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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 290

Capítulo 290 — Sangue por Sangue

José Alves

O sol nasceu diferente hoje. Eu já tinha visto o sol nascer quadrado centenas de vezes, mas hoje... hoje a luz parecia ter cheiro. Cheiro de asfalto quente, de gasolina, de perfume de mulher e de churrasco. Cheiro de liberdade.

Arrumei a cama pela última vez, sentindo uma satisfação que não cabia no peito. Missão cumprida. O esquema do Malik estava no chão, o Atlas estava vivo e inteiro (mais ou menos), e eu... eu estava saindo pela porta da frente. Não como um fugitivo, mas como um homem que limpou a própria sujeira.

Nos trocamos, tirando pra sempre esses macacões horríveis. Atlas vestiu um Armani, enquanto eu coloquei um dos meus jeans rasgado e uma jaqueta de couro.

— Alves. Wilson. — Spencer parou na frente da cela, girando as chaves. Mas dessa vez, ele estava sorrindo. — Espero nunca mais ver a cara feia de vocês por aqui.

— Pode apostar que não vai, Chefe. — Respondi, pegando minha sacola. — A comida daqui não faz meu tipo.

Caminhamos pelo corredor. Fumaça e Gigante estavam encostados na grade. Fiz um toque de mão com eles.

— Juízo, moleque. — Gigante resmungou. — Se cuida lá fora.

— Pode deixar. — Pisquei para eles.

Spencer nos escoltou até a sala da administração. Quando entramos, parecia uma reunião de cúpula. Dominic estava sentado na mesa do Diretor, mas com a postura relaxada de quem já tinha tirado o peso das costas. Coletti e Freeman estavam lá também.

— Os meus ex-detentos favoritos. — Dom brincou, fechando uma pasta. — A papelada está pronta. O Comissário já aceitou minha recomendação. Coletti assume a cadeira de Diretor a partir de amanhã.

— Sério? — Atlas perguntou, surpreso. — Vai largar o osso, Dom?

— Aceitei isso por vocês, Wilson. — Dominic sorriu de lado. — Gosto de ser Agente Encarregado, de chefiar a corregedoria, de caçar os bandidos, não de cuidar deles. Ficar atrás dessa mesa me dá coceira. Coletti é melhor com a burocracia, e ele tá curtindo ser diretor. Não é?

Dom perguntou para o amigo, que logo respondeu.

— Como se você tivesse me dado opção em não aceitar né Chefe?

Todos nós rimos. O telefone do Dom tocou. Ele atendeu rápido.

— Fala, Chris. — Uma pausa. — Ótimo. Estamos descendo.

Ele desligou e olhou para nós.

— O bonde está lá fora. As meninas estão esperando.

Saímos da sala rindo à toa. A sensação de peso saindo dos ombros era física. Eu só pensava na Athena. Em abraçá-la, beijá-la e nunca mais soltar. Mas quando chegamos ao saguão, Miller, um dos guardas da entrada, correu até nós, pálido.

— Senhor Costello! — Ele ofegou. — Temos um problema. A imprensa está toda lá fora.

— O quê? — Dom fechou a cara, o sorriso sumindo. — Quem chamou esses urubus?

— Ninguém sabe, Senhor. Mas eles querem ver a saída do "Empresário Atlas Wilson". Tem câmeras, repórteres... está um circo.

O celular do Dom tocou de novo. Ele colocou no viva-voz. Era o Noah.

— Dom, a frente está bloqueada. Tem muita gente. — A voz do Noah era urgente. — O Snake sugeriu sair pelos fundos, na área de carga. Nós estamos manobrando os carros para lá agora.

— Entendido. — Dom desligou e olhou para Coletti e Freeman. — Vocês dois, vão para a frente. Distraiam a imprensa. Digam que ainda estamos processando a soltura. Nós vamos sair pelos fundos.

Seguimos Miller pelos corredores de serviço. O cheiro mudou para lixo e óleo diesel, mas eu não me importava. Era a saída. Spencer abriu o portão pesado de metal que dava para o pátio de carga.

— Boa sorte, garotos. — Spencer apertou minha mão e a do Atlas. — Vão com Deus.

Miller fez o mesmo, e então, demos o primeiro passo para fora. O ar frio da manhã bateu no meu rosto. Olhei para frente e lá estavam eles. A minha família. Vi o carro do Snake. Vi o Chris encostado no capô do esportivo dele. Vi a Sammy... e vi ela. Athena. Ela estava linda, com o cabelo solto voando no vento, os olhos brilhando de lágrimas. Meu coração disparou. Eu queria correr. Queria voar até ela.

Atlas e eu descemos a rampa de concreto, sorrindo um para o outro.

— Conseguimos, Hermanito. — Atlas disse, a emoção embargando a voz.

Mas então, meu instinto, aquele alarme que a vida nas ruas instalou na minha cabeça, apitou. Um movimento. Atrás dos contêineres de lixo, à nossa direita. Não era um paparazzo. O brilho não era de uma lente de câmera. Era metal oxidado. Um homem encapuzado surgiu, os braços estendidos, a arma firme. A mira não estava em mim. Estava no terno alinhado do Atlas.

Não pensei. Não hesitei. O tempo desacelerou. Vi o dedo do homem apertar o gatilho.

— ATLAS! — Gritei, empurrando meu cunhado para o lado e me jogando na linha de fogo.

Bang. Bang. Bang.

Três impactos. Senti como se marretas quentes tivessem quebrado meu peito e meu abdômen. O ar fugiu dos meus pulmões. O gosto metálico de sangue inundou minha boca instantaneamente.

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