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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 335

Capítulo 335 — A Luz e o Milagre

Taylor Laurent

No primeiro momento, a gente não quer morrer. Acredito que ninguém, em sã consciência, nunca quer realmente morrer. Mas quando você é arremessada naquele escuro absoluto, naquela ausência completa de som, de dor e de sentido, a mente entra em colapso. Você não entende o que está acontecendo. Fica presa em um limbo frio. E nesse vazio esmagador, a gente só consegue formular dois pensamentos primitivos: ou eu encontro a luz de volta logo, ou que essa escuridão me engula de uma vez para acabar com a confusão. A exaustão da alma implora por uma resolução.

E então, o choque vem. A dor volta. O peso do próprio corpo te esmaga contra a cama.

Quando abri os olhos, a claridade branca e artificial do teto do hospital quase me cegou. O som contínuo de um monitor cardíaco bipava ao fundo, ritmado e teimoso, provando que eu ainda estava ali. Tentei engolir em seco, mas a minha garganta parecia forrada com lixa. O peso do momento caiu sobre mim como uma bigorna.

A primeira necessidade que b**e no peito não é a curiosidade. É uma urgência visceral, desesperada, de querer saber o que aconteceu para ancorar a própria mente. Para ter a certeza absoluta de que aquilo foi real e não um pesadelo prolongado.

Girei o rosto lentamente, sentindo o pescoço duro. A primeira coisa que a minha visão turva focou foi o rosto exausto, com olheiras profundas, do Elijah.

Ele estava sentado em um banquinho ao lado da minha cama, segurando a prancheta de metal, me observando como se eu fosse um fantasma que tivesse acabado de ganhar cor. É sempre o médico quem nos ancora na realidade. Ele é a ponte entre o abismo e o mundo dos vivos.

— Oi, garota... — Elijah murmurou, a voz rouca e baixa, inclinando-se para frente. Ele tocou a minha mão com cuidado.

— O que... — Minha voz não passou de um sussurro arranhado. Tussi fraco. — O que aconteceu, Eli?

Elijah suspirou pesado. Ele não desviou o olhar. Ele não me tratou como uma criança de vidro, ele me deu a realidade que eu precisava ouvir para me situar.

— Você teve um quadro severo de pré-eclâmpsia, Tay. A sua pressão arterial subiu para níveis críticos durante o trabalho de parto. O seu corpo não aguentou. Nós tivemos que fazer uma cesariana de emergência, mas, logo depois que a Arianna nasceu... você teve uma parada cardiorrespiratória.

Fechei os olhos por um segundo, as lágrimas quentes escorrendo pelas minhas têmporas.

— O seu coração parou, Taylor. — A voz dele embargou levemente. — Nós fizemos compressões. Eu apliquei choque. Você foi embora até onde a escuridão permitia. Mas nós fomos buscar. Você voltou pra gente.

Eu voltei. Eu estava viva.

Assim que as palavras do Elijah afundaram na minha mente, a porta do quarto se abriu. E a minha âncora emocional, a verdadeira razão pela qual eu lutei para voltar daquela escuridão, entrou no quarto.

Dom parecia ter envelhecido dez anos. O smoking do casamento estava amassado, sem gravata, e a camisa branca estava suja com respingos que eu deduzi ser o meu sangue de quando a bolsa estourou. O rosto dele estava vermelho, inchado, destruído pelo choro.

Quando os olhos azuis dele encontraram os meus abertos, as pernas do meu grandão falharam. Ele praticamente correu e caiu de joelhos ao lado da minha cama, enfiando o rosto no meu pescoço, chorando com uma força e um desespero que fizeram a minha alma doer.

A maloqueira intocável, a mulher que aprendeu nas ruas que chorar era sinal de fraqueza, simplesmente deixou as barreiras caírem. Eu entrelacei os meus dedos trêmulos nos cabelos loiros dele e chorei. Chorei com toda a força dos meus pulmões, sentindo e dizendo em voz alta tudo o que estava me sufocando.

— Eu tive tanto medo, grandão... — Solucei, agarrada ao corpo dele. — Eu tive tanto medo do escuro. Eu não queria te deixar. Eu não queria deixar nossa filha. Eu não queria...

— Eu tô aqui, amor. Eu tô aqui, minha vida. Acabou... — Dom murmurava histericamente contra a minha pele, beijando o meu pescoço, o meu rosto, as minhas mãos. — Eu achei que tinha te perdido, Tay. Pelo amor de Deus, nunca mais faz isso comigo. O meu mundo inteiro parou, eu não consigo respirar sem você.

Aquele medo, cru e recíproco, preenchia cada molécula de oxigênio do quarto. Nós nos completávamos até nas nossas maiores fragilidades. A dor dele era a minha.

Levantei os olhos em meio às lágrimas e vi que não estávamos sozinhos. Esther e Mia estavam paradas no pé da cama, as duas chorando silenciosamente, abraçadas uma à outra. E encostado na parede, com os braços cruzados e os olhos vermelhos e fixos em mim, estava o Declan. O estranho. O homem que me tirou das ruas e foi o meu primeiro amigo de verdade. O Declan apenas assentiu devagar com a cabeça para mim, um gesto mudo que dizia: "Você sobreviveu de novo, garota".

Dei um sorriso fraco para os três. A minha família.

Algum tempo depois, com o Dom sentado na beirada da minha cama, se recusando a soltar a minha mão por um segundo sequer, Mia se aproximou segurando o celular.

— Tay, tem gente querendo te ver. — Mia sorriu, virando a tela para mim.

Era uma chamada de vídeo. A tela estava dividida, mostrando que o esquadrão inteiro, ainda com as roupas da festa de casamento, havia se reunido no apartamento do Noah e da Ju. Jenny estava segurando o celular, com o rosto inchado de choro.

— Taylor sua teimosa, você quase nos matou de susto! — Sammy disse gritando do outro lado da tela.

— Tay nunca mais faça isso, nunca mais! — Ju disse com a voz embargada que entregava o desespero que tinha passado.

— Oi meu bem… — foi Jen quem disse emocionada.

— Eu nem vou falar muito, ainda tô me recuperando do susto. — Penny falou só passando pela tela.

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