Capítulo 318 — O Milagre e o Medo
Juliet Pierce
A dor que rasgava o pé da minha barriga era ofuscada por uma dor ainda maior no meu peito. Noah. O meu Noah esteve nos escombros daquela mansão maldita. A minha mente era um turbilhão de imagens terríveis, misturadas com o pânico absoluto de sentir a água quente da bolsa escorrendo pelas minhas pernas.
Sete meses. Os meus bebês tinham apenas sete meses. Era muito cedo. O estresse, o terror do ataque ao prédio e a notícia sobre o meu namorado tinham forçado o meu corpo ao limite. Meus filhos estavam sendo arrancados para o mundo antes da hora, no meio de uma guerra.
As portas da emergência do hospital se abriram. Eu não estava andando; minhas pernas haviam falhado completamente. Chris corria pelos corredores me carregando nos braços com uma firmeza protetora, o peito dele subindo e descendo acelerado. Penny, Dom, Tay e Jen corriam ao nosso lado, formando um escudo humano ao meu redor.
Assim que cruzamos o saguão principal, vi Declan, Atlas e Sammy correndo em nossa direção. Os rostos dos meninos estavam cobertos de poeira cinza e fuligem, o que só fez o meu desespero aumentar.
Uma enfermeira com a prancheta na mão nos interceptou rapidamente.
— A paciente Juliet Pierce? O Doutor Cross já aguarda vocês na ala da maternidade. Por aqui, rápido!
Mas eu não conseguia focar na enfermeira. Agarrada ao pescoço do Chris, estiquei a mão, tentando alcançar o Declan.
— O Noah... — Minha voz saiu num soluço rasgado, as lágrimas embaçando minha visão. — Onde ele está? Eu quero saber do meu namorado!
Declan engoliu em seco, os olhos azuis cheios de lágrimas não derramadas.
— Ele está em cirurgia, Ju. A Esther e a equipe estão com ele. Ele é forte, vai sair dessa.
A confirmação de que ele estava ferido a ponto de precisar de cirurgia foi o golpe final. Eu gritei. Um grito que misturava a dor dilacerante de uma contração fortíssima com o desespero de uma mulher que estava prestes a perder o amor da sua vida.
Chris me apertou mais contra o peito, o rosto dele tenso de preocupação. Ele beijou o topo da minha testa, caminhando rápido atrás da enfermeira.
— Vai ficar tudo bem, Ju. Respira. Eu tô com você.
— Eu não quero passar por isso sozinha, Chris... — Chorei copiosamente, afundando o rosto na camisa dele. — Eu queria o Noah comigo. Era pra ele estar aqui!
Chris parou por um segundo enquanto os enfermeiros encostavam a maca. Ele me deitou com cuidado sobre os lençóis brancos e segurou o meu rosto com as duas mãos grandes.
— Você não está sozinha. Eu não vou sair do seu lado até esses moleques nascerem. Pode acreditar, querida.
Eu me emocionei, soluçando ao sentir a força do apoio do meu amigo. Logo em seguida, outra contração brutal me atingiu e eu gritei novamente, apertando os olhos.
Fui empurrada pelos corredores até a sala de parto. Chris cumpriu a promessa, entrando comigo, segurando a minha mão com firmeza enquanto a equipe me preparava.
A porta se abriu e Elijah entrou, já vestido com o pijama cirúrgico. A postura dele irradiava o controle e a calma que eu precisava.
— Elijah... — Falei, a voz ofegante. — Eu tô com medo. São gêmeos, só têm sete meses. Eles não estão prontos!

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