Capítulo 287 — A Sentença
Noah Blake
— Eu te ajudo a pegar o seu pai.
A frase ficou suspensa no ar, ecoando na sala silenciosa. Encarei meu tio, procurando qualquer resquício de honestidade naqueles olhos que eu conhecia desde a infância, mas só encontrei medo e cálculo. Ele não queria justiça; queria salvo-conduto.
Fiquei encarando-o por alguns segundos, o desprezo crescendo dentro de mim, até que o som suave do elevador privativo quebrou a tensão. As portas de aço se abriram. Gayer olhou para mim e anunciou:
— É o Lawson e o Reed, Senhor.
Assenti, sem desviar os olhos do Natanael. Chris e Declan entraram na sala como uma tempestade. A energia no ambiente mudou instantaneamente, carregada de uma violência elétrica. Quando olhei para o Chris, foi como ver faíscas saindo dos olhos dele. Ele viu Natanael sentado no meu sofá e não hesitou. Nem por um segundo.
Chris avançou.
— Seu cretino! — O grito dele foi um rugido animal.
Antes que Gayer ou qualquer um pudesse piscar, Chris agarrou Natanael pelo colarinho e desferiu um soco brutal no rosto dele. Natanael cambaleou, tentando se proteger, mas Chris estava cego de ódio.
— Foi você... — Chris rosnou, acertando outro golpe que fez a cabeça do meu tio estalar para trás. — Você pagou para colocar meu amigo na cadeia! Você pagou para matarem o José naquela solitária!
— Tirem ele de cima de mim! — Natanael gritou, desesperado, com o sangue já escorrendo pelo nariz. — Noah!
Ninguém se moveu. Gayer cruzou os braços. Eu permaneci imóvel.
— Atlas é como um irmão para mim, seu babaca! — Chris gritou, jogando o homem no chão com força. Natanael caiu tossindo, cuspindo sangue no meu tapete caro.
Chris recuou, ofegante, mas não acabou. Declan se aproximou com aquela calma gélida que antecede a tempestade. Ele olhou para o homem caído aos seus pés e desferiu dois chutes precisos nas costelas do Natanael. O som de algo estalando foi audível.
— Isso é por ter pago o laboratório para atrasar a medicação da nossa garotinha. — Declan falou, a voz baixa e mortal.
Ele se agachou, ficando cara a cara com o meu tio, segurando-o pelo colarinho da camisa manchada de vermelho.
— Já sei que foi você. — Declan sibilou — Ela é uma garota inocente... Que nunca fez mal a ninguém e que você viu crescer, seu merda. Você sabia que ela podia morrer sem aquele remédio.
— Eu não sabia... — Natanael choramingou, tentando se afastar. — Eu não sabia que seria grave... eu só fiz o que meu irmão mandou! O Noel exigiu que eu pagasse o laboratório, mas eu não sabia que podia matá-la. Eu juro!!
— Jura. — Chris disse com escárnio. — Jura também que não sabia do ataque de hoje? Onde ela quase morreu, de novo.
O brilho de compreensão passou pelos olhos do meu tio, ele sabia do ataque. Meu amigo que ainda estava de frente para ele fechou o punho e deu um murro seco no rosto do Natanael. Meu tio gritou e xingou, levando a mão ao rosto inchado.
Declan se levantou, limpando as mãos como se tivesse tocado em lixo.
— Eu só não te mato agora, Senhor Blake. — Declan disse, olhando de cima. — Porque morte... é descanso.
Ele deu dois tapinhas leves, humilhantes, no rosto do homem caído.
— E eu não quero vê-lo descansar. Quero vê-lo sofrer.
Declan recuou, parando ao lado do Chris. Fiz um sinal sutil com a cabeça. Gayer entendeu imediatamente, caminhou até o Natanael, o levantou com rudeza e o jogou sentado de volta no sofá.
— Eu te disse, tio... — Chamei a atenção dele, minha voz pingando escárnio. — Eu só não acabei com você ainda, porque quero saber o que pretende.
Natanael limpou o sangue da boca com as costas da mão, tremendo de raiva e humilhação.
— Você deixou... — Ele apontou para mim, a voz falhando. — Você deixou esses animais me tocarem? Eu sou seu tio! Eu sou sua família, Noah!
— Corrigindo. — Interrompi, frio.
Apontei para o Chris e para o Declan.

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