Capítulo 263 — Visitas e Revelações
Atlas Wilson
Eu ainda estava processando a imagem de Dominic Costello, o "Fodão do FBI", parado no centro do pátio com o megafone na mão, quando os guardas começaram a gritar.
— CONTAGEM! TODOS PARA AS CELAS! AGORA!
A movimentação começou, mas dessa vez o ar parecia menos pesado. Havia um burburinho de excitação entre os presos. A morte de Dixon e a chegada de um "linha dura" mudavam tudo.
Caminhei ao lado do José, Jack, Gigante e Fumaça.
— O jogo virou, Hermanito. — Jack comentou baixo, com um sorriso de canto. — Se esse novo Diretor é amigo de vocês mesmo, a nossa estadia aqui vai virar um hotel de luxo.
— Não diria luxo... — José respondeu, piscando para mim. — Mas digamos que o serviço de quarto vai melhorar.
— Só espero que isso não traga mais problemas. — Falei, ainda tenso, olhando para os guardas federais que ocupavam os corredores. — Olhos demais em cima da gente agora.
— Relaxa, cunhadinho. — José bateu no meu ombro. — Dom sabe o que faz. Com ele no comando, os ratos vão ter que se esconder. E nós? Nós vamos caçar.
Chegamos ao bloco das celas. O barulho das grades se fechando ecoou, aquele som metálico que eu odiava, mas hoje soou quase como música. Mal tive tempo de sentar no beliche quando passos pesados pararam em frente à minha grade.
Era Spencer. O guarda parecia nervoso, suando frio.
— Wilson. Alves. — Ele chamou, abrindo as celas novamente. — O Diretor quer ver vocês. Agora.
Troquei um olhar com o José. Ele sorriu, tranquilo, e saímos. Caminhamos pelo corredor administrativo em silêncio. Os outros guardas nos olhavam com curiosidade e desconfiança. Dois detentos sendo chamados à sala do Diretor minutos após a posse? Isso gerava fofoca.
Spencer abriu a porta do escritório principal e nos deu passagem. Entramos. A sala ainda cheirava ao charuto barato do Dixon, mas a presença ali era outra. Dominic estava sentado na cadeira de couro giratória, os pés sobre a mesa, lendo um relatório. Assim que a porta se fechou e ficamos sozinhos, ele baixou o papel e nos encarou.
— E aí? — Dom abriu um sorriso debochado. — O laranja não cai muito bem em vocês. Acho que prefiro ternos italianos.
Soltei uma risada de alívio, sentindo a tensão dos ombros despencar.
— Vai se ferrar, Costello. — Falei, me jogando numa das cadeiras à frente dele. — Que porra foi aquela lá fora? Como você conseguiu isso?
José sentou ao meu lado, relaxado como se estivesse no sofá de casa.
— Snake. — José respondeu por ele.
— Exato. — Dom confirmou, ficando sério. — O Comissário Gordon estava desesperado. Snake apertou onde dói — no bolso e no medo — e comprou minha nomeação. Agora tenho carta branca aqui dentro.
— E como estão as coisas lá fora? — perguntei, ávido por notícias.
— Os caras do Chris, sob o comando do Jay, junto com os homens do Snake, estão em Jersey neste momento. — Dom explicou. — Estão invadindo o motel para pegar o David. Se tudo der certo, hoje mesmo colocamos as mãos naquele maldito. Depois disso, o depoimento que limpa a sua barra estará a um passo.
Suspirei, a esperança reacendendo.
— E você, José? — Dom olhou para o meu cunhado. — Soube do ataque na solitária. Como você está?
— Vaso ruim não quebra, Dom. — José deu de ombros, embora eu visse a careta de dor sutil quando ele se mexeu. — Tô inteiro. Mas temos um problema.
— O quê?
— Malik e os caras do Jamaica. — José explicou a situação do pátio. — A forma como ele provocou o Atlas... foi armado. Tenho certeza que eles estão na folha de pagamento do Drácula aqui dentro. O ataque foi coordenado.
Dom assentiu, anotando algo num bloco.
— Vou colocar o Coletti nisso. Ele vai investigar as contas e as visitas do Malik. Se houver um vínculo, nós vamos achar.
— Falando em Malik... — Lembrei, olhando para o José. — E aquela promessa maluca de bebida para o pátio inteiro? Como vamos fazer isso? Você prometeu uísque de graça para centenas de criminosos.
Dom ergueu uma sobrancelha, nos encarando.
— Bebida? Vocês estão malucos? Eu sou o Diretor agora, não posso traficar álcool para dentro da minha própria prisão.
José recostou-se na cadeira, aquele sorriso malicioso e irritante surgindo nos lábios.

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