Capítulo 36 – Viagem
Juliet Pierce
Se eu fosse definir em uma única palavra como foi meu dia de trabalho na empresa do Noah, ela seria: insana. Exatamente isso: Noah é o cara mais intenso que já conheci em toda a minha vida. E no meio dessa insanidade, ele ainda me convenceu a ser sua assistente e, como se não bastasse, a viajar com ele para Paris, para que possa fechar um negócio por lá.
Ele ofereceu pagar alguém para cuidar dos meus bebês, mas eu não confio em ninguém além da Celeste e da Samy. Oliver se ofereceu para ajudar e, claro, aceitei. Sim, ele já sabe sobre mim e Noah, e reagiu melhor do que todos nós esperávamos. O que irritou Chris, que disse nunca ter se declarado antes por receio do Oliver… e agora ele simplesmente diz “tudo bem” sobre mim e Noah?
Resumindo: Oliver, como um bom amigo, me apoiou. Já o Chris está furioso, e ainda foi ousado em dizer:
— Vou te esperar…
Como se, no fundo, ele tivesse a certeza de que meu relacionamento com Noah não irá durar.
— Acha que isso é o suficiente? — perguntei à Samy, apontando para a pequena mala sobre a minha cama.
— Do jeito que as coisas entre você e Noah andam, acho que nem precisa de tudo isso de roupa. Uma para a reunião, outra pro almoço e uma de viagem… o resto do tempo acho que nem vestida você vai estar. — Ela disse rindo.
— Samy!! — chamei sua atenção. Ela foi me visitar na empresa hoje pela manhã, e Declan a levou para almoçar. Fez o favor de contar a ela sobre os sons que ouve vindo do banheiro, o que me matou de vergonha. E a Samantha… bem, rendeu comentários pelo dia inteiro.
— Não chame minha atenção, e sim a do seu namorado. — retrucou.
— Ele nem sonha que Declan disse essas coisas a você. — Respondi fechando a mala. Peguei meu celular e vi uma mensagem do Noah:
“Chego em quinze minutos.”
— Noah está chegando. — Avisei.
— Como as crianças reagiram à viagem?
— Melhor do que imaginei, mas não irei demorar. Viajamos amanhã às sete da manhã. Pelo fuso horário, chegamos às oito da noite em Paris, alinhamos as coisas, fazemos a reunião na sexta de manhã, almoçamos com o cliente e voltamos logo em seguida.
— Que triste… viajar para Paris e nem mesmo conhecer a Torre Eiffel. — Sorri para ela.
— Bem, eu já a conheço. Passei minha lua de mel em Paris. — Ela me olhou incrédula.
— Que chique! George não foi tão cretino assim então.
As palavras da Samy mexeram comigo, pois me trouxeram a lembrança do dia em que fui feliz com ele.
— Não. Nessa época, ele ainda me tratava como alguém que ele amava. — Respondi com certa tristeza. — Bom, eu vou me despedir dos meus bebês, porque meu namorado é a pessoa mais impaciente que eu conheço.
— Por que você precisa ir dormir na casa dele? Não entendi isso.
— O voo é muito cedo, e atravessar a ponte nesse horário nos faria correr o risco de perder o voo. Mesmo sendo particular, temos horário.
— Isso é verdade. — Ela me acompanhou até a sala. — Então essa vai ser a primeira noite de vocês dormindo juntos, hein?? — Me perguntou com malícia, batendo os ombros nos meus.
— Se controla, Samantha. — Respondi rindo.
Aproveitei meus últimos minutos com meus bebês. Precisava ser sincera: por mais empolgante que fosse a ideia de viajar com Noah, deixar meus filhos estava acabando comigo. Mas eu confiava na Celeste. E Noah fez questão de garantir tudo que eles precisavam para esses três dias que eu passaria fora.
Samantha era uma maluquinha, mas eu sei que cuidaria dos meus filhos como se fossem seus. E ainda tinha o Oliver.
Despedidas feitas, desci para aguardar Noah, que veio cronometrando sua viagem.
“Cinco minutos, querida.”
Foi a última mensagem dele. Respondi com um simples “ok”, só para provocá-lo. Fiquei rindo enquanto olhava para a tela do celular, e não o ouvi se aproximar… até sentir sua respiração bem próxima do meu ouvido.
— Boa noite, Ju. — Meu corpo inteiro arrepiou. Desde o dia no clube, nós dois ainda não tínhamos nos visto, apenas conversado por mensagens. Me virei lentamente, até meus olhos encontrarem os dele.
— Boa noite, Chris. — Minha voz falhou por uma fração de segundos.
— Achei que a viagem fosse amanhã. — Apontou para a mala na minha mão.
— Sim, mas é muito cedo. Então vou dormir na casa do Noah para facilitar o embarque.
— Então é ele quem está vindo te buscar?
— Sim…
— Só me resta dizer então… boa viagem. — Ele me disse, mas havia algo diferente em sua voz.
— Obrigada… Está tudo bem? — Perguntei.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar