Capítulo 298 — A Calmaria Antes da Tempestade
Dominic Costello
O escritório do Snake cheirava a charuto caro, couro envelhecido e testosterona prestes a explodir. Estávamos todos ali: eu, Chris, Jay, Coletti e o dono do território, Juan Rivera. O mapa da propriedade onde Noel estava escondido, cortesia das informações arrancadas do Natanael, estava aberto sobre a mesa de mogno.
— Eu digo para entrarmos hoje à noite. — Snake rosnou, servindo-se de mais uma dose de uísque. Ele parecia um leão enjaulado, andando de um lado para o outro. — Meus homens estão prontos. A gente invade, mata todo mundo e traz a cabeça do Noel numa bandeja. Acabamos com isso antes que ele tente mais alguma coisa contra o meu garoto, ou contra um de vocês.
— É arriscado, Senhor Rivera. — Coletti ponderou, analisando as plantas. — O lugar é uma fortaleza. Se entrarmos sem o elemento interno, vamos perder homens. E o Noel pode escapar pelos túneis que o Natanael mencionou.
— Ainda não sei como aquele cretino conseguiu uma mansão dessas e todos esses seguranças. — Disse Chris, cruzando os braços. — E eu concordo com o Agente Coletti, o plano original com o Natanael é sólido. Ele vai atrair o Noel para fora da toca em três dias. A emboscada em campo aberto nos dá vantagem tática.
— Três dias é tempo demais! — Snake bateu a mão na mesa. — O José está numa cama de UTI lutando pela vida. Quanto mais tempo damos a ele, mais gente ele machuca. Se não quiserem ir, irei sozinho!
Ele rosnou e seus homens, que estavam na sala, engatilharam as armas em resposta imediata ao comando silencioso do chefe.
A sala virou uma confusão de vozes. Todos queriam sangue. Todos queriam vingança. Eu, pessoalmente, queria esvaziar meu pente no peito do Noel Blake agora mesmo. Mas eu era o Agente Federal. Eu precisava ser a razão no meio do caos.
A porta do escritório se abriu, cortando a discussão. Noah entrou. Ele parecia exausto, com a gravata frouxa e a camisa amassada de quem passou horas no hospital, mas os olhos... os olhos estavam frios e focados.
— Qual é o problema? — Ele perguntou, indo direto ao aparador pegar uma bebida.
— Snake quer agir agora pegar seu pai, mas eu ainda quero agir com cautela. — Respondi.
— Nós vamos manter o plano. — Noah disse, e a voz dele silenciou a sala.
Snake parou de andar e o encarou.
— Você quer esperar? Depois do que ele fez com o José?
— É exatamente por causa do que ele fez com o José que nós vamos esperar. — Noah caminhou até a mesa, apoiando as mãos sobre o mapa. — Noel espera uma reação. Ele queria Atlas morto; José foi efeito colateral, mas o objetivo dele foi alcançado.
— Que objetivo? — Chris perguntou. — Se a ideia era matar o Atlas e ele não conseguiu...
— Nos desestabilizar. Para nos fazer agir com raiva e imprudência. — Noah explicou. — Se atacarmos a mansão dele hoje, estaremos caindo na armadilha que ele preparou. Ele não matou o Atlas, mas também deixou claro que quer o José morto para nos atingir.
Noah olhou para cada um de nós.
— Noah está certo. — Falei, chamando a atenção de todos para mim. — Ele espera um ataque. E se atacarmos, deixamos os nossos vulneráveis, e é exatamente isso que ele quer.
— Mas ele não espera a traição. — Chris disse.
— Exato. — Noah concordou, dando um gole em sua bebida. — Meu pai não espera que o Natanael, o irmão covarde que ele controla pelo medo, vá entregá-lo. O elemento surpresa é o Natanael. E nós vamos usar isso.
O silêncio pesou por alguns segundos. A lógica do Noah era inegável.
— Três dias. — Snake concordou, a contragosto, mas respeitando a decisão. — Mas se o Natanael vacilar... eu mato ele antes de matar o Noel.
— Ele não vai vacilar. — Garanti. — O medo que ele tem de ser preso e perder a vida luxuosa dele é maior do que a lealdade ao irmão agora.
Reunião encerrada. O plano estava mantido. A caçada tinha data e hora.
— Vou voltar para o hospital. — Snake anunciou, pegando o paletó. — Preciso ver meu garoto.
— Mande notícias se houver qualquer mudança. — Pedi.
Snake assentiu e saímos todos. Meu agente voltou para a agência; ainda tínhamos a burocracia do presídio para organizar, já que José foi baleado em sua saída. Chris mandou o Jay ficar de olho, junto dos homens do Snake, na maldita mansão do Noel. E os caras e eu seguimos para o nosso condomínio. Eu precisava ver minha mulher.

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