Capítulo 266 — O Sol Ainda Dança
Noah Blake
— Porque ou eu estou louco, Noah... Ou nesse exato momento, estou vendo outro você!
Aquelas palavras pairaram no ar como fumaça tóxica. Franzi a testa, o telefone escorregando um pouco na minha mão suada.
— Do que você está falando, Snake? — Minha voz saiu um sussurro áspero. — Que brincadeira é essa?
— Não é brincadeira. — A voz de Juan Rivera estava séria, sem nenhum traço do deboche habitual. — Meus homens pegaram um cara escondido no depósito. Ele é a sua cópia, Noah. O mesmo rosto, o mesmo nariz... Só não tem as tatuagens. E ele... ele parece quebrado. Não diz nada com nada. Está confuso, como uma criança.
O mundo parou. O som do ar-condicionado sumiu. As vozes na minha cabeça gritaram. Senti meus dedos perderem a força. O celular escorregou da minha mão e bateu com um baque surdo no tapete do escritório. Me joguei para trás na cadeira, o ar faltando nos pulmões, como se tivesse levado um tiro no peito.
Declan, percebendo meu estado, correu para o meu lado.
— Noah! O que foi?
Chris, rápido como um raio, pegou o telefone do chão antes que a ligação caísse.
— Snake? — Chris falou, o tom urgente. Ele ouviu por alguns segundos, os olhos arregalados se fixando em mim. — Entendido. Não mexam nele. Estamos indo. Agora.
Chris desligou e me encarou.
Mas eu não estava ali. Minha mente tinha sido puxada violentamente para o passado. Para um quarto escuro numa mansão fria. Eu vi um garoto de dezoito anos, mas grande só na idade, porque no físico ele era pequeno e frágil, chorando agarrado à minha perna no dia em que fui para a faculdade.
"Não vai, Noah! Não me deixa aqui com eles, Norton também quer ir!"
"Eu volto, pequeno. Eu prometo. Vou ficar forte e volto para buscar você e a Marisa."
Norton negou com a cabeça. Meu irmão era uma criança num corpo adulto. Ele não queria me soltar de jeito nenhum. Agachei para ficar na sua altura, o abracei e sussurrei ao seu ouvido:
“O Noah volta, pequeno, eu prometo.”
Naquele dia eu parti, e no final quebrei essa promessa. Mas eu quebrei porque pensei que eles estavam mortos. Só que ele estava vivo, todo esse tempo meu irmão esteve vivo e eu... Eu deixei ele sozinho... por anos.
— Noah! — A voz do Declan me trouxe de volta. — O que está acontecendo? Fala com a gente!
Não consegui responder. Minha garganta estava fechada. Chris respondeu por mim.
— Snake está com um homem lá no cassino. Um homem que é a cara do Noah.
Declan olhou para mim, chocado, a negação estampada no rosto.
— Norton? — Ele sussurrou o nome proibido. — Isso... isso é impossível. Nós o enterramos. Será que... merda. Será que é realmente ele?
Levantei-me, as pernas trêmulas, mas a determinação endurecendo meus ossos.
— É isso que estou prestes a descobrir. — Respondi seco.
Chris já estava na porta.
— Snake está nos esperando. Vamos, eu dirijo. Gayer vai com a gente na escolta.
Assenti e saímos do escritório apressados. Ao chegarmos à sala, as meninas perceberam a movimentação. Juliet encontrou meus olhos. Ela largou o copo de suco e correu até mim, segurando meu braço.
— O que houve? — Ela perguntou, lendo o pânico que eu tentava esconder.

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