Capítulo 300 — O Milagre da Vida
Taylor Laurent
A última coisa de que me lembro com clareza era a sensação de que o chão da minha casa tinha virado gelatina. Eu tinha deixado a Diva e a Dona Marina na sala, dizendo que precisava me deitar. A verdade é que eu sentia meu corpo pesar uma tonelada. Segui pelo corredor me apoiando nas paredes, a cabeça latejando num ritmo surdo.
No quarto, enchi a banheira. Achei que a água quente aliviaria a tensão, o enjoo persistente e aquela dorzinha chata no pé da barriga que eu atribuía ao estresse da semana passada e ao corpo tentando... limpar o que restou do meu sonho de ser mãe. Não sei quanto tempo fiquei lá dentro. Perdi a noção dos minutos enquanto olhava para os azulejos, chorando silenciosamente pela perda do meu bebê, pela gravidez que nunca evoluiu.
Quando tentei sair, o mundo girou. Senti uma pontada aguda no baixo ventre, diferente de tudo. O enjoo veio como uma onda violenta. Saí da banheira trôpega, me sequei de qualquer jeito e caminhei até o closet. Eu precisava me vestir. Precisava de ar. Mas, assim que entrei entre as araras de roupas e me troquei, a escuridão fechou as bordas da minha visão. Minhas pernas cederam. O carpete veio de encontro ao meu rosto e, depois disso... o nada.
Quando abri os olhos, a luz branca queimou minhas retinas. O cheiro de antisséptico invadiu meu nariz.
— Tay? — A voz do Dominic estava carregada de um pavor que eu nunca tinha ouvido.
Pisquei, tentando focar. Ele estava ao meu lado, segurando minha mão com tanta força que doía. O rosto dele estava pálido, suado, os olhos vermelhos. A enfermeira tinha puncionado minha veia, e foi a dor da agulha que me acordou. Elijah estava do outro lado, mexendo em um aparelho.
— Dom? — Minha voz saiu arrastada. — Onde eu tô?
— No hospital, meu amor. — Ele acariciou meu rosto. — Você desmaiou.
Elijah se aproximou e me explicou rapidamente sobre o procedimento que era preciso fazer. Assenti, sentindo as lágrimas voltarem. Sepse. Infecção. Era o fim definitivo. Não bastava perder o bebê, eu agora corria risco de vida por causa dele.
— Tudo bem, Eli. — Murmurei, derrotada. — Só... acaba logo com isso.
— Antes, vou fazer um ultrassom rápido. — Elijah disse, puxando o aparelho. — Preciso confirmar a posição e garantir que não há perfuração ou líquido livre no abdômen.
Elijah encostou o transdutor na minha pele. Fechei os olhos. Eu não queria ver a tela. Não queria ver o vazio de novo. O "saco gestacional anembrionário". O termo médico para "sonho oco".
O silêncio na sala durou segundos que pareceram horas. Senti a mão do Dominic ficar rígida sobre a minha. Abri os olhos devagar. Elijah estava encarando o monitor com uma expressão indecifrável. Dom o questionou com o olhar, até que ele respondeu:
— Não foi um fantasma que eu vi...
Ele mexeu em alguns botões, ajustou o volume.
E então, o som preencheu a sala.
TUM TUM... TUM TUM... TUM TUM...
Fiquei paralisada. O som era rápido. Forte. Ritimado. Como um galope de um cavalo minúsculo. Minha mente, nublada pelo desmaio e pela dor, não conseguia processar. Era a máquina? Era o meu coração?
— Isso é... — A voz do Dominic falhou.
Ele se levantou da cadeira num salto, como se tivesse levado um choque. Depois se sentou de novo, incapaz de controlar as próprias pernas.
Elijah virou o rosto para nós. E o sorriso que ele abriu poderia iluminar o mundo inteiro.
— Isso, meu amigo... — Elijah apontou para a tela, onde uma pequena mancha pulsava freneticamente. — É o bebê de vocês.
O ar sumiu dos meus pulmões. Olhei para a tela. Olhei para o Dom. Olhei para o Elijah.

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