Capítulo 294 — Van Helsing
Juan Rivera (Snake)
O silêncio do Salieri durou apenas o tempo da minha ameaça penetrar no cérebro dele. Eu o encarava com frieza, o celular ainda na mão, a foto da família dele brilhando na tela. Na minha cabeça, uma verdade inconveniente ecoava: eu não mato crianças. Mulheres e crianças sempre foram minha linha vermelha, o código que me separava dos animais que eu caçava. Mas Salieri não sabia disso. Para ele, eu era o monstro que atirou na perna dele dentro de um hospital cheio de testemunhas. E eu precisava que ele continuasse acreditando nisso. O medo era minha moeda de troca.
— Eu faço o que quiser! — Salieri gritou, tentando se levantar e caindo de volta no travesseiro pela dor. — Te entrego o Noel, te falo tudo que sei, entrego minha vida a você... só não machuca minha mulher e meus netos, por favor...
Voltei a me sentar, cruzando as pernas com calma. Guardei o celular no bolso, mas mantive a mão sobre ele como um lembrete constante. Olhei para o Chris, que tinha um sorriso satisfeito e cruel nos lábios.
— Mande uma mensagem para o Costello e o Blake. — Ordenei, sem tirar os olhos do médico trêmulo. — Diga para virem até aqui. Agora.
Minutos se passaram em tensão absoluta. Salieri choramingava baixinho, rezando para um Deus que ele ignorou quando decidiu matar meu garoto. A porta se abriu e Dominic entrou, seguido por Noah e Declan. O ar na sala ficou pesado com tanta testosterona e fúria contida.
— Freeman já cuidou da parte burocrática do seu "incidente" no corredor. — Dom avisou, olhando para a perna enfaixada do diretor. — Legítima defesa de terceiros. Você viu ele sacar algo que parecia uma arma. Vai colar.
Assenti, sem me importar muito. Eu teria atirado mesmo se fosse para ir preso depois, apesar que preso é algo que sei que nunca vou ser já que o Governador e o Comissário estão nos meus contatos.
— E o José? — Noah perguntou, a voz carregada de ansiedade. — Elijah mandou notícias? Porque para nós até agora, silêncio absoluto.
— Sombra avisou há pouco. — Respondi, sentindo um nó se desfazendo no meu estômago. — Elijah está "costurando" o garoto. Foram as palavras dele na mensagem.
Vi os ombros do Noah relaxarem. "Costurando" significava que a hemorragia tinha parado, que os órgãos vitais estavam reparados. Não era uma garantia de vida, mas era a primeira vitória sobre a morte.
Chris, prático como sempre, atualizou os recém-chegados.
— O Doutor aqui confessou que Noel sabia de tudo. O hospital, a ambulância, o horário. Ele tem olhos em todos os lugares.
Franzi a testa, o instinto de predador apitando.
— Se Noel tinha gente na porta do presídio para confirmar o ataque... — Comecei, raciocinando em voz alta. — Provavelmente tem gente aqui dentro também, esperando a confirmação da morte do meu garoto.
Virei-me para o Salieri.
— É neste momento que você salva a sua família, Doutor.
Salieri engoliu em seco, o pavor voltando com força total.
— Me diz o que quer que eu faça.
— Onde estão os olheiros do Noel? — Perguntei, direto.
— Eu... eu não sei exatamente. — Ele tentou desconversar, o hábito de proteger o chefe falando mais alto.
Suspirei e tirei o celular do bolso novamente, começando a discar para o Santino.
— Ok! Ok, eu falo! — Ele gritou, desesperado. — Eles estão com acesso à segurança! Noel me mandou fotos deles para eu liberar as credenciais de manutenção. Devem estar perto da sala de comando ou nos corredores técnicos. Noel já deve saber de tudo, da sua intervenção e que o garoto está sendo operado!
Levantei-me num salto, agarrando a frente do pijama hospitalar dele.

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