Capítulo 302 — O Som do Silêncio
Athena Wilson
BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEP...
Aquele som contínuo não era apenas um barulho eletrônico. Era o som do meu mundo sendo implodido. Era o som do fim.
— JOSÉ!
Meu grito rasgou a garganta, cru e doloroso, misturando-se ao caos que explodiu no quarto. Snake avançou como um animal ferido. Ele tentou chegar à cama, tentou tocar no filho, como se a força bruta dele pudesse obrigar o coração do José a bater de novo.
— NÃO! — Snake rugiu, a voz embargada de terror. — Você não tem permissão! Volta aqui, seu moleque! Volta aqui!
Marco, o segurança gigante que estava na porta, entrou correndo. Ele agarrou Snake pelos ombros, usando todo o peso do corpo para segurar o chefe.
— Chefe! Não! — Marco gritava, lutando para conter a força do Snake. — Deixa elas trabalharem! Pelo amor de Deus, deixa a Doutora trabalhar!
— Me solta! É o meu filho! — Snake se debatia, os olhos fixos no corpo inerte do José, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto duro. — José! Acorda! Isso é uma ordem!
Esther não olhou para nós. Ela subiu na lateral da cama, ficando de joelhos sobre o colchão, e posicionou as mãos no centro do peito do José.
— Começando as compressões! — Ela gritou. — Um, dois, três, quatro… Giovanna, adrenalina! Um miligrama, agora! — ela gritou para uma das enfermeiras.
A moça, com as mãos trêmulas mas eficientes, injetou a medicação no acesso venoso.
— JOSÉ!! — gritei correndo até ele, mas Mia, que eu nem tinha notado que havia voltado para o quarto, me puxou para o canto da sala, me segurando firme pelos braços.
— Athena, olha pra mim! — Mia pediu, tentando me fazer desviar o olhar da cena brutal na cama. — Respira! Ele é forte!
Mas eu não conseguia olhar para ela. Meus olhos estavam colados no homem que eu amava. Esther empurrava o peito dele com força. O corpo do José sacudia a cada compressão. E então, o pesadelo piorou. Vi uma mancha vermelha começar a crescer nas bandagens limpas do peito dele. Os pontos... a massagem estava abrindo os pontos da cirurgia.
— Ele está sangrando! — Gritei, apontando, histérica. — Esther, ele está sangrando!
— Não para! — Esther ordenou para si mesma, ignorando o sangue, ignorando tudo. — Vamos, José! Não faz isso comigo! Vamos garoto!
O som do monitor continuava. Aquele apito agudo e infinito que perfurava meu cérebro.
— Carregando em 200 joules! — Esther gritou, pegando as pás do desfibrilador.
Ela parou as compressões. O peito do José ficou imóvel. Morto.
— AFASTEM!
Mia me apertou contra a parede. Marco puxou Snake para trás. Esther encostou as pás no peito dele. O corpo do José arqueou violentamente com o choque e caiu de volta no colchão, pesado e sem vida.
Todos olhamos para o monitor. Linha reta. Beeeeeeeeep...

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