Capítulo 276 — Juramento de Sangue
José Alves
A frase do Dom pairou no ar como fumaça tóxica, sufocando a alegria que tinha acabado de explodir na sala.
"A soltura é para o Wilson. Infelizmente, o Alves ainda fica aqui."
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Sammy parou de sorrir, a mão cobrindo a boca. Athena apertou meus dedos com tanta força que doeu. Atlas, que estava abraçado à esposa, congelou.
O Promotor Robinson, alheio ao drama emocional e focado apenas na burocracia, fechou sua pasta com um clique seco.
— Bom, senhores. A parte da Promotoria está feita. O alvará do Senhor Wilson já está no sistema. — Ele ajeitou a gravata. — Diretor Costello, Agente Coletti... tenham um bom dia.
Ele saiu, deixando para trás uma bomba-relógio prestes a detonar. Assim que a porta bateu, Atlas soltou a Sammy e avançou na direção do Dom, o rosto vermelho de indignação.
— Que porra é essa, Dominic? — Atlas rosnou. — Se eu estou livre, a missão acabou! O José entrou aqui para me proteger. Se eu vou sair, ele sai comigo! Tira ele de lá agora!
Dom manteve a calma, mas vi a tensão na mandíbula dele. Ele odiava aquilo tanto quanto nós, mas tinha as mãos atadas.
— Não é tão simples, Atlas. — Dom explicou, a voz grave. — O José não é um preso comum que foi inocentado. Ele entrou como colaborador. Ele assinou um acordo federal.
— Que se foda o acordo! — Atlas gritou, batendo na mesa. — Ele só entrou nesse inferno por minha causa! Eu não vou deixar ele aqui!
— Escuta, Wilson! — Coletti interveio, duro. — O José quase matou um detento no primeiro dia para te defender. Aquele homem ainda está em coma na UTI. Se ele morrer, o José responde por homicídio, informante ou não. A única coisa que segura a barra dele agora é o acordo: ele precisa nos entregar a operação dos Jamaica e o tráfico no Queens. Sem isso, ele não sai.
Atlas passou a mão pelo cabelo, frustrado, parecendo que ia explodir. Ele se virou para mim, os olhos cheios de culpa e raiva.
— Você sabia disso. — Não foi uma pergunta. — Você sabia o tempo todo que só eu ia sair hoje.
Respirei fundo, soltando a mão da Athena e dando um passo à frente.
— Sabia. — Admiti. — O plano sempre foi esse, Atlas. Tirar você daqui. Você não pertence a este lugar. Você tem uma vida, uma carreira, uma esposa grávida esperando. Eu cumpri meu papel. Você está salvo.
— E você? — Sammy se intrometeu, a voz embargada, agarrando meu braço. — Você também tem família, José! Você não pode ficar aqui sozinho!
— É diferente, hermana. — Tentei suavizar, segurando os ombros dela. — Eu sei como as coisas funcionam aqui dentro. Eu cresci no meio disso, lembra? Eu me viro. — Forcei um sorriso confiante. — Além do mais... agora eu tenho o Diretor e o Snake do meu lado. Estou tranquilo com isso.
Tentei vender aquela mentira com toda a minha convicção. Precisava que eles acreditassem que eu estava bem, ou eles não iriam embora. Sammy chorou, balançando a cabeça em negação.
— Eu não concordo com isso. Não é justo você pagar pelo que fez para defender o Atlas.
— A vida não é justa, Sam. Mas é necessária. — Beijei a testa dela. — Cuida dele lá fora, tá? Por mim.
Sammy soluçou, mas assentiu, derrotada pelo meu olhar firme.
Depois foi a vez da Athena. E eu sabia que ela seria o problema maior. Ela estava parada no canto, os braços cruzados, o olhar faiscando de uma raiva fria e lágrimas contidas.
Puxei-a para um canto da sala, longe dos ouvidos dos outros.

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