Capítulo 265 — O Reflexo do Diabo
Juan Rivera (Snake)
O escritório estava imerso em uma nuvem de fumaça de charuto. Do outro lado da mesa de mogno, Sombra e Marco aguardavam minhas ordens, imóveis como estátuas.
— A emboscada em Jersey tem que ser cirúrgica. — instruí, batendo a cinza do charuto no cristal. — Santino já está em contato com o Jay. Eles vão pegar o David naquele motel de quinta categoria. Quero aquele verme vivo. Ele é a chave para limpar o nome do cunhado do mi niño.
— Entendido, Chefe. — Marco assentiu.
— Outra coisa. — Apontei o dedo para o Sombra. — Quero olhos no Comissário Gordon. Agora que ele nomeou o Dominic como Diretor, ele vai tentar fazer jogo duplo para agradar o Governador. Se ele respirar errado, eu quero saber.
— E o Natanael Blake? — Sombra perguntou.
Sorri, mas não havia humor nos meus olhos.
— Ah, o "Tio Natanael"... — Soltei a fumaça devagar. — Coloquem homens na cola dele. Quero pegar ele de surpresa. Vamos fazer uma visitinha de cortesia em breve. Ele vai pagar caro pelo que fez ao José. Ninguém toca nos meus e sai impune.
Eles assentiram e se viraram para sair, mas a porta se abriu antes que pudessem dar um passo. Um dos meus vapores, um garoto novo e nervoso, colocou a cabeça para dentro.
— Chefe... tem alguém querendo falar com o senhor.
Franzi a testa, irritado pela interrupção.
— Esse alguém tem nome? — Rosnei. — Eu não converso com sombras, garoto.
O vapor abriu a boca para responder, mas foi empurrado para o lado. A porta se abriu inteira e, por ela, passou um homem que fez o tempo parar dentro daquele escritório.
Alto. Sobretudo preto caro. Cabelos brancos como a neve, penteados para trás com perfeição. Mas foram os olhos verdes e o sorriso frio que me fizeram travar o maxilar. A semelhança era absurda. Era como ver o Noah trinta anos mais velho... ou ver um fantasma.
— Por aqui, vocês me chamam de Drácula. — O homem disse, a voz macia e perigosa.
Ele não estava sozinho. Ao lado dele, uma mulher bonita, com longos cabelos castanho-escuros caindo em ondas e um corpo escultural, entrou. Ela parecia tensa, os olhos varrendo a sala como se procurasse uma rota de fuga.
Levantei da minha cadeira devagar, resistindo à vontade primitiva de sacar minha arma e estourar os miolos daquele maldito ali mesmo. Eu sabia que, por trás das ordens do Natanael, o cérebro era esse homem.
Fiz um sinal discreto para o vapor sair e fechar a porta. O garoto obedeceu, trêmulo. Sombra e Marco recuaram para os cantos da sala, mãos próximas aos coldres.
— Sente-se. — Apontei para a cadeira à minha frente, mantendo a postura de quem domina o território.
Drácula sentou-se com uma elegância aristocrática. A mulher sentou-se ao lado dele, as mãos apertadas no colo.
— Eu não gosto de surpresas. — Comecei, encarando-o. — E a sua visita é uma das grandes.
— A vida é feita de imprevistos, Senhor Rivera. — Ele sorriu, e aquele gesto me incomodou profundamente. Era o mesmo sorriso do Noah. O mesmo maldito sorriso. Que merda, isso não é coincidência.
— O que você quer na minha casa? — Fui direto.
— Quero um encontro com o Noah Blake. — Ele disse, sem rodeios. — E preciso da sua ajuda para isso. Sei que ele confia em você.
Soltei uma risada alta, seca.
— Você quer minha ajuda? — Inclinei-me sobre a mesa. — Isso não vai acontecer.
Drácula manteve a calma, cruzando as pernas.
— Todos têm um preço, Rivera. Eu posso oferecer territórios, rotas, imunidade...
— Eu já tenho tudo isso. — Cortei. — E tenho algo que você não tem: lealdade.
— Lealdade é uma palavra bonita para "limitação". — Ele retrucou. — Eu e o Noah temos um passado. Eu só quero... me acertar com ele.
Ri novamente, balançando a cabeça.

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