Capítulo 341 — A Sala Vermelha
Juliet Blake
A festa de casamento ainda pulsava viva e barulhenta nos jardins da propriedade, mas o som da orquestra e das risadas foi ficando abafado à medida que Noah me guiava de mãos dadas pelos corredores silenciosos da mansão principal. O relógio já marcava mais de uma da manhã. A nossa família, as crianças e as avós estavam perfeitamente acomodadas nos chalés e nos quartos de hóspedes, deixando a ala principal da casa exclusivamente para nós.
O meu coração batia em um ritmo descompassado, uma mistura deliciosa de ansiedade, amor e uma antecipação que fazia a minha pele inteira formigar.
Quando paramos em frente às portas duplas da nossa suíte master, Noah não abriu a maçaneta imediatamente. Ele soltou a minha mão, parou na minha frente e segurou o meu rosto com as duas mãos grandes e quentes. Os olhos dele, que horas atrás choravam de emoção no altar, agora estavam escuros. Tão escuros que o verde parecia ter sido engolido por uma tempestade negra e possessiva.
— Ju... — A voz dele saiu uma oitava mais baixa, o tom rouco e carregado de uma autoridade que fez o meu corpo inteiro arrepiar. — Desde o dia em que nos conhecemos, eu fui o seu escudo. Nós curamos as nossas feridas, construímos a nossa família e hoje você se tornou a minha mulher. Mas você sabe quem eu era antes de você. Você sabe o que eu fundei e a escuridão que eu dominava.
Engoli em seco, os meus olhos cravados nos dele, o peito subindo e descendo rápido sob o corpete rendado do meu vestido de noiva.
— Eu sei, Noah. — Sussurrei.
— Eu nunca te forcei a entrar no meu mundo porque o meu único objetivo era te proteger dos seus próprios demônios. — Ele continuou, o polegar acariciando o meu lábio inferior com uma lentidão torturante. — Mas hoje os fantasmas não existem mais. Hoje somos só nós dois. E eu preciso saber, Juliet... você confia em mim? Confia em mim para me entregar o controle absoluto de você esta noite?
A pergunta não era casual. Era uma promessa. O homem na minha frente não era apenas o meu marido apaixonado; ele era o fundador do Paradise. O Dom dos Doms. E, pela primeira vez na nossa história, ele estava pedindo permissão para deixar o Mestre sair das sombras.
Eu não recuei. A Juliet quebrada que morria de medo do controle masculino estava morta. Em seu lugar, havia uma mulher forte, amada e sedenta por se entregar ao único homem no universo que venerava o chão que ela pisava. Nós já fizemos algumas cenas, simples, eu gostava disso, mas nunca dei a ele o controle absoluto como sabia que Penny, Jen e Sammy faziam com os seus Doms. Mas hoje isso ia mudar.
— Eu confio a minha vida a você, Noah Blake. — Respondi, a voz firme e transbordando certeza. — Eu quero você. Todo o seu controle. Hoje, eu sou sua.
Um sorriso predatório, letal e absolutamente devastador curvou os lábios do meu marido. O ar ao nosso redor pareceu ficar mais denso.
Noah destrancou as portas da suíte e me puxou para dentro. Mas nós não paramos no quarto enorme com a cama king-size. Ele me guiou até o fundo do closet, parando em frente a uma porta dupla de madeira escura que se camuflava na parede. Ele digitou uma senha no painel digital, e o som de uma trava pesada sendo liberada ecoou no silêncio.
A porta se abriu, revelando o cômodo que ele havia construído sob medida na nossa casa de campo. A minha respiração engatou.
Não era uma masmorra fria. Era um santuário de luxo absoluto e intimidante. A Sala Vermelha. As paredes eram forradas com um papel de parede aveludado em tons de vinho e dourado envelhecido. A iluminação vinha de arandelas na parede, lançando sombras quentes e convidativas pelo ambiente. No centro, uma cama redonda, forrada com lençóis de seda preta, dominava o espaço. Espelhos estratégicos no teto e nas paredes amplificavam o cenário. Em uma parede lateral, prateleiras de vidro e ganchos de couro exibiam um arsenal meticulosamente organizado: algemas de aço, amarras de couro acolchoado, vendas de seda, chicotes de diferentes texturas e pequenos frascos de óleo. Tudo exalava poder, disciplina e prazer.

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