Capítulo 30 – Eu deixei
Juliet Pierce
Acordei e parecia ter sido atropelada por um caminhão. Minha noite foi péssima, praticamente não preguei o olho pensando no Noah, e em como eu deveria agir quando o visse. Esse homem estava mexendo demais com a minha cabeça.
Levantei, tomei um banho e arrumei as crianças e, como sempre, Celeste, que era um verdadeiro anjo na minha vida, se ofereceu para me ajudar com eles. Samy não apareceu nem mesmo para o nosso café da manhã habitual, e isso me incomodou, tudo que eu menos queria era que ela se afastasse de mim. Mas teria que deixar isso para depois, era uma longa viagem até a empresa do Noah e não podia me atrasar.
No caminho do metrô, ouvi passos atrás de mim, e logo em seguida braços na minha cintura junto de um beijo em minha têmpora.
— Bom dia, Linda. — Oliver disse.
— Bom dia, querido. — respondi e me aninhei em seus braços.
— Posso saber onde está indo com tanta pressa? — Ele perguntou.
— Irei prestar um serviço na empresa dos meus patrões do clube.
Ainda não estava na hora de contar a Oliver sobre mim e Noah, principalmente depois dele ter me ignorado daquela maneira.
— Ah, isso é ótimo, linda. Quem sabe não role um emprego dessa vez.
— Deus te ouça, eu realmente estou precisando. O aniversário do Heitor é em duas semanas e prometi festa e presentes.
— Ju, eu te disse naquele dia. Te ajudo com isso, para mim e para o Chris também, é um prazer dar isso ao pequeno.
Segurei suas mãos com carinho e sorri para ele. Oliver era um grande amigo.
— Sei disso, querido, e agradeço. Mas farei as coisas dentro das minhas condições, as crianças precisam aprender a viver com aquilo que eu posso oferecer, não posso jogar essa responsabilidade para ninguém.
— Linda, é um presente. Você não está jogando a responsabilidade para nós.
— Ok, vou pensar. — Oliver deu um beijo em minha testa e me acompanhou até a estação. A viagem passou rápido, e logo estava eu em frente da mesma empresa que, há poucos dias atrás, tinha saído derrotada.
— JUUU!! — Jenny disse, vindo correndo em minha direção, depois da minha entrevista não deixamos de conversar um único dia. Ela era uma querida, Samy também a adorou, em uma de nossas noites com o “francês” a convidamos e ela teve a oportunidade de conhecer minha família.
— Oi, meu bem, como vai? — perguntei com um sorriso.
— Estou bem, fiquei tão feliz quando o senhor Reed me disse que viria trabalhar aqui hoje.
— Ele já chegou? — Perguntei.
— Sim, pediu que eu a mandasse para cima assim que chegasse. — Respondeu.
Queria ser forte, e resistir à vontade de saber, mas não consegui e acabei fazendo a pergunta de milhões.
— E o Noah? Já chegou?
— Noah? — Ela me perguntou, arqueando uma sobrancelha para mim.

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