Capítulo 281 — O Predador
Juan Rivera (Snake)
A notícia chegou até mim como fel: amarga e difícil de engolir. José não sairia. O garoto que eu acolhi, que criei e moldei à minha imagem... o filho que a vida me deu, mesmo não carregando o meu sangue, continuaria naquela jaula de concreto. A burocracia e um acordo federal de merda valiam mais que a liberdade do futuro Rivera.
E Atlas... aquele garoto maluco. Ele escolheu ficar. "Dois informantes é melhor do que um." Eu deveria estar furioso por ele ser tão imprudente, mas, no fundo, senti um orgulho estranho. Lealdade é uma moeda rara hoje em dia, e Atlas Wilson acabava de provar que era rico nela. Ele não abandonou o mi niño.
O toque do meu celular cortou meus pensamentos. Chris. Atendi no primeiro toque, sentindo que algo estava errado. O tom de voz do garoto confirmou.
— Estamos com problemas, Snake. — A voz de Chris estava tensa, com som de motor acelerando ao fundo. — Dominic foi emboscado na saída do presídio. Zona industrial, perto dos galpões velhos. Ele está com as meninas.
O mundo parou por um segundo. As meninas. Athena. Sammy. A família do mi niño estava sob ataque.
— Estou a caminho. — Rosnei, desligando.
Fiz um sinal para Sombra, meu braço direito e guarda-costas pessoal, um gigante que fazia a maioria dos homens parecer crianças. Ele entendeu sem que eu precisasse dizer uma palavra. Entramos no meu carro blindado e rasgamos o asfalto de Nova York.
Chegamos ao local em minutos. O cenário era de guerra. Carros batidos, fumaça, corpos no chão. Meus olhos de águia varreram o lugar. Vi o SUV do Dominic crivado de balas. Vi Dominic ajoelhado ao lado de uma mulher caída.
Mas então, vi algo que fez meu sangue ferver. Num beco lateral, longe da proteção do Dominic, um rato imundo arrastava Athena pelos cabelos. Athena. A garota do meu José.
— Sombra. — Apontei. — O beco.
Não esperei o carro parar totalmente. Desci em movimento. Caminhei com a calma de quem sabe que é a morte encarnada. O rato estava armado, desesperado, gritando ameaças. Ele apontou a arma para mim. Pobre idiota. Sombra resolveu o problema com a eficiência de uma máquina, cravando uma faca na garganta do bastardo antes que ele pudesse piscar.
Aproximei-me de Athena. Ela estava pálida, trêmula, os olhos arregalados de terror.
— Como está, mi niña? — Perguntei suavemente, tentando não assustá-la mais.
Ela tentou falar, tentou focar em mim, mas o corpo dela cedeu. A segurei com cuidado. A dor estampada no rosto dela antes de desmaiar foi um soco no meu estômago. Eu a peguei antes que ela tocasse o chão imundo. Ela era leve. Frágil demais para tanta violência.
— Cariño... — A chamei, mas não tive resposta. Ela havia apagado.
Com Athena nos braços, voltei para a rua principal. A cena era caótica. Dominic pressionava o ombro da mulher, que só naquele momento vi que era Taylor, ele gritava para ela ficar acordada. O asfalto estava manchado com o sangue da mulher. Uma ambulância acabava de chegar, a sirene uivando.
— Senhor! — Um paramédico correu na minha direção quando me viu com Athena. — Coloque-a aqui, precisamos atender a mulher baleada primeiro! A outra ambulância já foi solicitada, deve chegar em dez minutos!
Parei e olhei para o homem com meu olhar mais frio.
— Dez minutos? — Ri, sem humor. — Eu não espero dez minutos nem para o meu café esfriar, hijo.
Ignorei o paramédico e fui direto para o meu carro.
— Samantha! — Chamei a irmã do José, que estava em choque ao lado do carro do Dom, olhando para a Taylor. — Venha comigo, entre no carro.
Sammy obedeceu, entrando no banco de trás. Acomodei Athena com cuidado ao lado dela, a cabeça da menina no colo da cunhada.
— Sombra, dirige. — Ordenei. — E se tiver trânsito, passa por cima.
O trajeto até o Hospital Central foi feito em tempo recorde. Sombra dirigia como um piloto de fuga. Atrás de nós, vi a ambulância com o Dominic e a Taylor. E logo atrás, o carro esportivo do Chris. Notei o carro do Noah que tinha acabado de se juntar ao comboio, e ao seu lado o de Declan.
Chegamos à emergência em bloco. Foi uma invasão. Eu entrei carregando Athena, gritando por uma maca. Dominic entrou logo depois, correndo ao lado da maca da Taylor, segurando a mão dela, coberto de sangue.
— Emergência! — Gritei.

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