Capítulo 316 — Porque Eu Já Sou
Esther Cross
O peso do corpo de Juan cedeu completamente contra mim.
— Juan! — Gritei, sentindo o desespero rasgar minha garganta enquanto as mãos grandes dele perdiam a força e ele desabava no chão frio do quarto.
Aquele homem imponente, a lenda intocável que ria na cara da morte, estava caído, sangrando por minha causa. Por nos proteger.
Mia já estava na porta, empurrando a maca de emergência para dentro do quarto com uma agilidade impressionante.
— Preciso de ajuda para levantá-lo! — Ela gritou para o corredor, chamando a equipe.
José, ignorando todos os acessos e a própria dor, se jogou para frente, tentando alcançar Juan.
— Eu ajudo! Eu pego ele! — O garoto exclamou, o rosto pálido contorcido em agonia.
— NÃO! — Athena e eu gritamos em uníssono.
A garota o segurou pelos ombros, puxando-o para trás com força, enquanto eu entrava na frente dele.
— Você vai estourar os seus pontos, José! Fique onde está! — Ordenei, com a voz embargada, mas carregada com a autoridade que a situação exigia.
Antes que a confusão aumentasse, Marco entrou no quarto como um trator. O segurança não perdeu tempo com palavras. Com uma expressão de pura fúria e lealdade, ele se abaixou, passou os braços ao redor do corpo pesado do chefe e o ergueu sozinho, depositando-o com firmeza sobre a maca.
— Sala de trauma um! Vamos! — Gritei.
Corremos pelos corredores do hospital, as rodas da maca batendo contra o piso em um ritmo frenético. Minhas mãos estavam sujas com o sangue dele, quente e pegajoso. Minha mente de médica lutava desesperadamente para assumir o controle sobre o meu coração, que estava a beira de um colapso.
Entramos na sala cirúrgica. As portas bateram atrás de nós, isolando o caos lá fora.
Enquanto a equipe preparava os acessos e conectava os monitores, fui para a pia me escovar. Olhei para as minhas mãos sob a água corrente. Elas tremiam. Tremiam de uma forma que nunca haviam tremido em toda a minha carreira. Fechei os olhos, puxando o ar com força para os pulmões. Você é uma Cross. Você não perde pacientes. E muito menos perde o homem pelo qual você está perdidamente apaixonada. Entrei em campo. O tiro tinha encontrado uma falha lateral no colete. Não havia atingido o coração ou os pulmões, graças a Deus, mas havia rasgado vasos importantes. A hemorragia era severa.
— Pinça. — Pedi, a voz finalmente estabilizada. — Aspiração aqui, rápido.
Comecei a trabalhar no sangramento, o som do monitor cardíaco preenchendo o ambiente com bipes rápidos e irregulares. O foco era total, até que as portas da sala de cirurgia se abriram de forma abrupta.
Elijah entrou, já vestido com o pijama cirúrgico. Ele olhou para o monitor, depois para mim, os olhos de irmão mais velho assumindo a postura protetora.
— Esther, afaste-se da mesa. Sai da sala, eu assumo daqui. Você está tremendo e envolvida demais.
Não desviei os olhos da cavidade que estava operando.
— Eu não vou a lugar nenhum, Elijah. Eu estou no controle. — Respondi, seca e precisa, pinçando a artéria rompida. — Fio de sutura, Mia.
Elijah fez menção de protestar, pronto para me arrancar dali à força por causa do protocolo, mas a porta foi aberta novamente. Um dos enfermeiros da triagem colocou a cabeça para dentro, o rosto branco como papel.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar