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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 306

Capítulo 306 — A Despedida do Predador

Juan Rivera (Snake)

Setenta e duas horas podem mudar um homem.

Enquanto eu vigiava o sono do meu garoto, outra coisa acontecia bem debaixo do meu nariz. Esther Cross. Nesses dias de tensão absoluta, descobri que a mulher por trás do jaleco era feita de aço e fogo. Puro fuego. Ela e o irmão praticamente tomaram o hospital para si. O Diretor Salieri, com o rabo entre as pernas e medo de morrer, deu carta branca para os Cross. Eles mandavam, a equipe obedecia. E ver Esther no comando... Dios, era uma visão que mexia com partes de mim que eu achava que estavam mortas.

Ela era forte, determinada, teimosa como uma mula, e ainda não tinha se rendido totalmente ao meu charme. Ainda. José tinha sido transferido para um apartamento de luxo no último andar, uma suíte presidencial adaptada com equipamentos de UTI. Isso permitiu que Athena tivesse um sofá decente para dormir, embora ela raramente o usasse. Eu também tinha mais conforto, mas, sinceramente? Eu preferia mil vezes me espremer naquela beliche apertada do quarto de descanso dos médicos, só para sentir o calor da Esther ao meu lado por algumas horas roubadas.

Olhei para a cama. José ainda dormia, mas as medicações sedativas tinham sido suspensas ontem. Ele estava pálido, mais magro, mas vivo. A luta dele nesses três dias foi insana. Altos e baixos, febres que vinham e iam, o coração querendo falhar e a Esther trazendo ele de volta na marra. E ali, ao lado dele, sempre estava a niña Athena. Eu admirava aquela garota. Ela se recusou a sair. Se recusou a comer direito, a dormir, a viver, enquanto ele não acordasse. José tinha sorte. Muita sorte. Ele encontrou a melhor pessoa do mundo para estar na trincheira com ele.

— Ela vai acabar adoecendo se continuar assim. — Comentei, olhando para a porta por onde Atlas e Sammy tinham acabado de arrastar uma Athena relutante para a lanchonete.

Mia, que ajustava o soro, sorriu sem desviar os olhos da tarefa.

— O amor faz a gente fazer loucuras, Senhor Rivera.

Sorri de canto, cruzando os braços.

— Falando em loucuras... vi como você estava olhando para o meu futuro cunhado hoje cedo.

Mia corou violentamente, quase derrubando a prancheta. Eu estava me referindo ao Elijah, é claro. Se eu ia laçar a Esther, o Doutor Cross viraria família.

— Eu não sei do que o senhor está falando... — Ela gaguejou.

— Sabe sim. E ele também olha. Só precisa de um empurrãozinho...

Fui interrompido por um som baixo. Um gemido rouco vindo da cama. A brincadeira morreu na minha boca. Mia foi rápida. Ela largou a prancheta e correu para o lado do José, apertando o botão de chamada da equipe médica e checando os monitores.

— José? — Ela chamou suavemente. — Consegue me ouvir?

Aproximei-me da cama devagar, o coração batendo forte contra as costelas. Os cílios dele tremeram. Uma vez. Duas vezes. E então, aqueles olhos castanhos, idênticos aos da Rosa, se abriram. Estavam vidrados, confusos, mas eram ele.

Ele piscou, tentando focar no teto, depois girou a cabeça minimamente e me encontrou. Ele tentou falar, mas a garganta estava seca. Tossiu fraco e tentou de novo.

— Oi... viejito. — A voz saiu como lixa, arranhada e fraca.

Senti um nó gigante se formar na minha garganta. Segurei a mão dele, sentindo o aperto fraco dos dedos.

— Velhote é teu pai, moleque abusado. — Respondi, a voz embargada, tentando manter a postura.

José abriu um sorriso torto, cansado, mas genuíno.

— Então... — Ele respirou fundo, o peito subindo com dificuldade. — Chamei de velhote o cara certo.

O mundo parou por um segundo. Apertei a mão dele com mais força, sentindo as lágrimas queimarem meus olhos. Ele sabia. Ele sempre soube, mas dizer isso em voz alta, ali, depois de quase morrer... foi a confirmação de que eu tinha feito a escolha certa todos esses anos. Eu não o gerei. Mas ele era meu.

A porta se abriu e Esther entrou apressada, seguida por Elijah.

— Ele acordou? — Esther foi direto para os monitores, checando pupilas, auscultando o coração. — José, aperte minha mão. Ótimo. Sente dor?

— Muita... — Ele sussurrou. — Cadê... cadê a Athena?

— Ela está lá embaixo, comendo à força. — Expliquei, passando a mão no cabelo dele. — Aquela menina é teimosa igual a você. Não saiu daqui nem para tomar banho direito. Atlas teve que praticamente sequestrá-la para ela comer um sanduíche.

José assentiu minimamente, o olhar distante, preocupado.

— Quero ver ela.

Como se tivesse sido invocada, a porta se abriu novamente. Athena parou no batente. Ela segurava um copo de café que caiu da mão dela no mesmo instante, espalhando líquido pelo chão.

— José... — O nome saiu num soluço.

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