Capítulo 303 — O Peso da Promessa
Juan "Snake" Rivera
O som voltou. Bip... bip... bip... Aquele ritmo fraco e irregular era a única coisa que me impedia de sacar minha arma e atirar em todas as máquinas daquele quarto. Eu estava encostado na parede, os joelhos ainda fracos, as mãos tremendo de um jeito que eu detestava. Eu tinha visto homens morrerem na minha frente de todas as formas possíveis. Eu mesmo já tinha mandado muitos para o inferno. Mas ver a vida do mi niño se esvair naquela linha reta... aquilo quase me matou junto.
Esther se afastou da cama, o jaleco manchado de sangue fresco, o sangue do meu filho. Ela respirou fundo, passando as costas da mão na testa suada depois de cuidar dos curativos.
— Choque hipovolêmico tardio. — Ela explicou, a voz rouca, olhando para mim e para Athena. — O coração dele sofreu muito estresse pela perda de sangue anterior. Ele entrou em colapso, mas conseguimos reverter. Agora, mais do que nunca, ele precisa de silêncio absoluto e estabilidade.
A porta se abriu e Elijah entrou, seguido por Noah e Chris. Eles pararam na entrada, sentindo o cheiro de ozônio do desfibrilador e vendo o caos no quarto. Ninguém precisou dizer nada. A gravidade da situação estava estampada na cara de todos.
— Todos para fora. — Esther ordenou, assumindo o controle. — O quarto precisa ser esterilizado e ele precisa descansar.
Ela olhou para mim e para a Athena, que ainda soluçava baixinho ao lado da cama.
— Vocês dois... mais dois minutos. Só.
Agradeci com um aceno. Caminhei até a cama, toquei a mão fria do José. Ele parecia tão jovem, tão frágil. "Não ouse morrer", pensei, transmitindo a ordem mentalmente. "Nós temos um trato, moleque." Deixei Athena se despedir e saí do quarto, sentindo que deixava meu coração lá dentro.
No corredor, o ar parecia mais rarefeito. Chris e Noah me esperavam.
— Como ele está? — Chris perguntou, a voz baixa.
— Vivo. — Respondi, seco. — Por enquanto.
Passei a mão no rosto, sentindo a raiva subir pela garganta, queimando o medo.
— Eu vou matar o Noel. — Rosnei, olhando para o nada. — Eu quero mandar o plano para a merda, invadir aquela fortaleza hoje à noite e arrancar o coração dele com as minhas próprias mãos. Eu não aguento mais esperar, Noah.
Noah colocou a mão no meu ombro. O aperto dele era firme, solidário.
— Eu te entendo, Juan. De verdade. — Noah disse, olhando nos meus olhos. — Eu sinto a mesma vontade. Mas se formos agora, cegos de raiva... é exatamente o que ele quer. Ele quer que você cometa um erro.
Noah olhou para a porta da UTI.
— Mantenha o foco no José. Ele precisa de você inteiro aqui, não morto numa emboscada estúpida. O plano continua. Em três dias, Noel morre. Mas hoje... hoje você é pai.
Respirei fundo, engolindo o veneno da vingança para depois. Assenti. Eles ficaram mais alguns minutos, oferecendo apoio silencioso, e depois foram embora. A vida continuava lá fora, mas a minha estava paralisada naquele corredor.
Vi Elijah conversando com a enfermeira Mia no balcão de enfermagem. Caminhei até eles.
— Onde está a Esther? — Perguntei.
— Ela se recusou a ir para casa. — Elijah suspirou, cansado. — Mas eu a obriguei a descansar um pouco. Ela está no quarto de descanso dos médicos, no final do corredor.
— Eu preciso agradecer. — Falei. — Mia, me leve até lá.

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