Capítulo 331 – O Desafio
Esther Cross
A adrenalina ainda corria solta pelas minhas veias enquanto eu tirava a touca e desamarrava o pijama cirúrgico no vestiário dos médicos. O cansaço físico era pesado, mas a minha alma estava flutuando. A alegria de ter trazido o pequeno Eros ao mundo, e de poder participar de tabela do parto da Layla ao lado do meu irmão, era algo indescritível.
Encostei na pia, lavando as mãos e olhando para o meu reflexo no espelho. Um sorriso bobo brincou nos meus lábios. Minha mente viajou no tempo. Pensei nos meninos... no Atlas, no Declan, no Noah. Os caras que eu conheci no colegial, a marra que eles tinham quando fizemos faculdade juntos, o modo como o mundo parecia pequeno para a arrogância deles. E hoje... hoje eles eram homens feitos. Pais de família completamente rendidos e apavorados. E, no dia de hoje, a felicidade absurda e escancarada daqueles caras era a minha própria felicidade.
Eu estava tão perdida nesses pensamentos bons que dei um sobressalto quando senti duas mãos grandes, quentes e ásperas segurarem a minha cintura por trás.
O cheiro de perfume amadeirado e pólvora inundou meus sentidos antes mesmo que ele me virasse de frente. Juan Rivera colou nossos corpos e tomou a minha boca em um beijo profundo, lento e carregado de gratidão.
— Obrigado. — Ele sussurrou contra os meus lábios quando nos separamos apenas alguns centímetros. — Por ter feito tudo o que fez pela Sammy hoje. Por ter trazido o meu neto são e salvo.
Sorri, passando as mãos pelos ombros largos do terno escuro dele.
— Não precisa me agradecer, Juan. É o meu trabalho e é a nossa família. — Inclinei a cabeça, confusa. — Mas por que você já está aqui embaixo e não lá em cima paparicando o seu neto na incubadora?
Juan bufou, revirando os olhos escuros, e se afastou um passo, a expressão de pura indignação assumindo o rosto do meu mafioso.
— Aquele cabrón do José me expulsou do quarto! — Juan esbravejou, cruzando os braços e fechando a cara. — Ele disse que agora era o momento da Samantha e do Atlas. Ah, agora vê se pode uma coisa dessas! Eu acabei de adotar aquela garota no papel, acabei de ver o meu primeiro neto nascer, e nem posso curtir isso porque o moleque acha que manda no pedaço!
Eu não consegui segurar a risada. Envolvi os meus braços ao redor do pescoço dele, fiquei na ponta dos pés e beijei o queixo dele, sentindo a barba roçar nos meus lábios.
— Isso é normal, Juan. É o momento do casal. Eles precisam desse primeiro instante só os três. O Atlas quase desmaiou, lembra?
— Não interessa, não é justo comigo. — Ele resmungou, parecendo um leão contrariado a quem tiraram a presa.
Puxei o rosto dele para mais perto, roçando o meu nariz no dele, e abaixei o tom de voz para um sussurro provocante bem perto do ouvido dele.
— Sabe o que não é justo, Juan Rivera? O que não é justo é que você me prometeu que me faria ver estrelas hoje... e nós nem mesmo ficamos um minuto sozinhos ainda.
Senti o corpo do Juan travar no mesmo segundo. A indignação evaporou. O olhar dele desceu do meu osso da face direto para a minha boca, e os olhos escuros do Predador se acenderam com um fogo que fez as minhas pernas amolecerem. Um sorriso devasso, perigoso e absolutamente irresistível rasgou o rosto dele.
— Ah, cariño... agora você falou a minha língua.
Ele não esperou nem eu respirar. Juan me puxou pela cintura com uma força bruta e deliciosa, colando a minha boca na dele e me empurrando de costas contra os armários de metal do vestiário. O beijo foi voraz. As mãos dele desceram pelas minhas costas, apertando o meu corpo contra o dele, já explorando a curva do meu quadril e subindo por baixo da minha blusa para sentir a minha pele nua.
Um gemido escapou da minha garganta quando ele mordeu o meu lábio inferior, mas o bom senso da médica chefe bateu. Empurrei o peito dele de leve, me separando ofegante.
— Aqui não, né, Juan. Qualquer um pode entrar!
Ele sorriu de canto, os olhos brilhando de pura luxúria. Ele pegou firme na minha mão e começou a me puxar em direção à porta do vestiário.
— Juan!! — Chamei a atenção dele, fincando os pés no chão.
Ele parou, olhando para trás.
— O que foi?
Me soltei da mão dele e cruzei os braços, arqueando uma sobrancelha.
— Onde você está me levando?
— Para ver as estrelas. — Ele respondeu, com a maior naturalidade do mundo.
Comecei a rir, balançando a cabeça.
— Eu estava brincando, querido. Eu falei aquilo só para te distrair sobre você ter sido expulso do quarto da Sammy.
O rosto do Snake se fechou de novo, mas dessa vez com pura determinação predatória.
— Negativo. Você ativou a bomba, doutora, agora vai ter que aguentar a explosão. Eu faço questão.
— Juan, nós ainda estamos no hospital, eu preciso... — Tentei argumentar.
Mas argumentar com Juan Rivera era inútil. Ele deu três passos na minha direção, se abaixou, passou o braço grande pela parte de trás dos meus joelhos e me jogou por cima do ombro dele como se eu fosse um saco de plumas.
— Juan! Me coloca no chão agora! — Gritei, batendo nas costas largas dele enquanto começava a rir de nervoso.
— Não quero nem saber. — Ele rebateu, abrindo a porta do vestiário com a mão livre e saindo para o corredor do hospital me carregando no ombro.
Eu ria tanto do jeito absurdo do meu namorado que acabei desistindo de lutar. Eu nem mesmo me importei com a forma arregalada que as enfermeiras e os outros médicos olhavam para nós dois no corredor. Se tinha uma coisa com a qual eu já tinha me acostumado e me rendido completamente, era com esse jeito maluco e dominante do Snake.
Ele cruzou o hospital até a garagem VIP, destravou o carro e finalmente me colocou no chão, prendendo a minha cintura contra a porta do passageiro.
— Na sua casa ou na minha? — Ele perguntou, a voz grave e ofegante, o desejo já palpável entre nós.
Puxei o paletó dele, trazendo os lábios dele para um beijo rápido e afoito.
— Na minha. É mais perto.
Juan deu um sorriso ladino, destrancando a porta e abrindo para mim.
— Tão ansiosa, a minha mulher.
O trajeto até o meu apartamento foi o mais rápido da história de Nova York. Assim que a porta da minha casa se fechou atrás de nós e a tranca clicou, o negócio esquentou de forma irreversível.
Juan me prensou contra a madeira fria da porta. Ele não estava com pressa de terminar, ele estava com pressa de começar. As mãos dele foram hábeis, tirando o meu casaco, deslizando pela minha blusa. Ele não me tomou de forma bruta e rápida. Ele foi minucioso.
Ele me carregou até o quarto, as bocas nunca se separando. Quando caímos sobre os lençóis brancos da minha cama, ele me olhou. Juan me olhava como se eu fosse a joia mais preciosa, intocável e letal do universo dele. E, naquele momento, eu era.

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