Capítulo 264 — Túmulos Vazios
Noah Blake
Entrar na minha cobertura deveria trazer uma sensação de paz, mas hoje o ar-condicionado parecia frio demais e as sombras, longas demais. Assim que passei pela porta, fui recebido pelo som de vozes femininas. As meninas, Penelope, Taylor, Samantha e Jenny estavam na sala com a minha mulher, conversando baixo, com expressões preocupadas.
Cumprimentei-as com beijos rápidos na testa, forçando um sorriso que não chegou aos meus olhos. Sammy me olhou com questionamento, mas apenas balancei a cabeça. Ainda não tinha nada a dizer a ela que pudesse tirar o peso de ter o noivo preso.
Minha mulher, sempre atenta a tudo, veio até mim, passou os braços por minha cintura e levou os lábios até os meus.
— Tudo bem com a Athena?
— Sim, mas ela ainda não está pronta para visitas. — respondi, ainda agarrado a ela.
— E os meninos, teve notícias?
— Dom foi ao presídio, mas ainda não nos falamos. — Olhei ao redor, notando o silêncio. — Onde estão as crianças?
— Na cozinha com a Cece, Ava e Diva. — Ela respondeu, tirando os braços da minha cintura e os envolvendo em meu pescoço. — Quer conversar? — perguntou. — Deixo as meninas aqui um minuto, sei que elas não se importam.
Sorri para minha mulher e a beijei, um beijo intenso daqueles que mostravam a ela o quanto ela é o amor da minha vida. Quando nos separamos, colei minha testa na dela.
— Depois. Agora preciso falar com os caras. — respondi e dei um selinho nela.
Olhei para o Declan, que também estava agarrado à mulher dele, e fiz sinal com a cabeça. Ele, entendendo o recado, deu um beijo rápido na Jen e me seguiu até o meu escritório.
Enquanto caminhava pelo corredor, peguei o celular e digitei uma mensagem rápida para o Chris: "Vem até meu apartamento. Estamos no escritório."
Entrei e fui direto para o bar. Ignorei a água e servi dois copos de uísque puro. Entreguei um para o Declan e virei o meu num gole só, sentindo o líquido queimar a garganta e aquecer o estômago, mas não o suficiente para tirar o gelo da minha espinha.
— O que aconteceu, Noah? — Declan perguntou, segurando o copo sem beber. — Você está pálido.
— Vamos esperar o Chris. — Respondi, servindo outra dose. — Não quero repetir essa merda duas vezes.
Declan assentiu, sentando-se na poltrona de couro e me observando com aquele olhar analítico. Cinco minutos depois, a porta se abriu sem cerimônia. Chris entrou com uma expressão séria, vestindo sua habitual jaqueta de couro e camiseta preta. Ele foi direto ao aparador, pegou a garrafa e bebeu direto do gargalo antes de falar.
— Jay já está posicionado em Jersey. — Ele anunciou, limpando a boca. — Os caras do Snake cercaram o lugar. Eles vão entrar a qualquer momento para pegar o David.
— Graças a Deus. — Declan soltou o ar, aliviado. — Com o David nas mãos do Dom, provamos a inocência do Atlas e acabamos com metade dos nossos problemas.
Eu permaneci em silêncio, girando o copo vazio na mão, olhando para o reflexo do vidro. Chris, sempre perceptivo, estreitou os olhos para mim.
— Essa notícia deveria ter te animado, Blake. — Comentou, aproximando-se. — Mas você parece que viu um fantasma. Qual é o problema?
Respirei fundo, passando a mão pelo rosto.
— Talvez eu tenha visto. — Murmurei.
— Do que você está falando? — Declan se inclinou para frente.

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