Capítulo 339 — O Paraíso Encontrado
Juliet Pierce
O sol do final da primavera banhava o Vale do Hudson com uma luz dourada e quente, mas, por um instante, enquanto eu olhava pela imensa parede de vidro do quarto principal, a minha mente viajou para uma manhã fria e chuvosa de quase dois atrás. Lembrei-me do som das gotas batendo no teto do carro enquanto eu estava parada no acostamento da rodovia noventa e cinco. Lembrei-me do terror que esmagava o meu peito, da ardência do roxo ao redor do meu olho e das marcas violentas nos meus pulsos. Lembrei-me de olhar para o Heitor e para a Laurinha dormindo no banco de trás, fugindo sem destino, tentando escapar do inferno que o George havia construído para mim. Lembrei-me do motel acolhedor e do abraço da Anne.
Respirei fundo, o ar puro do campo preenchendo os meus pulmões, e pisquei, trazendo a minha mente de volta para o presente.
O inferno tinha ficado para trás. Eu estava no paraíso.
Sorri ao observar a imensidão verde lá fora. A fazenda rústico-chique que o Noah havia comprado era um verdadeiro espetáculo. Ele me surpreendeu com essa propriedade absurdamente luxuosa, dizendo, com aquele olhar intenso e protetor que só ele tinha, que a nossa família havia sobrevivido aos escombros de Nova York e precisava de um espaço sagrado para respirar.
Lá embaixo, na grama perfeitamente cortada, Laurinha, Heitor e o nosso grande no tamanho mas ainda sim nosso pequeno Ton corriam em disparada atrás do Zeus, o nosso cachorro (um presente do Tio Chris que Noah “adorou”). Eles brincavam sob os olhares atentos dos seguranças de terno escuro que se misturavam à paisagem. Na imensa varanda de madeira da casa principal, tinha uma verdadeira creche de bebês, supervisionado pelas avós mais babonas do mundo: Cece, Ava, Gina, Diva e claro que ali também estavam Dona Marina e a nova cuidadora dela Adrielly. Olhei meus mini Blake, Luke e Logan que agora já davam os primeiros passinhos sendo perseguidos pelas duas babás.
Passei as mãos pelos braços, sentindo o toque frio da seda do meu roupão, e fechei os olhos. Aquele dia terrível parecia pertencer a outra vida. A Juliet assustada e quebrada que jogou o celular no asfalto não existia mais. O livro tinha sido reescrito. Nós havíamos vencido.
A porta do quarto foi aberta de supetão, cortando o meu momento de reflexão e calmaria.
— Chega de olhar para o mato, Ju! A noiva precisa ficar pronta! — Tay anunciou, entrando como um furacão, carregando a pequena Arianna no colo enquanto equilibrava uma taça de champanhe na outra mão.
Atrás dela, o caos mais delicioso do mundo invadiu o quarto. Sammy, Penny, Jen, Athena, Esther e Mia entraram rindo e conversando alto, segurando cabides com vestidos de seda esvoaçantes, nécessaires de maquiagem e bolsas de maternidade. O quarto, antes silencioso, foi instantaneamente preenchido por vozes femininas, risadas, cheiro de laquê e o chorinho ocasional do Eros ou da Layla exigindo atenção. E como se fossem atraídos, todos os outros quiseram o mesmo.
— Alguém segura a Íris, pelo amor de Deus, antes que eu borre o delineador! — Penny implorou, sentada na cadeira da penteadeira, enquanto a maquiadora tentava finalizar o olho dela.
— Passa ela pra cá. — Athena assumiu o posto, pegando a bebê com uma facilidade que me fez sorrir, já imaginando a nossa garota como mãe num futuro bem próximo.
Sentei-me na poltrona central, deixando a equipe de beleza cuidar do meu cabelo e da minha maquiagem, enquanto apenas absorvia aquela cena caótica e perfeita. Olhei para cada uma delas através do espelho. Mulheres fortes, letais, sobreviventes. Mulheres que o destino, as tragédias e os homens que nós amávamos haviam cruzado no meu caminho.
Noah Blake era o CEO de um império, dono de uma fortuna incalculável, mas, naquele momento, vendo o reflexo daquelas sete mulheres ao meu redor, rindo e se ajudando, eu tive a certeza absoluta de que a mulher mais rica do mundo era eu. E a minha riqueza não estava nas contas bancárias do meu futuro marido, mas sim naquelas irmãs de alma que o universo me deu.
Horas depois, o quarto finalmente esvaziou. As meninas desceram para assumirem os seus postos no altar. Fiquei sozinha por alguns minutos, admirando o reflexo da mulher no espelho de corpo inteiro.
O meu vestido era fluido, leve e romântico. Uma saia de tule de seda em camadas sutis que parecia flutuar a cada passo, com um corpete rendado e delicado, sem brilhos exagerados ou armações pesadas. Era perfeito para um casamento no campo. Meus cabelos estavam presos em um coque desconstruído, adornado com pequenas flores brancas. Eu estava exatamente como me sentia por dentro: livre.
Ouvi duas batidas suaves na pesada porta de madeira.
— Pode entrar. — Chamei, a voz tremendo levemente de nervosismo e expectativa.
A porta se abriu e dois gigantes entraram no quarto, ambos vestindo ternos impecáveis em tons de cinza claro. Chris e Oliver pararam lado a lado, e as expressões amoleceram completamente quando me viram. Olie veio somente para o meu casamento, ele e sua namorada Pilar.
Oliver enfiou as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria, abrindo um sorriso torto enquanto os olhos mel brilhavam de emoção.

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