Capítulo 291 — O Preço do Amor
Juan Rivera (Snake)
Hoje deveria ser um dia de festa. Mas acordei com uma sensação estranha no peito, uma mistura de ansiedade e alívio que eu não sentia há anos. Mi niño sairia daquele lugar. José voltaria para casa.
Passei para pegar as meninas, Athena e Samantha. Noah me pediu para fazer isso, já que eles precisavam resolver os últimos detalhes da nossa emboscada para o "Drácula", que aconteceria em três dias. Olhei para as garotas ao meu lado e elas estavam radiantes, vibrando numa frequência de felicidade que me contagiou. Segui até o presídio com um sorriso que não costumo usar, ouvindo as duas planejarem o jantar de boas-vindas, o chá de bebê do Eros, o futuro. Tudo parecia certo. Chegamos à porta do presídio e o circo estava armado. Imprensa, câmeras, urubus sedentos por carniça. Meu sangue ferveu.
— M****a. — Rosnei.
Orientei Noah para irmos para os fundos e ele assentiu sem questionar. Demos a volta. Quando vi o portão de carga se abrir e aquelas duas figuras vestidas de forma tão diferentes, mas com o mesmo brilho, senti um peso sair das minhas costas. José estava ali. Livre. Sorrindo. Vi o momento exato em que os olhos dele encontraram os de Athena. Vi o amor puro transbordar. E aquilo me apertou o coração de um jeito bom.
Mas a paz durou segundos. O reflexo do metal. O homem saindo das sombras. A arma apontada para Atlas. Eu vi antes de todos, mas José foi mais rápido. Ele não pensou. Ele se jogou. O som dos disparos rasgou o ar e o meu coração ao mesmo tempo.
— NÃO! — O grito saiu da minha garganta, cru e desesperado.
Saquei minha arma num movimento automático. Eu, Dominic e Chris atiramos juntos. O bastardo caiu morto antes de tocar o chão, crivado de balas. Mas não importava. O dano estava feito. Corri até eles. O asfalto parecia queimar sob meus pés. Atlas segurava José, chorando. O peito do meu garoto estava vermelho. "Sangue demais. Sangue demais. Sangue demais." Era só isso que minha mente dizia. Notei José se despedir, como se soubesse que aquele ali era seu fim. Mas não era para mim.
— Ele vai viver! — Gritei, ignorando todos ao redor. — Ele vai viver ou eu não me chamo Juan Rivera!
Mas então... eu vi o olhar dele. Aquele olhar vidrado, aceitando o fim. Ele olhou para Athena, sorriu com os lábios manchados de vermelho e sussurrou aquelas palavras malditas: "Te amo pra sempre... minha princesa..." E apagou.
O mundo parou. O som sumiu. Puxei o corpo dele para os meus braços.
— José? — Chamei, a voz falhando. Sacudi o ombro dele. — José? Mi niño... Mi hijo... acorda!
Ouvi o choro desesperado da Samantha. Senti Athena se jogar sobre nós, agarrando a camisa ensanguentada dele, gritando para ele não ir. Atlas puxou Samantha, tentando consolá-la, mas ele mesmo soluçava. Eu puxei José para o meu colo. Apertei o corpo dele contra o meu, tentando transferir a minha força, a minha vida para ele.
— Não ouse morrer! — Rugi para o céu, para Deus, para o Diabo. — Você não tem permissão para morrer!
Noah puxou Athena para si, tentando dar espaço. Declan gritou que os paramédicos estavam chegando. Mãos tentaram me tocar. Tentaram tirar o José de mim.
— SAIAM! — Gritei, mostrando os dentes como um animal ferido. — Ninguém toca nele!
— Snake! — A voz de comando do Dominic cortou minha névoa. Ele me segurou pelos ombros com força. — Eles querem ajudar! Deixa eles trabalharem ou ele morre aqui nos seus braços!
Soltei o corpo dele devagar, sentindo como se estivesse arrancando um pedaço da minha alma. Os paramédicos agiram rápido. Cortaram a roupa, estancaram o sangue, entubaram. Urgência. Cirurgia. Risco iminente. As palavras flutuavam ao meu redor.
— Quem vai acompanhar? — O paramédico perguntou, empurrando a maca para a ambulância.
— Eu. — Falei ao mesmo tempo que Athena.
O homem abriu a boca para negar, para dizer que só permitiam um, mas Dominic interveio, mostrando o distintivo.
— Ele é o pai. Ela é a namorada. — Dom ordenou, a voz de aço. — Irão os dois.
Entramos na ambulância. O espaço era pequeno, sufocante, cheirando a sangue e antisséptico. O veículo arrancou, a sirene uivando como um lamento. Athena não soltou a mão do José nem por um segundo. Ela viajou o tempo todo curvada sobre ele, sussurrando promessas, juras de amor, implorando para ele ficar.

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