Capítulo 271 — Alvos Marcados
Dominic Costello
Diretor Costello. O título ainda soava estranho na minha mente enquanto eu dirigia pelas ruas de Manhattan. Usei o poder do cargo nas primeiras horas para organizar a logística: amanhã, Sammy e Athena teriam acesso liberado aos trailers de visita íntima. Era o mínimo que eu podia fazer pelos meus amigos.
O celular no painel vibrou. Chris. Ignorei. Eu sabia que ele estava com o David e o Snake, e sabia que aquilo significava problemas. Mas, antes de mergulhar na escuridão de novo, eu precisava de cinco minutos de luz. Eu precisava ver minha mulher e minha mãe.
Estacionei na garagem do meu prédio e subi. O apartamento estava silencioso quando entrei. Tirei o paletó, sentindo o peso do dia nos ombros. De repente, um vulto pequeno e furioso apareceu no corredor.
— Dominic Costello! — Taylor gritou, marchando na minha direção como uma general de um exército de um homem só. — Onde diabos você se meteu? Eu liguei dez vezes! Mandei mensagens! Você sumiu o dia todo, seu idiota insensível!
Ela parecia uma pinscher raivosa, linda e letal. Não dei chance para ela continuar o discurso. Dei dois passos largos, agarrei-a pela cintura e a levantei do chão.
— Me solta! Eu estou falando com voc... — A frase morreu quando tomei a boca dela num beijo faminto.
Taylor resistiu por dois segundos, batendo no meu peito, mas logo cedeu, as mãos indo para o meu cabelo. Caminhei com ela até o sofá e me deitei sobre ela, sem quebrar o beijo, usando meu peso para ancorá-la. Quando nos separamos, ela estava ofegante, o rosto corado, mas os olhos ainda faiscavam.
— Você é um cretino. — Ela sussurrou, mas sem veneno.
— Eu sei. — Dei um beijo na ponta do nariz dela. — Desculpe. O dia foi um inferno. Assumi a direção do presídio estadual.
Os olhos dela se arregalaram.
— O quê? Você é o Diretor agora?
— Longa história. — Acariciei o rosto dela. — Como está a minha mãe?
— Dormindo. — Taylor suspirou, passando a mão no meu rosto. — Diva está com ela. Dei folga para a Mia hoje, achei que precisávamos de privacidade, mas você decidiu brincar de esconde-esconde.
— Eu preciso sair de novo, Tay. — Falei, vendo a frustração dela voltar. — O Chris está me ligando. Temos o cara que armou para o Atlas. Mas antes, preciso passar no Noah.
Taylor ficou séria de repente.
— Estávamos com a Ju, quando ele chegou junto do Declan e... — Ela mordeu o lábio. — E do irmão dele. O gêmeo. O tal Norton.
Travei.
— O quê? O Norton está morto. Eu não o conheci, mas sei que morreu há quinze anos.
— Aparentemente não está. — Taylor disse baixo. — Declan não deu detalhes, disse que era melhor deixar eles em paz por enquanto, mas... ele está vivo. Eu vi.
Minha mente girou. Se o Norton estava vivo, toda a história do acidente era mentira. Beijei Taylor uma última vez, prometendo voltar, e saí.
Fui direto para a cobertura do Noah. O que encontrei lá confirmou o impossível. Noah estava destruído e furioso, e na sala, um homem idêntico a ele. Tivemos uma conversa rápida no escritório. Noah me contou sobre o Noel Blake. Sobre o Drácula. Sobre a ameaça. Quando íamos sair juntos para encontrar o Chris, o Norton teve um surto na sala. Vi o desespero nos olhos do Noah.
— Fica. — Ordenei. — Sua família precisa de você. Eu resolvo o David.
Deixei o Noah com o irmão e dirigi até o Brooklyn como se o diabo estivesse no banco do carona. Cheguei ao cassino do Snake e fui levado direto para o subsolo. O cenário era o esperado: Chris e Jay de braços cruzados, Snake com aquele olhar de psicopata tranquilo, e David amarrado numa cadeira, o rosto já bem machucado.
— Chegou a cavalaria. — Chris anunciou, desencostando da parede.
Caminhei até o David. Ele levantou os olhos inchados para mim.
— Por favor... — Ele choramingou. — Eu já falei tudo.
— Falou porra nenhuma. — Chris rosnou, dando um tapa na cabeça dele. — Ele confessou que forjou as provas junto com o detetive Smith e que o Natanael fez a ponte. Disse que foi por dinheiro.
Chris socou a mesa ao lado, assustando o David.
— Dinheiro! Esse verme destruiu a vida do meu amigo por alguns dólares!
— Eu precisava! — David gritou. — Eu tenho dívidas de jogo! O Natanael ofereceu limpar tudo! Eu não tenho nada contra o Atlas!
Aproximei-me, agachando na frente dele.
— O dinheiro não me interessa. — Minha voz saiu calma, o que era muito mais assustador do que os gritos do Chris. — Eu quero saber do Noel Blake. O que ele quer?
David tremeu, confuso por eu já saber quem estava por trás de tudo.
— Vingança. — Ele sussurrou. — Ele quer vingança contra os filhos daqueles que o prejudicaram há vinte e seis anos.
Chris e eu trocamos um olhar confuso. Snake, que até então ouvia tudo calado nas sombras, deu um passo à frente.

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