Capítulo 284 — Território Marcado
Taylor Laurent
A última coisa que me lembro não foi a dor. Foi o medo. Não por mim. Eu nunca tive medo por mim mesma. O medo era ver o Dominic, o meu gigante invencível, na linha de tiro daqueles covardes. E depois, ver a Athena, aquela menina doce que já sofreu tanto, com uma arma na cabeça. Eu não pensei. Eu não calculei riscos. Eu apenas agi. O som do tiro. O impacto. O céu girando. E depois, a escuridão.
Quando a escuridão começou a se dissipar, a primeira coisa que vi foi azul. Aquele azul intenso, tempestuoso e lindo que eu amava mais do que tudo. Dominic estava debruçado sobre mim, segurando minha mão boa com as duas mãos dele. Ele parecia ter envelhecido dez anos nas últimas horas. O rosto estava sujo, a camisa rasgada pelo tiro, mas o olhar... o olhar era de pura devoção.
— Oi, amor... — Ele sussurrou, a voz rouca.
Tentei sorrir, mas meu corpo parecia pesado, como se eu estivesse flutuando em nuvens de algodão. Os remédios.
— Oi... — Respondi, a voz pastosa.
Dominic se inclinou e roçou os lábios nos meus num selinho demorado, cheio de alívio. Depois, ele fez aquela coisa que me desmontava: passou a ponta do nariz devagar pelo meu rosto, inalando meu cheiro, numa carícia íntima que era só nossa.
— Achei que tinha te perdido. — Ele murmurou contra minha pele.
— Vaso ruim... não quebra... — Brinquei, sentindo os olhos pesarem.
A porta se abriu, quebrando nosso momento. Uma mulher entrou. Alta, bonita, jaleco branco impecável e um sorriso confiante. Eu não a conhecia, mas meu radar apitou imediatamente.
— Dominic! — Ela cumprimentou com uma familiaridade que me irritou na hora. — O Elijah me ligou desesperado. Já vi a Sammy e a nossa garotinha.
Dominic se endireitou, soltando minha mão para cruzar os braços (o que já me deixou puta).
— Esther. Obrigado por cuidar dela pessoalmente.
Franzi a testa. Esther? Quem era essa e por que ela estava sorrindo para o meu noivo desse jeito? A médica se aproximou da cama, pegando meu prontuário.
— Como se sente, Taylor? — Ela perguntou, profissional, mas com aquele brilho nos olhos de quem sabe que é bonita.
— Dopada. — Respondi seca. — E com alguém falando alto no meu quarto.
Dominic segurou o riso, disfarçando com uma tosse. Esther apenas sorriu, ignorando minha hostilidade.
— Isso é a sedação passando. — Ela explicou. — Tenho boas notícias. A bala atravessou o deltóide e atingiu apenas tecido mole. O ombro é uma região muito vascularizada, Taylor, e o projétil rompeu uma arteríola muscular. Por isso sangrou tanto e causou aquele impacto visual assustador, parecia fatal, mas não foi.
Ela gesticulou, tranquila demais.
— Não foi necessária cirurgia de grande porte. Fizemos apenas uma exploração local para limpeza de pólvora e fragmentos, cauterizamos o vaso e suturamos. Você vai ficar um pouco grogue nas próximas horas, mas isso não impede sua alta ainda hoje, se quiser.
— Ótimo. — Resmunguei. — Odeio hospitais.
— A única recomendação rigorosa é o uso da tipoia e a proibição total de esforço com esse braço. — Esther olhou para o Dominic. — Nada de carregar peso, nada de dirigir e, por favor, nada de aventuras que aumentem a frequência cardíaca demais por enquanto.
Ela piscou para ele. Ela piscou!
— Pode deixar, Doutora. — Dominic assentiu. — Vou mantê-la na linha.
— Qualquer coisa, me chamem. Agora estou de volta, sei que costumam ligar para meu irmão, mas Elijah não é o único médico na família. Também estou à disposição. — ela sorriu para mim, depois virou ao meu grandão.
— Obrigado Esther. — ele disse com um sorriso.
— Por nada. — Ela respondeu. — Até logo Taylor, e melhoras. — Ela tocou no braço do Dom antes de sair. — Tchau , querido.
Assim que a porta se fechou, a explosão veio.
— "Tchau, querido"? — Imitei a voz dela, tentando me sentar na cama, ignorando a tontura. — Quem essa mulher pensa que é? Irmã do Elijah ou não, ela tocou no seu braço por três segundos inteiros, Dominic!
Dominic riu alto, balançando a cabeça.

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