Capítulo 313 – O Som do Caos
Juliet Pierce
A alegria de saber que o José tinha finalmente aberto os olhos foi como respirar ar puro depois de dias afogada. Saber que o garoto que nos despertou “desprezo”, mas hoje só despertava amor e gratidão estava de volta trouxe uma leveza que o nosso grupo precisava desesperadamente. Mas, no fundo do meu peito, a apreensão ainda era uma âncora pesada. O plano do Noah e dos meninos contra o maldito do Noel estava em andamento. Meu amor, o pai dos meus filhos, estava caminhando direto para a toca do lobo, e tudo o que eu podia fazer era orar e esperar.
Para garantir a nossa segurança, eu e as meninas decidimos ficar todas juntas no meu apartamento. Era o nosso bunker. Taylor, sempre protetora e pensando em tudo, trouxe até mesmo a Dona Marina para ficar conosco. Estávamos seguras, cercadas pela equipe do Gayer.
O dia passou tranquilo, quase normal, se ignorássemos a guerra silenciosa lá fora.
Mas, no final da tarde, o clima mudou. O meu celular tocou e era a Sammy. A voz dela tremia levemente do outro lado da linha. Ela nos contou que o Atlas havia sumido do hospital. Não atendia o celular, as mensagens não chegavam, e ninguém da equipe médica ou dos seguranças do Snake o viu saindo. Ela estava apavorada.
– Calma, Sammy. – Penny pediu, colocando a mão no meu ombro enquanto ouvíamos no viva-voz. – Ele provavelmente deve ter ido ao encontro dos meninos para ajudar no plano. Você sabe como nossos homens são, eles são piores que os mosqueteiros.
– Concordo com a Penny, Sammy. – disse a Jen. – O Declan mesmo diz sempre “Não existe ele. Existe eles”, esses caras parecem o ar de cada um. Ninguém respira sem o outro por perto, chega ser exagero. E talvez o Noah tenha precisado de algo, e claro que como sempre nós somos as últimas a saberem. – Minha amiga concluiu, e sua lógica foi convincente.
Sammy suspirou, o som ecoando pelo alto-falante.
– O José quase arrancou os acessos do braço. Ele já estava querendo sair da cama e ir atrás do Atlas. Eu tive que segurar ele à força... mas acho que vocês têm razão. Ele deve estar com o Noah e os outros.
Nós a tranquilizamos mais um pouco e desligamos o celular. A história pareceu convencer todo mundo na sala. Era a explicação mais lógica.
Todo mundo, menos a nossa maloqueira de plantão.
Taylor Laurent estava encostada no balcão da cozinha, com os braços cruzados e a testa franzida. Ela não engoliu a desculpa. Sem dizer uma palavra, ela sacou o próprio celular do bolso e começou a digitar rápido.
– Vou ligar para o Dom. Se o engomadinho estiver com eles, o Dom vai me falar. – Tay murmurou, levando o aparelho ao ouvido. Ela esperou alguns segundos e bufou, olhando para a tela. – Sem sinal.
Peguei o meu celular imediatamente. Olhei para o canto superior da tela. Nenhum pontinho de rede.
– O meu também está sem sinal. – Falei, sentindo o primeiro calafrio subir pela espinha.
Penny e Jen checaram os delas. Nada. Na verdade, depois que desligamos a ligação com a Sammy, a rede de telefonia de todos os celulares do apartamento simplesmente morreu. Era como se tivessem cortado o nosso contato com o mundo exterior.
A postura da Taylor mudou na hora. A mulher grávida deu espaço para a guerreira das ruas. Ela caminhou a passos duros até o interfone fixo do apartamento, o único sistema que corria por fiação interna do prédio.
Ela apertou o botão da portaria de segurança.
– Gayer. Sobe aqui. Agora. – A voz dela não deixou espaço para perguntas.
Em menos de um minuto, o elevador privativo se abriu. Gayer entrou na sala, a postura rígida e o olhar profissional varrendo o ambiente.
– Tenta ligar para o Noah ou para qualquer um dos caras. – Taylor ordenou.
Gayer puxou o celular, olhou para a tela e franziu o cenho.

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