Capítulo 320 — Amor da Minha Vida
Juliet Pierce
O branco do teto foi a primeira coisa que meus olhos focaram quando a consciência começou a voltar. Pisquei algumas vezes, a mente pesada e confusa pelo cansaço extremo e pelos medicamentos. Onde eu estava? Por um milésimo de segundo, não entendi o bipe rítmico ao meu lado. Então, as memórias me atingiram com a força de um trem descarrilado. O pavor do ataque ao prédio, a descoberta do Noah ferido, a bolsa rompendo, a dor alucinante, e o choro dos meus filhos nascendo no meio do caos.
Eu estava no meu quarto, na ala da maternidade.
Tentei me mexer, soltando um pequeno gemido, e imediatamente uma movimentação agitada começou ao redor da cama.
— Ju! Ela acordou! — A voz doce da Penny soou perto de mim.
Virei o rosto devagar. Penny, Jen, Sammy e Tay. As quatro irmãs que a vida me deu estavam ali, com os rostos cansados, mas transbordando amor e alívio. Elas correram para perto de mim, acariciando meus cabelos e segurando minhas mãos.
— Eles são lindos, Ju. Tão lindos e perfeitinhos... — Sammy disse, os olhos brilhando de emoção.
— Mas a gente precisa te pedir desculpas. — Jen completou, dando um sorriso culpado. — Você sofreu pra caramba, mas acabou de parir duas versões exatas do Noah.
Taylor cruzou os braços, bufando de indignação.
— É injusto pra cacete! — A nossa maloqueira reclamou, balançando a cabeça. — A mulher sente a dor, sofre o inferno pra parir, a barriga estica igual um balão e no final os bebês nascem a cara todinha do pai!
Todas nós rimos fraco no quarto, o comentário típico da Taylor aliviando um pouco da tensão acumulada. Mas, mesmo cercada por todo aquele amor e carinho, o meu coração batia descompassado por um único motivo. Meu sorriso vacilou. Tudo o que eu mais queria, precisava e ansiava saber era do Noah.
Jen, sempre sensível, percebeu a sombra de desespero cruzar os meus olhos. Ela apertou minha mão com mais força e carinho.
— Fica calma, Ju. Os irmãos Cross são os melhores médicos de Nova York. Ele esteve em boas mãos. — Ela falou, a voz firme e tranquilizadora. — O Noah está no pós-cirúrgico agora. Ele está vivo e bem.
Fechei os olhos e as lágrimas desceram quentes pelo meu rosto. Chorei de um alívio tão profundo que quase doeu fisicamente. Vivo. Meu amor estava vivo.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa, a porta do quarto se abriu num estrondo. Um mini tufão loiro passou por ela correndo. Laurinha entrou com toda a energia que cabia naquele corpinho, os olhinhos brilhando.
— Mamãe! — Ela gritou, correndo para a beirada da cama. Logo atrás dela, vinham Heitor, Norton e o Chris.
Laurinha mal parou para respirar e já começou a contar, gesticulando com as mãozinhas:
— Mamãe, o tio Gayer tirou todos os homens maus do prédio! E o tio Chris buscou eu, o Heitor e o tio Ton pra vir conhecer o Logan e o Luke! Eles são muito pequenininhos, mamãe!
O meu coração se encheu de um amor infinito ao ouvi-la falar os nomes dos irmãos. Logan e Luke. Meus meninos.
Mas a euforia da Laurinha durou pouco. Ela olhou ao redor do quarto, procurando por cima das pernas do Chris e das meninas. A cabecinha loira tombou para o lado.
— Cadê o meu papai?
Meu coração apertou de uma forma dolorosa. Não só pela lembrança do estado em que o Noah deve ter chegado aqui, mas por não saber o que falar para a minha filha sem assustá-la. Heitor e Norton pararam ao lado dela, me olhando com a mesma expectativa silenciosa.
Norton, o doce gigante que agora me chamava de "mãe" por conta das crianças, segurou a borda do lençol, com o cenho franzido de confusão.
— Mamãe... cadê o irmãozão do Ton?
Engoli em seco, um bolo se formando na minha garganta. Olhei para as meninas em busca de socorro, mas Penny, Jen, Tay e Sammy ficaram sem reação, tão perdidas quanto eu sobre como dar a notícia para eles.
E foi a voz do Elijah que chamou a atenção de todos e nos salvou do silêncio ensurdecedor.
— Ei, criançada! Como estão? — Elijah disse, entrando no quarto com o jaleco branco impecável e aquele sorriso acolhedor de sempre.

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