Capítulo 301 — A Cor da Morte
Athena Wilson
O corredor da UTI estava mergulhado naquele silêncio artificial que só os hospitais conseguem produzir. Um silêncio que cheira a medo e antisséptico. Olhei para o relógio na parede. Atlas tinha ido embora há algumas horas. Eu não fiquei chateada, pelo contrário. Insisti para que ele fosse. Meu irmão passou dias naquele inferno de presídio, dormindo em um catre duro, comendo lavagem. Ele precisava de um banho digno, de uma cama limpa e, acima de tudo, precisava da noiva dele. Sammy estava grávida e sofrendo pelo irmão; ela precisava do Atlas mais do que eu naquele momento. Eu tinha o Snake. E tinha a esperança teimosa de que o José acordaria a qualquer minuto para fazer uma piada ruim.
Mia, a enfermeira da Marina e minha amiga também, já tinha assumido o posto. Esther passou para ela uma lista interminável de cuidados, protocolos de higiene e monitoramento. Mia era uma máquina eficiente, movendo-se pelo quarto com precisão, ajustando soros e checando sinais vitais a cada quinze minutos.
Do lado de fora, cumprindo a promessa do Snake, a segurança estava reforçada. Marco, um dos homens de confiança dele, estava de campana na porta. Ele tinha uma cicatriz no pescoço e uma cara de quem comia concreto no café da manhã, mas era uma simpatia.
— Vai dar tudo certo, Senhorita Athena. — Ele dizia a cada meia hora, com um sorriso torto. — O Hermanito é duro na queda. Vaso ruim não quebra, como ele mesmo sempre diz, não é?
Eu sorria, agradecida pela tentativa desajeitada de consolo.
Snake estava sentado ao meu lado no banco duro e frio bem em frente ao vidro. Ele estava diferente. Não havia aquele brilho debochado nos olhos, nem as piadas de duplo sentido ou a postura relaxada de quem é dono do mundo. Ele estava quieto. Alerta. Os olhos fixos no filho deitado na cama. Era o "modo combate". Eu já tinha visto isso no Dom e no próprio José. É aquela tensão muscular de quem espera um ataque a qualquer segundo. Mas não tinha só isso, tinha algo mais ali... era como um pressentimento, como se esperasse um inimigo invisível atacar. Ou que soubesse que algo ruim fosse acontecer.
Meu celular vibrou no colo. Era Elijah. Atendi rápido, com o coração na boca. Sabia que a Tay havia ido para o hospital, Chris postou no nosso grupo e eu pedi para que Eli me avisasse quando tivesse notícias.
— Athena? — A voz dele estava eufórica, o que me confundiu.
— Eli, o que houve? Aconteceu alguma coisa com a Tay?
— Sim! Mas é notícia boa. — Ele riu do outro lado da linha. — O bebê está vivo, garotinha. Foi um erro de diagnóstico, um milagre, chame do que quiser. Dom e Tay vão ser papais. O bebê estava brincando de esconde-esconde.
Senti um sorriso genuíno rasgar meu rosto cansado.
— Mentira! Ai meu Deus, Elijah! Isso é maravilhoso! Obrigada por me avisar...
— Por nada, garotinha. Só queria te mostrar que milagres acontecem. — Eli me disse com a voz suave, sabia bem o que ele queria dizer com isso.
— Obrigada... — Sussurrei.
Desliguei o telefone sentindo uma onda de calor no peito. Meus amigos mereciam tanto. Depois de tudo o que passaram, depois do tiro, do medo... a vida venceu. Comecei a fazer as contas mentalmente. O bebê da Tay, o da Sammy, tinha o da Jen, o da Penny e claro a Juju com quatro... resumindo, eu seria tia de oito. A família só crescia. Era um sinal. Tinha que ser um sinal de que as coisas estavam entrando nos eixos.
Mas a alegria durou o tempo de uma respiração.
Levantei da cadeira, ainda sorrindo, e parei em frente ao vidro para olhar o José. Eu queria contar para ele. Queria sussurrar através do vidro: "Ei, amor, vou ser tia de novo. O Dom vai ser pai."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar