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Contrato de Prazer a Mãe que o CEO Jurou Dominar romance Capítulo 286

Capítulo 286 — A Moeda de Troca

Noah Blake

Sentei-me na poltrona de frente para ele. Gayer permaneceu de pé atrás do Natanael, uma sombra armada pronta para agir. O silêncio na sala era denso, carregado de anos de mentiras. Eu olhava para o homem que, durante boa parte da minha vida, foi meu herói. O tio que me tirou do inferno quando eu tinha apenas sete anos. Foi ele quem percebeu os sinais, quem descobriu o que o maldito do Dylan fazia comigo e teve a coragem de denunciá-lo. Foi ele quem enfrentou meu pai para mandar o cretino para a cadeia. Noel cortou relações com ele por isso. E, por anos, eu olhei para o Natanael com uma gratidão cega, achando que ele era o oposto do meu pai.

Mas eu estava enganado. Natanael e Noel são opostos em atitudes, mas iguais na falta de caráter. Meu tio usou a minha gratidão infantil para se tornar o que é hoje: um parasita.

— Por que? — A pergunta saiu simples, mas carregava o peso do mundo. — Por que você me salvou daquele inferno? Por que me tirou das garras do Dylan... se a intenção era se juntar ao meu pai para me destruir?

Natanael suspirou, girando o copo de uísque nas mãos trêmulas. Ele parecia cansado. A arrogância de minutos atrás tinha dado lugar a uma resignação patética.

— Porque eu te amava, Noah. — Ele disse, olhando para o líquido âmbar. — Eu realmente me preocupava com você. Ver o que o Dylan fazia... aquilo me revirou o estômago. Eu não podia deixar meu sobrinho passar por aquilo.

— Amor... — Repeti a palavra, sentindo o gosto amargo dela na minha boca.

— É a verdade. — Ele insistiu, levantando os olhos para mim. — Quando o Noel cortou laços comigo, eu me senti o guardião da sua vida. Mas... o tempo passou. Eu vi você crescer, vi você ficar rico, poderoso... E eu achei que tinha direito a uma parte disso. Afinal, se não fosse por mim, você estaria morto ou quebrado naquele manicômio do seu pai, nas mãos daquele maldito amante dele.

Soltei uma risada curta, sem humor nenhum. O som ecoou seco na sala luxuosa.

— Então é isso? Uma cobrança? — Inclinei a cabeça, desafiando-o. — Você acha que salvar uma criança de um abuso te dá o direito de destruir o homem que ela se tornou? Você levou meu dinheiro por anos. Me manipulou. E agora se aliou ao homem que permitiu que eu fosse violado!

— Eu agi por medo! — Natanael explodiu, batendo o copo na mesa de centro. — Você não entende? Eu nunca imaginei que Noel estivesse vivo! Quando ele apareceu na minha porta, meses atrás... eu fiquei sem ação. Era como ver um fantasma. Ele estava com ódio, Noah. Ódio de mim por ter te ajudado, ódio de você por ter vencido. Eu tive que escolher um lado para sobreviver! Mas eu nunca quis o seu mal. Eu amo você.

Levantei-me devagar, a raiva fria tomando conta de cada músculo.

— Não ouse usar essa palavra comigo. — Apontei o dedo para o rosto dele. — Você não sabe o que é amor, Natanael. Quem ama não manipula, não se vende ao psicopata do meu pai para acabar com a vida do sobrinho. Você é tão maldito quanto ele. Como quer que eu acredite nesse tal sentimento que diz ter quando sei que agrediu meu irmão? Um deficiente indefeso!

Natanael recuou no sofá, engolindo em seco.

— Eu... eu perdi a paciência. — Ele tentou se justificar, gaguejando. — O Norton... ele é difícil. Ele gritava o tempo todo. Chamava por você, chamava pela Marisa... Eu tentava fazê-lo calar a boca, mas ele não parava. A Marcela até tentava acalmá-lo, mas...

Congelei. O nome dela pairou no ar como uma sentença.

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