Capítulo 277 — A Honra dos Justos
Atlas Wilson
O cheiro de jasmim e baunilha da Sammy ainda estava impregnado na minha pele. Minutos atrás, eu estava no paraíso. Estava dentro da minha mulher, sentindo a vida do meu filho chutar contra o meu peito, fazendo planos na minha cabeça sobre um jantar romântico com ela. Eu já podia sentir o gosto da liberdade, o conforto da minha cama, a paz de não ter que olhar por cima do ombro a cada segundo.
Mas então, o teto desabou sobre a minha cabeça.
"A soltura é para o Wilson. Infelizmente, o Alves ainda fica aqui."
Aquelas palavras do Dominic ecoavam na sala de visitas como uma sentença de morte. Não para o José, mas para a minha consciência. Eu olhei para o meu cunhado, o homem que se jogou na frente de uma faca por mim hoje cedo, o homem que abriu mão da liberdade e da segurança para entrar nesse inferno apenas para me proteger, e soube, com a clareza de um relâmpago, que eu não poderia ir.
Se eu saísse por aquela porta deixando o José para trás, eu deixaria minha honra junto. Eu seria um homem livre, sim, mas seria um homem quebrado.
— Dois informantes são melhores do que um, não é, Diretor? Se Dominic Costello conseguiu colocar o José aqui dentro, ele consegue me manter aqui. Rasgue o alvará, Dom. Eu não vou a lugar nenhum até o José ir comigo. — falei firme, sem dúvida alguma no tom da minha voz.
— Você ficou maluco? — O grito do José me trouxe de volta para a sala. Ele estava vermelho, as veias do pescoço saltadas. — Dominic, tira ele daqui! Agora! J**a ele na rua!
— Eu não vou a lugar nenhum. — Repeti, cruzando os braços e encostando na parede, fincando o pé. — Rasga o alvará, Dom.
— Atlas, pelo amor de Deus! — José avançou, mas Athena o segurou pelo braço. — Você tem merda na cabeça? Sua mulher está grávida! Você vai ser pai! Você tem que sair!
— Eu vou ser pai. — Concordei, olhando para a Sammy. Ela tinha lágrimas nos olhos, mas não estava histérica. Ela estava... resignada. Ela me conhecia. — E que tipo de pai eu seria se ensinasse ao meu filho que é aceitável abandonar um irmão na guerra? Que tipo de homem eu seria para a Sammy se eu dormisse na nossa cama quente sabendo que você está dormindo numa cela fria, correndo risco de morrer por minha causa?
— Isso não é um filme, Atlas! — José retrucou, desesperado. — É a vida real! E na vida real, você sai e eu fico porque eu sei me virar e você não!
— Eu não sei me virar? — Dei um passo à frente, encarando-o. — Eu derrubei o Akin hoje. Eu aguentei a pressão. Eu não sou mais o empresário que entrou aqui tremendo, José. Eu aprendi. Com você.
Virei-me para o Dominic. Ele estava parado, observando a cena com aquela expressão ilegível, mas eu via as engrenagens girando nos olhos dele.
— Dom, escuta. — Apelei para ele. — O José está preso aqui por causa da agressão e porque precisa entregar a operação dos Jamaica. Sozinho, ele é um alvo. Eles sabem quem ele é agora. Se eu ficar... nós cobrimos as costas um do outro. Dois informantes. Eu conheço a lei, sei onde procurar as falhas nos esquemas de lavagem de dinheiro que eles fazem aqui dentro. José conhece a rua, sabe como apertar os caras. Juntos, nós resolvemos isso na metade do tempo.
— Não ouve ele, Dom! — José interrompeu. — É perigoso demais! O David já confessou, o Atlas não tem motivo para estar aqui! É ilegal manter um homem inocente preso!
— Eu me recuso a sair. — Falei firme. — Se você me expulsar, eu chuto um guarda na saída e volto preso em cinco minutos por agressão. Escolha, Dominic. Você quer me ter aqui como aliado ou como um problema?

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