Capítulo 31 – Antes do trabalho
Noah Blake
Não queria ter ido embora sem falar com a Juliet, mas meu tio estava com problemas, mais uma vez, e tive que sair às pressas. Atlas havia me dito que no domingo o clube ficaria fechado para as inspeções, já que não a veria à noite, pensei em ir até sua casa. Só que aí outro problema surgiu.
Marcela…
A filha adotiva do meu tio, e também minha primeira "sub".
Meu tio me pediu para deixá-la ficar em minha casa, mas eu recusei, arrumei um hotel e a hospedei. Só que sua teimosia não tem limites, e ela apareceu na empresa no mesmo instante em que Declan me avisou que a Ju estava aqui, tinha me esquecido completamente do convite que ele fez a ela no sábado.
— Marcela, preciso que vá embora. Agora!
— Noah, não nos vemos há meses… — Ela colocou a mão em meu peito e começou a acariciá-lo. — Sei que está sozinho, seu último contrato foi há meses…
Ela dizia de forma sedutora, como se fosse conseguir algo de mim. Não podia mentir que Marcela tinha sido uma excelente "sub", que nos entendíamos muito bem. Mas isso foi há muito tempo, além do mais, agora eu tenho a Ju.
— Isso não vai rolar. Agora eu tenho… — Antes que pudesse terminar, ouvi um barulho, e quando olhei, era Juliet, e ela estava linda como sempre.
— Bom dia. — Ela nos disse, em um tom seco. E sem falar mais nada, seguiu para a entrada que dava acesso ao corredor. Tirei a mão da Marcela de mim.
— Ju, estava indo até você. — Falei.
— Percebi. — Respondeu com ironia. E continuou seu caminho.
Me afastei de Marcela.
— Noah, aonde vai?
— Marcela, vou atrás da minha namorada e quando voltar não quero te ver aqui!
— Sua o quê? — Ela me perguntou confusa.
— Fora! Você me ouviu, não faz eu te proibir de colocar os pés aqui.
Corri atrás da Ju, assim que ela passou pela porta do banheiro, entrei atrás dela e fechei a porta com a chave e a puxei para mim.
— Noah, o que pensa que está fazendo? — Perguntou, e a irritação era evidente em sua voz.
— Dando bom dia à minha namorada. — Respondi.
— Como é? — Ela perguntou, mas não respondi. A peguei pela cintura e a sentei na pia, com uma mão firme em sua cintura e a outra segurando sua nuca.
A beijei forte, possessivo, intenso. A boca dela era um vício, que eu me negava a abandonar. Ela me recebeu com a mesma sede, a boca entreaberta, a língua buscando a minha, os dedos se enroscando no meu cabelo.
Era um beijo de raiva da parte dela, e da minha, de saudade, de desejo contido.
— Senti sua falta, Ju. — Murmurei entre os lábios dela, arfando.
Ela não me respondeu, só gemeu, apertando minhas costas com força.
Minhas mãos desceram por suas coxas, abrindo espaço entre elas enquanto eu me encaixava no meio. Beijei seu pescoço, sua clavícula, mordi de leve o queixo…
— Um dia longe de você me pareceu uma tortura. — Sussurrei contra sua pele.
Mas no meio do beijo, ela me empurrou com as duas mãos no peito.
— Para, Noah. — Ela me disse com a voz firme. Me afastei o suficiente para encará-la.
— Qual o problema?
— É sério isso, Noah? — Perguntou, irritada.
— Se estou perguntando, Juliet. — Eu disse, e acabei sendo ríspido.
— Você foi embora do clube sem nem ao menos se despedir, Noah. Me deixou esperando por uma mensagem, uma ligação, o domingo inteiro, e nada. E hoje… eu te vejo todo íntimo com aquela mulher, que estava te tocando como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Recuei dois passos, não por escolha, mas por instinto. Estou acostumado a comandar, e não a ser questionado. Minha mandíbula travou, fechei as mãos ao lado do corpo e dei mais um passo atrás.
— Juliet, eu…
— Não, Noah. Eu sou sua namorada agora, lembra? Isso aqui não é um contrato. Isso é um relacionamento. E a base disso é confiança, é comunicação. — Seus olhos brilhavam, mas não de desejo e sim de mágoa.
Respirei fundo, minhas emoções ferviam sob a pele, e a maioria delas eu nem mesmo sabia nomear. Mas ela estava certa.
— Pedi para ter paciência comigo, isso aqui é novo para mim. — eu disse.

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