Capítulo 273 — A Lei e a Ordem
Atlas Wilson
— ATLAS!!
O grito do José foi desesperado, rasgando o ar. Levantei a cabeça. A lâmina improvisada brilhou ao sol, descendo na minha direção enquanto eu ainda estava preso em cima do Akin.
Não pensei. Agi por puro instinto de sobrevivência. Joguei meu corpo para a direita, rolando para fora de cima do Akin. Senti o deslocamento de ar quando a faca passou a centímetros do meu rosto, riscando o concreto onde minha cabeça estava um segundo antes. O som do metal raspando no chão me causou arrepios.
Antes que o atacante pudesse levantar a mão para o segundo golpe, um vulto o atingiu. José se lançou sobre ele como um animal selvagem, derrubando-o. O caos explodiu.
— PEGA ELES! — Alguém gritou.
Homens do grupo Jamaica avançaram para ajudar o esfaqueador. No mesmo instante, Jack, Fumaça e Gigante entraram na briga, formando uma barreira ao nosso redor. Socos, chutes e gritos preencheram o pátio. Eu me levantei, ainda tonto, e chutei o Akin que tentava se erguer, apagando-o de vez. Virei-me para ajudar o José, que trocava socos com o homem da faca.
— Protejam os dois! — Ouvi a voz grave do Scar.
Os homens dele cercaram a confusão, transformando o pátio num campo de batalha generalizado. Eu batia, apanhava, sentia o gosto de sangue na boca, mas não parava.
— PARADOS! TODOS NO CHÃO! AGORA!
O som de cassetetes batendo nos escudos e o disparo de balas de borracha para o alto cortaram a briga. Os guardas invadiram o pátio como uma onda azul-marinho. A multidão se dispersou, homens se jogando no chão com as mãos na cabeça. Eu e José recuamos, ofegantes, os uniformes rasgados e sujos de sangue e poeira.
A barreira de guardas se abriu. E por ela passou Dominic Costello. Ele usava terno preto impecável, óculos escuros e caminhava com uma calma aterrorizante em meio ao caos. Ele não parecia um diretor de presídio; parecia a própria Morte vindo cobrar uma dívida.
Ele foi direto até o homem que tinha tentado me esfaquear, que agora estava sendo segurado por dois guardas. Dom parou na frente dele, tirou os óculos devagar e o encarou.
— Você tem coragem. — A voz do Dom era baixa, mas o silêncio no pátio era tanto que todos ouviram. — Tentar matar um homem sob a minha custódia? No meu pátio?
Ele segurou o colarinho do detento e o puxou para perto, sussurrando algo que fez o homem — um assassino condenado — empalidecer e tremer visivelmente. Dom o soltou com nojo, limpando a mão no paletó.
— Spencer. — Ele chamou sem olhar para trás.
— Senhor?
— Leve esse lixo para a solitária. Nível 5. Sem luz, sem som. — Dom ajeitou os punhos da camisa. — Eu mesmo vou interrogá-lo mais tarde sobre quem mandou fazer isso.
Spencer arrastou o homem para longe. Dom então virou-se para o Malik, que observava tudo de longe, com os braços cruzados. Dom não gritou. Não ameaçou. Apenas sustentou o olhar.
— Vou deixar passar a bagunça de hoje, Malik. — Dom disse, a voz ecoando autoridade. — Mas controle seus cães. Se eu ver outra lâmina neste pátio, não vai sobrar nada da sua operação aqui dentro. Entendeu?
Malik, que não era burro e sabia reconhecer um predador maior quando via um, assentiu devagar, engolindo o orgulho.
— Vamos. — Malik fez um sinal e os Afros recuaram.
Dom finalmente olhou para mim e para o José. Ele não sorriu, mas vi o alívio nos olhos dele.
— Wilson. Alves. Na minha sala. Agora.

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