Capítulo 282 — A Promessa de Vida
Samantha Jones
Hoje deveria ter sido o dia da liberdade. Fechei os olhos enquanto a cadeira de rodas deslizava pelo corredor branco do hospital, tentando voltar para algumas horas atrás. Para o momento em que estive nos braços do Atlas dentro daquele trailer abafado. Eu podia sentir o cheiro dele, o calor da pele dele, a promessa de que ele voltaria para casa comigo. A felicidade parecia tão real, tão palpável.
Mas então, o balde de água fria veio. Nem meu noivo, nem meu irmão. Ninguém saiu. A imagem do Atlas batendo o pé e decidindo ficar naquele inferno para proteger o José ainda estava gravada na minha mente. Meu coração apertou de medo por eles, mas, ao mesmo tempo, senti uma onda de orgulho tão grande que quase superou a dor. Atlas finalmente tinha deixado o passado para trás. Ele não estava mais preso no que o José fez, ou em quem ele foi. Ele agora vivia o presente. E no presente dele, José era família. José conquistou o Atlas. Aquela lealdade que vi nascer na cela agora era inquebrável. Eles eram irmãos de alma, e eu sabia que, a partir de hoje, nada separaria aqueles dois.
Mas o orgulho logo foi substituído pelo horror. O ataque. O som dos tiros rasgando a lataria do carro. O vidro estourando. Vi Taylor, corajosa e feroz, cair no asfalto com o ombro sangrando. Vi Athena, minha cunhada doce e frágil, desmaiada nos braços do Snake depois de quase ser levada por aquele monstro.
— Ai! — Gritei, dobrando o corpo para frente quando outra pontada aguda atingiu o pé da minha barriga.
— Calma, Sammy. Respira. — Declan estava ao meu lado, segurando minha mão com força, mas vi o pânico nos olhos dele. Ele devia estar pensando que, se algo acontecesse com esse bebê, Atlas o caçaria até no inferno.
Entramos na sala de obstetrícia. O ambiente era mais calmo, com luzes baixas, mas meu coração batia descompassado. Eu estava com medo. Muito medo. O estresse, a corrida, o pavor... será que eu tinha machucado meu filho?
A porta se abriu e uma médica entrou. Ela era alta, bonita, com cabelos escuros presos num coque elegante e um sorriso que me parecia estranhamente familiar.
Declan, que parecia prestes a ter um ataque de nervos, soltou o ar aliviado ao vê-la.
— Esther? — Ele disse, surpreso. — Não sabia que estava de plantão.
A médica sorriu para ele, um sorriso caloroso.
— Como vai, querido? — Ela se aproximou, pegando o prontuário. — E a nossa pequena Jen, como está? Me desculpem não ter ido ao casamento, eu estava fora do país num congresso.
— Ela está ótima. — Declan respondeu, relaxando os ombros. — Vai adorar saber que te encontrei.
Eu olhava a interação, confusa e com dor. A médica notou meu estado e imediatamente mudou a postura para o modo profissional, mas sem perder a doçura. Ela se aproximou da maca.
— Boa tarde, Senhorita Jones. Sou a Doutora Esther Cross.
Franzi a testa, a dor dando uma trégua momentânea diante do sobrenome.
— Cross? — Perguntei, a respiração curta.
A médica sorriu novamente, e naquele momento, eu tive certeza. Eu conhecia aquele sorriso caloroso e confiante de outro lugar.
— Exato. — Ela piscou para mim. — Sou irmã do Elijah.
Assenti, entendendo a conexão. O mundo deles era pequeno.
— Vamos ver o que está acontecendo com você e com esse bebê. — Esther disse, apalpando minha barriga com cuidado. — Onde dói?
— Aqui embaixo... — Apontei, segurando o choro. — É como uma cólica forte. Doutora... eu passei por muito estresse hoje. Tiros, perseguição... eu estou com medo de...

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