Capítulo 288 — O Poderoso Chefão
Noah Blake
— E então, titio Nate... — Minha voz era suave, mas cortante como vidro. — Você realmente está disposto a acabar com a vida do meu pai?
Natanael piscou algumas vezes, atordoado pela brutalidade da pergunta. Ele olhou para as mãos trêmulas, depois para mim, o medo e a moralidade distorcida brigando dentro dele.
— Eu... — Ele gaguejou. — Eu te disse que ajudaria a pegá-lo, Noah. Não a matá-lo.
Um rosnado baixo veio do meu lado direito. Declan deu um passo à frente, a postura rígida de quem estava se segurando para não terminar o serviço.
— Não quer nos ajudar a acabar com ele... — Declan sibilou. — Mas aceitou ajudá-lo a acabar com a gente? A matar a Athena?
Declan avançou e Natanael recuou no sofá, encolhendo-se como um animal acuado.
— Eu não... eu não queria que ninguém morresse! — Natanael gritou, desesperado. — Nem vocês, e nem ele. Noel é meu irmão, meu sangue! Eu não posso ter o sangue do meu irmão nas mãos.
Chris bufou alto, cruzando os braços com impaciência.
— Teoricamente, ele já está morto, Senhor Blake. — Chris disse com desdém. — O mundo acha que ele morreu há anos. Nós só vamos oficializar o estado civil dele.
— Ele é meu irmão! — Natanael insistiu, as lágrimas de covardia misturando-se ao sangue no rosto. — Eu não posso matá-lo.
Levantei a mão, pedindo silêncio aos meus amigos. Inclinei-me para frente, invadindo o campo de visão do meu tio.
— Acha mesmo que meu pai o perdoou, tio? — Perguntei, olhando no fundo dos olhos dele. — Acha mesmo que, depois que ele conseguir destruir cada um de nós... depois que ele usar o seu dinheiro e a sua influência... ele simplesmente vai deixá-lo viver? Ele te odeia, Natanael. Ele te culpa por tudo o que aconteceu comigo.
Fiz uma pausa, deixando a realidade afundar.
— Porque se é assim que você pensa... eu preciso dizer o quão estúpido você é. Noel Blake não deixa pontas soltas. E você é a maior ponta solta da história dele.
Natanael absorveu minhas palavras. Vi a engrenagem girar na cabeça dele. Ele sabia que eu estava certo. Noel era um escorpião; picar era a natureza dele. Ele ficou em silêncio por longos minutos, o som da respiração pesada preenchendo a sala. Por fim, ele levantou o olhar, derrotado.
— Prometa. — Ele sussurrou. — Prometa que vai garantir a minha segurança e a da minha filha. Que nos tirará daqui assim que isso acabar.
Sorri sem humor nenhum.
— Prometo.
Nas horas seguintes, minha sala de estar virou um centro de comando. Ligamos para o Dominic e para o Snake no viva-voz. A tensão era palpável, mas o objetivo era comum: a cabeça de Noel Blake. Natanael, com a voz trêmula, concordou em ser a isca. Ele seguraria o Noel, alimentaria a paranoia dele e o atrairia para uma armadilha perfeita. Marcamos para daqui a dez dias. Tempo suficiente para Snake preparar o terreno e Dominic fechar o cerco legal e ilegal.
Quando terminamos, a campainha do elevador tocou novamente. Desta vez, não eram amigos. As portas se abriram e Marcela entrou correndo, os saltos batendo no piso.
— Papai! — Ela gritou ao ver o estado dele. O rosto inchado, a camisa ensanguentada.
Ela correu até ele, ajoelhando-se no chão, e depois se virou para mim com os olhos cheios de lágrimas e fúria.

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