Capítulo 293 — Olho por Olho
Juan Rivera (Snake)
O silêncio no quarto de hospital era quebrado apenas pelo bip rítmico do monitor cardíaco ligado ao homem que eu queria desligar com as minhas próprias mãos. Enquanto Salieri tentava controlar a respiração, senti meu celular vibrar no bolso interno do paletó. Não precisei olhar para saber quem era.
Santino...
Meu melhor homem de inteligência. Eu havia acionado ele enquanto esse o maldito “Doutor Salieri” estava sendo atendido. Santino não falha. A ficha completa do homem já estava em minha mãos, seus podres, suas conexões e, o mais importante, suas fraquezas, que conhecendo bem meu homem era isso que devia estar piscando na minha tela nesse exato momento.
Mas deixei o celular quieto por enquanto. Eu queria ouvir a versão dele primeiro.
— Comece. — Ordenei, girando a arma na mão. — E lembre-se: a verdade liberta. A mentira... enterra.
Salieri engoliu em seco, o suor escorrendo pela testa pálida.
— Noel... ele me procurou assim que soube que o rapaz não morreu na hora. — Salieri confessou, a voz trêmula. — Ele sabia que a ambulância tinha sido acionada. Ele me obrigou a entrar em contato com a central de despacho. Usei minha influência... desviei a rota. Fiz com que trouxessem o garoto para cá em tempo recorde.
— Para terminar o serviço. — Chris completou, os punhos cerrados ao meu lado.
— Ele disse que o garoto precisava morrer. — Salieri fechou os olhos, como se a lembrança o doesse. — Disse que era necessário para que o recado fosse dado a vocês.
— E você concordou. — Falei, sentindo o gosto amargo da bile.
— Eu não tive escolha! — Ele choramingou. — Eu mandei a equipe ignorar os procedimentos de emergência real. Três tiros à queima-roupa... a chance de sobrevivência já seria mínima. Eu só... garanti que a natureza seguisse seu curso. Deixei claro a todas as equipes que ninguém podia ajudar, nem permitir que médicos de fora entrassem.
Ele abriu os olhos e nos encarou, um brilho de pavor misturado com uma estranha admiração pelo diabo.
— Parecia que o Noel sabia cada passo que vocês dariam. Ele sabia da saída, sabia da ambulância...
Chris deu um passo à frente, impaciente. A mente analítica dele estava trabalhando a mil.
— Ele agiu rápido demais. — Chris questionou, desconfiado. — Essa história parece convincente, mas está alinhada demais. Como ele orquestrou essa logística de hospital, ambulância e equipe médica em questão de minutos? Qual é o seu vínculo real com ele para ele ter tanta liberdade assim?
Salieri balançou a cabeça, derrotado pela lógica do Chris.
— Não foi em minutos. — Ele admitiu. — Noel me procurou pela primeira vez há semanas. Ele veio até mim com o prontuário de uma jovem... Athena Wilson.
Senti meu corpo tencionar ao ouvir o nome da namorada do meu garoto.

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