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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 289

Capítulo 289 — O Preço da Liberdade

Atlas Wilson

Sete dias.

Faz exatamente uma semana que a ordem de soltura chegou. Uma semana desde que David, corroído pela culpa ou pelo medo, finalmente abriu a boca e confessou que armou para mim. Eu poderia ter saído por aquela porta, recuperado minha vida, uma alimentação digna e minha cama macia ao lado da mulher que eu amo. Mas eu fiquei.

Olhei para as minhas mãos, calejadas e sujas de poeira do pátio. Quem diria que eu escolheria permanecer no inferno por vontade própria? A resposta estava a alguns metros de distância, rindo alto de alguma piada suja que o Fumaça contava.

José. Eu fiquei por ele. Fiquei porque "dois informantes são melhores que um". Fiquei porque, apesar de todas as nossas diferenças, aquele moleque insuportável se tornou meu irmão de sangue, suor e agora, de guerra.

E que guerra vencemos. O esquema do Malik não era apenas tráfico de drogas. Era algo que fazia meu estômago revirar. Mulheres. Crianças. Descobrimos as rotas, os nomes, os financiadores. José foi brilhante. Tenho que admitir, o garoto tem um instinto para a podridão que é quase sobrenatural. Ele se infiltrou, ganhou a confiança, jogou o jogo melhor do que qualquer agente federal que eu já conheci. Hoje, ironicamente, o marginal que eu tentei manter longe da minha mulher e da minha irmã é considerado um "herói" pelos federais. Um ativo valioso.

Suspirei, encostando a cabeça na grade fria do pátio. Pensei em casa. Pensei em Sammy. A lembrança da visita dela, ou melhor, da notícia que chegou através das linhas seguras que o Snake providenciou ainda aquecia meu peito. Um menino. Eu seria pai de um garoto.

A discussão sobre o nome, no entanto, foi um capítulo à parte. Eu ainda podia ouvir a voz indignada do José ecoando na cela quando contei:

— Eros? Você tá de sacanagem, Hermano? — Ele torceu o nariz como se sentisse cheiro de leite azedo. — Isso é nome de estátua grega pelada ou de casa de massagem, Atlas! O moleque tem que ter um nome de respeito. Um nome raiz. Tipo... sei lá, Javier, Marco, Leônidas!

Eu ri sozinho lembrando da defesa da Sammy.

— Vai ser Eros porque ele é o fruto do nosso amor. O Deus do Amor. E ponto final, José!

Ela venceu, claro. Sammy sempre vence. E eu... eu amei. Eros Wilson. O Deus do Amor que uniu esse “titã” aqui a uma mulher incrível, e que, indiretamente, uniu dois mundos opostos.

— Tá rindo do quê, Hermano? Tá pensando na minha irmã ou no moleque?

A voz rouca do José me trouxe de volta ao presente. Ele se sentou ao meu lado no banco de concreto, segurando um copo de plástico que continha algo que definitivamente não era suco da cantina.

— Nos dois. — Respondi, aceitando o copo que ele me ofereceu. — E pensando em como você é chato até nas minhas memórias, hermanito.

José soltou uma gargalhada, dando um gole na bebida. Era uísque. Dos melhores, Caio e Wolf trouxeram como mandei. Snake tinha cumprido a promessa e feito entrar. Jack e Gigante estavam distribuindo o resto para os "leais" do outro lado do pátio.

— O Snake é maluco. — Comentei, sentindo o álcool queimar a garganta. — Como ele conseguiu colocar isso aqui dentro?

— Mi papá tem os meios dele. — José piscou, orgulhoso. — Agora aproveita o uísque que você tá pagando, e vamos brindar. Somos os reis dessa porra toda agora, Atlas. Derrubamos o Malik, botamos ordem na casa. Demos bebida de graça pra esses marmanjos. Ninguém mexe com a gente.

Olhei ao redor. Ele estava certo. Os outros detentos nos olhavam com respeito, alguns até com temor. Não éramos mais as presas. Éramos os predadores do topo da cadeia alimentar. Mas aquele lugar... aquele cheiro de mofo e desespero... aquilo não era vida.

— Reis de um castelo de lixo, José. — Falei, olhando para o muro alto com arame farpado. — Não é esse o reinado que eu quero.

José ficou sério. O brilho de "bad boy" sumiu, dando lugar ao jovem cansado que só queria a namorada.

— Eu tô ligado. — Ele murmurou, olhando para o líquido no copo. — O único reinado que importa é o da nossa casa. A minha cama, o cheiro da Athena... É só isso que eu quero.

— Estamos perto. — Tentei animá-lo, embora a ansiedade me corroesse. — Os federais têm tudo. O acordo está feito.

— O problema é aquele desgraçado que eu machuquei. — José bufou, a raiva voltando. — Se aquele verme morrer, Atlas, eu tô ferrado. Legítima defesa ou não, homicídio aqui dentro trava tudo.

— Ele não vai morrer. — Garanti. — O Dom preparou só os melhores para cuidar dele, soube que até a Esther veio aqui dar uma olhada nele. E ela é tão boa quanto o Elijah.

— Espero que seja boa mesmo, Hermano. Se não acabou pra mim. — José rebateu, sombrio.

Antes que eu pudesse responder, uma movimentação perto do portão principal chamou nossa atenção. Spencer, o chefe dos guardas e agora o braço direito do Dominic aqui dentro, caminhava em nossa direção. A expressão dele era ilegível, o cassetete batendo ritmicamente na perna. O pátio silenciou.

— Wilson. Alves. — Spencer parou na nossa frente, a postura rígida. — O Diretor quer ver vocês. Agora.

Troquei um olhar tenso com José. Será que deu errado? Será que os federais voltaram atrás? Ou pior... será que o detento morreu?

— Algum problema, Spencer? — Perguntei, levantando-me e ajeitando o uniforme laranja como se fosse um terno Armani.

— O diretor só deu a ordem para vir buscá-los. — Ele respondeu, mas notei que ele não usou as algemas.

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