Capítulo 315 – Quando o Demônio Acorda
Juan Rivera (Snake)
A raiva queimava nas minhas veias como ácido. Como eu não previ isso? Como o Predador se deixou ser caçado dessa forma? Eu passei a vida inteira farejando emboscadas a quilômetros de distância, mas o desespero de ver o meu garoto naquela cama de UTI me deixou cego. Noel Blake se aproveitou da única fraqueza que eu tinha: José e sua família.
Os pneus do SUV cantaram quando Marco freou bruscamente na entrada de emergência do hospital. Sombra e eu pulamos do carro antes mesmo dele desligar o motor. O lugar, que deveria ser um santuário de cura, havia se transformado na porra de uma zona de guerra. Vidros estilhaçados, alarmes soando, pessoas correndo em pânico.
Saquei minha arma. A mente fervendo, mas as mãos frias. Eu não era um novato assustado; eu era o diabo quando precisava ser.
Entramos pelo saguão. Dois mercenários tentaram nos barrar perto da recepção. Não diminuí o passo. Levantei a arma, calmo, metódico. Dois tiros secos. Certeiros. Os corpos caíram antes mesmo de entenderem de onde a morte veio.
Avançamos pelos corredores em direção aos elevadores. No meio do caminho, um dos cretinos saiu de uma sala lateral e me atacou por trás, derrubando minha arma. O erro da vida dele. O demônio acordou. Girei o corpo, agarrando o pescoço do desgraçado, e o joguei contra a parede. Soquei o rosto dele uma, duas, cinco vezes, sentindo os ossos estalarem sob os meus nós dos dedos, até o rosto dele virar uma massa desfigurada e ensanguentada. Peguei minha arma do chão e continuei.
Chegamos ao andar dos apartamentos. As portas do elevador se abriram e o caos era absoluto. Vi Santino, meu homem de confiança, lutando corpo a corpo com um mercenário enorme perto do posto de enfermagem.
– Ei, cabrón! – Chamei, a voz rasgando o ar.
O mercenário virou o rosto na minha direção. Não hesitei. Com um único disparo, coloquei uma bala no meio da testa dele.
Antes que eu pudesse perguntar a Santino como estava a situação, um grito agudo de desespero ecoou pelo corredor. Vinha do quarto do José. O grito da Athena.
O sangue gelou. Corri mais rápido do que achei ser possível.
Arrombei a porta do quarto com um chute. Um mercenário estava tentando arrastar Athena pelos cabelos. Na cama, José, mesmo fraco e cheio de fios, tentava se levantar desesperadamente para salvar a namorada, sendo amparado por Sammy, que chorava tentando segurá-lo.
Levantei a arma.
– Solta ela. – Rosnei. O homem fez menção de virar a arma para mim, mas eu não dei tempo. Atirei. O corpo do cretino caiu pesado no chão, soltando a garota.
Athena correu para os braços do José, aos prantos. Sammy suspirou aliviada, ajudando o irmão a se encostar nos travesseiros. Por um breve momento, a adrenalina baixou e nós abaixamos a guarda.
A porta se abriu num estrondo e Esther entrou correndo. Ela varreu o quarto com os olhos até me encontrar. O rosto dela estava pálido de pavor, mas quando me viu, ela correu e se jogou nos meus braços.
Ela me abraçou forte, as mãos trêmulas tateando meu corpo para verificar se eu estava inteiro. Ela olhou para as minhas mãos e para a minha camisa sujas do sangue do cara que eu espanquei no corredor.
– Cariño, eu estou bem. – Falei, tentando acalmá-la.
Esther suspirou, o alívio tomando conta, e me deu um beijo rápido e desesperado.
Antes que pudéssemos falar mais alguma coisa, Elijah entrou no quarto, esbaforido, o jaleco voando.
– Esther, precisamos preparar as salas! Declan e Atlas estão trazendo o Noah ferido de uma explosão! E Dom e Chris estão chegando com a Juliet... ela entrou em trabalho de parto!
O quarto virou um pandemônio. A notícia caiu como uma bomba.
Olhei para Marco e Sombra, que aguardavam na porta.
– Varram este hospital inteiro. Quero ter certeza de que cada andar está limpo. Matem qualquer um que não for da nossa equipe.
Eles assentiram e sumiram no corredor.
Esther segurou minha mão machucada, os olhos profissionais assumindo o controle por um segundo.
– Juan, vem comigo. Até o Noah chegar, eu vou limpar e suturar esses cortes na sua mão.
Dei uma risada fraca, achando graça da preocupação dela no meio daquele inferno.
– Cariño, isso aqui não é nada. Você precisa ver como ficou o rosto do cara.
Esther sorriu fraco, balançando a cabeça.
– Você é impossível, Rivera.
A porta do quarto ainda estava aberta. Eu estava de costas para o corredor, focado no sorriso da mulher que seria minha. Eu abaixei a guarda. Por um maldito minuto, eu esqueci onde estava.

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