Capítulo 310 — O Ponto Cego
Atlas Wilson
A alegria de entrar naquele quarto e ver que José estava finalmente de olhos abertos foi indescritível. Depois dos dias no inferno daquele presídio, ver o garoto que salvou a minha vida acordado era o primeiro sinal de que as coisas poderiam dar certo.
Mas a paz durou exatamente o tempo de uma respiração.
Assim que entrei no quarto, meu celular vibrou no bolso. Puxei o aparelho e a tela acendeu com uma mensagem de um número desconhecido. Era uma foto. Uma foto minha, tirada de algum ângulo superior, ali mesmo no corredor do hospital. Digitei rápido: "Quem é?" Nenhuma resposta.
No calor do momento, com a emoção da Sammy ao ver o irmão e a tensão palpável do Snake se despedindo para ir caçar o Noel, eu não consegui raciocinar direito. Achei que fosse apenas o cretino do "Drácula" tentando me intimidar, tentando me deixar paranoico. Mandei uma mensagem rápida para o Noah avisando sobre a foto. Vi o recibo de leitura, mas ele não respondeu. Ele devia estar no meio do furacão, preparando o cerco.
Eu sabia do plano. O combinado era que eu ficaria de fora da ação principal. Os homens do Snake ficariam na segurança do andar, e eu seria o "Plano B" caso algo desse errado. Minha prioridade era minha mulher, irmã e o José.
Foi quando uma enfermeira que eu não conhecia entrou no quarto. Ela segurava uma prancheta e, com uma voz profissional, disse que eu precisava assinar uns documentos urgentes na administração sobre a estadia do José. Não vi nada de errado naquilo. Eu realmente havia me colocado como responsável financeiro da internação, por mais que o Snake já tivesse resolvido a parte dele com os "métodos" nada convencionais ameaçando o diretor do hospital.
Dei um beijo na testa da Sammy.
— Fica aqui com ele, amor. Eu já venho.
Virei para a porta, mas a voz fraca e arranhada do José me parou.
— Ei, cunhadinho... — Ele tossiu, me olhando com aquela intensidade desconfiada de sempre. — Santino vai com você.
Eu ri. Mesmo sem saber da foto, mesmo dopado e fraco, o safado do Hermanito parecia sentir o cheiro do perigo de longe.
— Tá tranquilo, José. É só papelada. — Respondi, tentando tranquilizá-lo.
Ele fechou a cara, não curtindo nem um pouco a ideia.
— Deixa de ser teimoso, Atlas.
— Se alguém aparecer, o Santino será muito mais útil aqui na porta de vocês do que me acompanhando até a recepção. — Argumentei, já saindo.
Eu segui a moça pelo corredor. Mas não fomos para a administração. Ela virou em uma área de serviço e abriu a porta de uma sala vazia. Tudo aconteceu rápido demais para o meu cérebro processar. Quando entrei e fui questioná-la sobre o lugar, senti a picada aguda da agulha no meu pescoço. Tentei lutar, tentei gritar, mas o mundo virou um borrão escuro em segundos.
Quando acordei, a dor latejava em cada osso do meu corpo. Eu estava machucado, vestido com uma túnica sufocante, um capuz cobrindo meu rosto e... eu ouvia a voz que mais me enojava no mundo. A voz de Noel Blake. Fui arrastado para o meio de um salão. Quando o capuz finalmente foi arrancado, a luz cegou meus olhos, mas consegui ver onde eu estava. A velha Mansão dos Blake. Vi a mira a laser apontada para o cretino que me segurava. Tentei falar, mas o pânico me engasgou quando vi o colete explosivo atado ao meu próprio peito.
Os caras tentaram negociar. Snake queria atirar, Dom tentou usar a razão. De nada adiantou. Noel tinha todos nós na palma da mão, usando a minha vida e a das nossas mulheres como moeda de troca.
E então, Noah fez o impensável. Ele ofereceu a própria vida em troca da minha.

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