Capítulo 292 — A Lei do Predador
Juan Rivera (Snake)
O cheiro de pólvora queimada ainda pairava no ar, misturado ao cheiro metálico do sangue que empoçava no chão branco. Eu ainda segurava o homem pelo colarinho, sentindo o tremor do corpo dele enquanto a mancha vermelha na calça de alfaiataria aumentava.
— Agora... — Aproximei o cano quente da arma na têmpora dele. — Libere a entrada dos meus médicos. Pois eu sei bem o que está acontecendo aqui, e minha paciência acabou no momento em que meu garoto derramou a primeira gota de sangue.
Salieri gemeu, a dor e o pavor estampados no rosto suado. Ele olhou para a enfermeira que barrava a entrada do centro cirúrgico, a mesma que impediu Elijah e Esther.
— Deixe... deixe eles entrarem! — Ele gritou, a voz falhando. — Encaminhe os dois para a sala 3! Agora!
A enfermeira, trêmula, tentou argumentar, o hábito da obediência burocrática falando mais alto que o instinto de sobrevivência.
— Mas Senhor... as suas ordens de antes...
Tirei a arma da cabeça do diretor e a apontei diretamente para o peito da mulher. O corredor ficou em silêncio absoluto.
— Faça o que ele está mandando. — Falei, minha voz baixa e letal. — Porque se meu garoto morrer por sua causa, eu não vou te matar... mas a farei desejar a morte a cada segundo do resto da sua vida miserável.
A mulher empalideceu, perdendo a cor dos lábios. Ela assentiu freneticamente, pegou o cartão de acesso e chamou Elijah e Esther.
— Por aqui, doutores! Rápido!
Fiz um sinal para Sombra, que tinha surgido no meio da confusão como o fantasma que ele era.
— Sombra. — Ordenei. — Você vai com eles. Fique dentro daquela sala. E se alguém, qualquer um, tentar intervir no trabalho do Elijah... Mate.
Sombra assentiu, a expressão vazia de piedade, e seguiu os médicos e a enfermeira para dentro da área restrita.
Outra enfermeira se aproximou, corajosa ou estúpida, olhando para o ferimento do Salieri.
— O Senhor Salieri precisa de atendimento imediato! — Ela gritou. — Vocês não podem fazer isso! Vou chamar a polícia!
— Ele terá atendimento. — Rosnei, soltando o colarinho do homem, deixando-o cair sentado no chão ensanguentado. — Mas só depois que me disser por que quis atrapalhar a cirurgia do meu garoto.
Dominic deu um passo à frente, puxando o distintivo e colocando-o na cara da mulher antes que ela pudesse pegar o telefone.
— Não precisa se preocupar, senhora. As autoridades já estão aqui. — Dom disse com sua voz de Agente Federal. — O que acabou de acontecer aqui foi negligência médica criminosa. O diretor se recusou a permitir que cirurgiões competentes atendessem um paciente crítico com risco de morte. Isso se configura como tentativa de homicídio. E todos vocês, que acataram essa ordem absurda, responderão como cúmplices.
A mulher arregalou os olhos, o medo da lei substituindo a indignação.
— Nós... nós só estávamos cumprindo ordens do diretor! — Ela começou a gaguejar, recuando. — Ele nos disse que não era para deixar ninguém de fora tocar no paciente, ele disse que...
— CALA A BOCA! — Salieri gritou do chão, a dor misturada ao pânico de ser exposto.
Girei a arma na mão e, com um movimento rápido, desferi uma coronhada forte na boca dele. O som do metal batendo no dente estalou no corredor.
— Não grite com a dama. — Falei calmamente.

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