Capítulo 261 — A Nova Lei
José Alves
— Oi, minha princesa.
Minha voz saiu arranhada, grossa pela emoção que estava entalada na garganta desde que entrei nesse inferno. Do outro lado da linha, ouvi o soluço dela, e aquilo foi como um soco no estômago e um abraço ao mesmo tempo.
— José... — Ela chorou baixinho. — Eu tô com tanta saudade.
Fechei os olhos, encostando a testa na parede fria da sala de arquivos onde Miller nos escondeu.
— Eu também, mi amor. Eu também. — Sussurrei. — Como você está? De verdade?
— Tô bem. Já estou em casa. — Ela fungou. — E segurando sua camisa só pra sentir você pertinho de mim. Estou pensando em usá-la até o dia de você voltar pra mim.
Sorri, imaginando ela vestida com a minha roupa, pequena e frágil, mas forte como ninguém.
— Fica muito melhor em você do que em mim, princesa. — Falei suavemente. — Prometo que logo vou estar aí para tirar ela de você... e colocar de volta depois.
Ela riu entre o choro, e aquele som foi a melhor coisa que ouvi desde que entrei nesse lugar.
— Volta logo, José. Por favor.
— Eu vou voltar. Nada vai me manter longe de você. Eu te amo, Athena.
— Eu te amo.
A linha ficou muda. Miller, que estava vigiando a porta, estendeu a mão impaciente. Entreguei o aparelho descartável para ele. Esse guarda era o nosso elo com o mundo lá fora. Foi ele quem nos avisou da alta da Athena e da descoberta sobre o suborno do laboratório, tudo repassado pelo Snake. O homem tremia só de ouvir o nome do meu "pai" adotivo.
Atlas estava ao meu lado, os braços cruzados, olhando para o nada, com a mandíbula trincada.
— Ela se tornou um alvo, José. — Atlas murmurou, a voz carregada de culpa. — Primeiro tentaram me incriminar, depois tentaram te matar, e agora... agora os caras descobrem que pagaram para atrasar a medicação dela. Eles queriam atingi-la. O que farão quando descobrirem que não deu certo? Que ela está bem?
Coloquei a mão no ombro dele.
— Eu te entendo. Eu temo por ela, por minha irmã que está grávida do meu sobrinho. — suspirei, tentando organizar as minhas ideias. — Mas se esse cretino do Natanael Blake, junto da porra do Drácula, pensa que tem a vantagem, eles estão muito enganados.
— Eu queria estar lá com elas, as protegendo como se deve. — Ele socou um dos armários.
— E você vai estar, em breve. — Garanti. — Snake disse que vai trabalhar direto com os caras para caçar esse maldito Drácula. O cerco está fechando lá fora. Nós só precisamos aguentar firme aqui dentro.
Miller pigarreou.
— O tempo acabou, senhores. Preciso levar vocês de volta para o pátio antes da contagem. E... tem movimentação estranha lá fora. O Comissário chegou.
Atlas e eu trocamos um olhar rápido e seguimos o guarda. Atravessamos os corredores cinzentos até o acesso ao pátio principal. Assim que o portão de ferro se abriu e entramos na luz do sol, percebemos que o clima estava diferente. Não havia jogos, não havia conversas paralelas. Havia uma tensão estática no ar.

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