Mas o ignorei.
— E a senhora não foi questionada, eu educadamente disse que me serviria.
— O senhor deseja que eu faça algo a respeito? — a cretina disse a ele, me ignorando completamente.
— Ele quer, sim, que pare de me tratar dessa maneira. — rebati a mulher, furiosa.
— Chega, Ju. — Noah me disse em um tom autoritário.
— Chega? — o questionei.
— Ava. — ele a chamou.
— Sim, senhor Blake.
— Pode nos dar licença. — ele disse.
Ela assentiu e se retirou. Noah voltou a tomar seu café, enquanto eu o olhava, indignada.
— Não vai falar nada?
— O que espera que eu diga? — ele rebateu com outra pergunta.
— Acha que não notei o que aconteceu aqui? — ele devolveu sua xícara à mesa e me olhou.
— E o que aconteceu? — me perguntou, mas antes que eu respondesse, Ava retornou.
— O carro já está lá embaixo, aguardando.
— Obrigado, Ava, pode se retirar.
Voltei a encará-lo, senti minhas mãos tremerem de raiva.
“Nunca mais, Juliet.”
“Você não abaixa a cabeça para ninguém.”
“Nunca. Mais.”
Disse esse mantra em minha mente antes de respondê-lo:
— Sabe bem o que aconteceu, Noah Blake. — respondi, sentindo meu coração acelerar. — Deixe claro à sua secretária, na próxima vez que eu vier aqui, que não sou sua submissa ou um contrato. Que sou sua namorada. — Me levantei antes de concluir. — Caso haja uma próxima vez, porque, no momento, não tenho tanta certeza disso.
Fui até onde havia deixado minha mala, a peguei em minhas mãos e fiquei aguardando. Ele não disse uma palavra, se levantou com calma e chamou a mulher:
— Ava. — Em segundos, ela já estava ali.
Noah caminhou até mim, pegou a mala da minha mão, envolveu um braço em minha cintura, me puxando para ele.
— Esqueci de mencionar. — ele começou, se dirigindo à mulher. — Que a Juliet é minha namorada. — Ela o olhou, incrédula. — As regras não se aplicam a ela.
— Hã… — Ava ficou sem reação por um instante. — Entendido, senhor Blake.
— Você mandou minha mala para baixo?
— Sim, senhor. — Ele esticou a minha para ela.
— Leve a da minha mulher também. — Ela assentiu e saiu, nos dando privacidade.
Noah se virou e me puxou, colando meu corpo no dele.

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