Capítulo 327 — O Sim e as Estrelas
Athena Wilson
Eu já sabia que o José estava estranho. Desde a hora que ele abriu os olhos de manhã, ele parecia estar escondendo alguma coisa. Mas eu não tinha a menor noção da proporção do que estava acontecendo. Quando ele simplesmente sumiu no shopping, dizendo que ia para a praça de alimentação com o Declan e o Atlas, e nunca mais voltou, aquilo me irritou de um jeito absurdo. Desde que ele saiu daquele hospital, nós quase nunca nos separávamos. E quando acontecia, era coisa rápida. Não um sumiço de horas sem atender a merda do celular.
Mas, mesmo contrariada, bufando e reclamando com a Sammy, eu acabei cedendo ao jogo deles. Um jogo que só Deus sabia no que ia dar.
E no caminho... as cartas. Cada envelope negro que eu recebia, cada pessoa daquela família maluca e letal que me escoltava, ia quebrando a minha armadura pedaço por pedaço. Ler o que eu significava para o Atlas, para o Declan, para os irmãos Cross, para o Juan e para todos os outros, era como receber abraços em forma de palavras. Cada mensagem tão profunda, com tanto significado, estava apertando o meu peito de um jeito que eu mal conseguia respirar. Mas no bom sentido. No melhor sentido do mundo.
Quando o Noah fechou aquela pesada porta de ferro atrás de mim, me deixando sozinha no terraço, o ar frio da noite de Manhattan bateu no meu rosto, mas eu não senti frio.
Eu o vi.
Quando eu encontrei o José no final daquele caminho de velas, o meu mundo parou. Ele estava absurdamente lindo. O terno preto de alfaiataria caía perfeitamente nos ombros largos dele, o cabelo escuro estava milimetricamente alinhado, mas o que me prendeu no lugar foram os olhos dele. Aqueles olhos escuros, profundos, me encaravam com uma mistura de pânico absoluto e uma devoção que eu nunca achei que alguém pudesse sentir por mim.
Ele deu o sorriso frouxo que era só meu. Eu soltei um soluço, cobrindo a boca com a mão, as lágrimas quentes transbordando e borrando a maquiagem que as meninas tinham feito com tanto cuidado.
Caminhei devagar pelo corredor de luzes e pétalas, minhas pernas tremendo a cada passo. Parei na frente dele, meu coração batendo tão forte que parecia querer rasgar minhas costelas para pular para o peito dele.
José engoliu em seco. Ele esticou as mãos trêmulas, segurando o meu rosto com uma delicadeza que contrastava com o tamanho dele, e secou uma lágrima minha com o polegar.
– Eu passei o dia inteiro ensaiando um discurso perfeito na minha cabeça. – A voz dele saiu rouca, carregada de emoção. – Um discurso sobre como um moleque quebrado do Brooklyn não tinha o direito de esbarrar em um anjo como você. Sobre como eu vim do nada e você me deu o mundo. Mas agora... olhando pra você, eu esqueci cada palavra.
Sorri em meio às lágrimas, segurando os pulsos dele.
José respirou fundo, os olhos brilhando. Ele deu um passo para trás e, lentamente, se ajoelhou na minha frente. Meu coração errou todas as batidas possíveis. Ele abriu a pequena caixa de veludo azul, revelando o diamante de platina que brilhava sob as luzes das velas.
– Eu só sei de uma coisa, Athena. – Ele olhou para cima, conectando a alma dele na minha. – Eu só respiro de verdade quando estou do seu lado. Você é a minha paz, a minha cura e o único futuro que eu quero ter. Casa comigo, princesa? Deixa eu te fazer a mulher mais feliz do mundo, todos os dias da minha vida?
O choro rasgou a minha garganta. Eu não era a garotinha doente do Atlas ali, eu não era a protegida daqueles caras que me viram crescer. Eu era a mulher dele.
– Sim! – Falei, rindo e chorando ao mesmo tempo. Eu me joguei de joelhos no chão, de frente para ele, sem me importar com o vestido caro. Segurei o rosto dele com as duas mãos. – Sim, mil vezes sim! Eu te amo porque você nunca me olhou como se eu fosse quebrar. Você me enxergou, José. Você me fez sentir viva. É claro que eu aceito!
José soltou uma risada engasgada, um som de puro alívio. Ele tirou o anel da caixa com as mãos tremendo e deslizou pelo meu dedo anelar. Serviu perfeitamente.
No segundo seguinte, ele envolveu a minha cintura e tomou a minha boca. Foi um beijo desesperado, salgado pelas nossas lágrimas, cheio de promessas e amor. Nós nos beijamos ali mesmo, ajoelhados no chão do terraço, sob o céu do Brooklyn.
Quando a falta de ar nos separou, ele colou as nossas testas, rindo nervoso. Ele me ajudou a levantar e olhou ao redor, passando a mão no cabelo.
– Eu sei que é muita coisa. – Ele confessou, ainda ofegante, apontando para a decoração absurda. – Essa loucura toda foi ideia do seu irmão. O Atlas montou essa operação de guerra inteira. No começo, eu achei um exagero do caralho, fiquei morrendo de medo de dar errado.
Dei uma risada suave, acariciando o rosto dele.
– E por que você aceitou fazer?
José suspirou, entrelaçando os dedos nos meus.
– Porque eu entendi o que o Atlas queria mostrar. O engomadinho queria que você soubesse que, mesmo aceitando ser minha pra sempre, você não está deixando eles para trás. Você ainda terá cada um deles, Athena. Todos nós estamos com você.
Meu peito se encheu de uma gratidão tão grande que quase transbordou. Olhei para a mesa impecável no canto do terraço, com bandejas prateadas, taças de cristal e champanhe no gelo. Um jantar perfeito e romântico sob as estrelas.

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